Resenhas

RESENHA: os 4 principais livros do Sherlock Holmes

Esse é mais um dos vários projetos que estou concretizando agora em 2020. Vocês estão cansados de saber do meu amor por Sherlock Holmes, tanto que minha primeira resenha aqui do blog foi Um Estudo em Vermelho.

De lá para cá, as coisas mudaram muito. Amadureci muito quando se trata de literatura, principalmente considerando que nunca li tanto quanto nos últimos dois anos, minha escrita também mudou muito por conta do hábito e do ENEM (escrever constantemente não é uma opção quando se trata de vestibulares) e claro, agora eu sei os livros que servem para virar resenha no blog e aqueles que servem para mini resenha no Instagram.

Sinto dizer que, sozinho, Um Estudo em Vermelho é material para, no máximo, uma mini resenha do Instagram. Porém, não posso dizer isso de todos os livros principais de Sherlock Holmes. Estou falando de Um Estudo em Vermelho, O Signo dos Quatro, O Cão dos Baskerville e de O Vale do Medo. Existem vários outros contos, mas esses quatro são os livros principais do detetive.

Assim, decidi usar o box que tenho para dar início ao projeto de clássicos. É difícil falarmos dos livros mais clássicos da literatura aqui no blog, geralmente o máximo é Agatha Christie. Mas é importante para um blog literário abordar esse gênero e eu tenho certa curiosidade para ler alguns.

Por isso, este post será iniciado em abril e não faço ideia da data em que será terminado. Basicamente, são as mini resenhas que iriam para o Instagram, mas em um post completo aqui no blog, livro por livro.

Talvez eu mencione os contos nos próximos meses e, caso eu faça isso, os links serão deixados no final deste post.

Um Estudo em Vermelho

Que livro, senhoras e senhores. É engraçado que mesmo quem já é mais treinado por outros livros do gênero para descobrir quem é o assassino não consegue acertar. É simplesmente impossível.

A leitura prende do início ao fim, principalmente quando começa o relato do assassino. No começo, é meio estranho o livro ser narrado do ponto de vista de John Watson visto que ele não é o personagem principal, mas conforme a história vai se desenrolando, fica claro que a mente de Sherlock Holmes é daquelas que só faz sentido para a própria pessoa. Ficaria muito estranho ler as deduções de Sherlock e o livro não teria menos de 500 páginas, sem falar que ficaria extremamente cansativo e confuso.

Outro ponto muito engraçado é como conseguiram transformar um romance extremamente clichê em algo completamente perturbador. Essa história de a menina mais bonita se apaixonar pelo cara que a salvou, ele gostar dela também e não poderem ficar juntos é a coisa mais manjada do mundo. Pior que isso seria se o pai dela não aprovasse e ele ficasse atrás do cara.

Agora, é totalmente diferente quando matam a mulher e o cara inventa uma vingança louca contra os responsáveis pela morte. Isso sim, meus queridos, é um livro do Sherlock Holmes.

O Signo dos Quatro

Mais um livro maravilhoso, porém tenho algumas críticas. Primeiramente, não vi muito sentido em Watson se apaixonar e resolver casar tão rápido. Talvez seja por conta da época, mas foi rápido até demais. Dois dias!

O segundo ponto, e talvez o que me incomodou mais, foi que algumas partes foram uma cópia do primeiro. Ao invés de ser uma vingança por amor, nesse caso foi uma vingança por roubo e traição, ok, mas as diferenças param por aí. Alguns diálogos foram praticamente uma cópia de alguns que aconteceram em Um Estudo em Vermelho, fora que, se a gente for analisar bem, a narrativa segue sempre a mesma: alguém morreu, parece ser um caso simples, mas Sherlock percebe que não é, Sherlock desvenda o mistério e por último temos a narrativa do assassino de uma história que aconteceu anos antes, mas em que ele se sentiu injustiçado e que foi consumido pela vingança.

Um Estudo em Vermelho:

“Se não havia mais nada para ele, poderia pelo menos dedicas sua vida à vingança. Com paciência e perseverança indomáveis, Jefferson Hope sabem possuía um poder de vingança, que devia ter adquirido com os índios entre os quais ele havia vivido.”

O Signo dos Quatro:

“Desde aquele dia vivi pela vingança. Pensava nisso pela manhã e refletia durante e noite. Fui consumido e absorvido por aquele sentimento.”

Talvez eu tenha ficado com essa impressão porque estou lendo os livros com um intervalo de tempo um tanto curto, mas não posso dizer que não esteja ficando chateada (talvez até um pouco decepcionada) com isso.

Mas tirando esses dois problemas, gostei bastante do livro. É o tipo de mistério que você não sabe como será resolvido até que isso de fato aconteça. Sherlock continua com suas deduções mirabolantes e sua amizade com John cresce cada vez mais, o que chega a ser fofo, porém, não vou negar que alguns momentos me levantaram algumas suposições. Sherlock Holmes e John Watson são gays?

O Cão dos Baskerville

Aquilo que tanto me incomodou quando li O Signo dos Quatro não aconteceu aqui e fico muito feliz com isso. Foi um grande alivio ver que O Cão dos Baskerville foi completamente diferente dos outros dois.

A única coisa que me incomodou aqui foi a falta de Sherlock Holmes. No começo gostei de ver como John Watson se virava sozinho, mas depois passei a sentir falta dos dois juntos. Entretanto, isso é bom para vermos que o que realmente segura os livros são os mistérios, não apenas Sherlock Holmes.

No final da resenha de O Signo dos Quatro, terminei perguntando se Sherlock e Watson são gays. Sinceramente, esse livro só me deu mais indícios disso. A impressão que passa é que eles se gostam mesmo mas nunca nem chegaram a perceber. Isso fica bem evidente porque em diversos momentos, John fica falando que sente falta de Sherlock, fica muito feliz por um simples elogio de Sherlock. Várias pessoas falam bem de John, mas ele só fica feliz dessa forma quando o elogio vem de Sherlock.

Desde o começo, eu já desconfiava de quem seria o assassino. Porém, dessa vez, era impossível descobrir suas intenções. A questão é que nos outros livros, tiraram um personagem que nunca havia aparecido antes e o colocavam para ser o assassino por algo que aconteceu no passado que ninguém conhece. Isso não me agrada muito porque não permite que o leitor descubra antes o que está acontecendo.

Já aqui, o personagem é alguém que conhecemos e muitas pessoas estão envolvidas, então cabe ao leitor descobrir quem tem relação com o(s) crime(s) e quem não tem.

Algo que me deixou curiosa é a namorada de John no livro anterior. Eles não iam casar? Onde ela foi parar? Tenho uma ideia do que acontece por conta da série, mas não posso afirmar com toda certeza. A verdade é que cada vez que termino um desses livros fico com ainda mais vontade de ler os contos para entender o que acontece entre um livro e outro.

Um Estudo em Vermelho começa com John e Sherlock se conhecendo. Em O Cão dos Baskerville, descobrimos que eles moram juntos há anos. O que perdemos nesse meio? E agora estou lembrando de um conto que li no qual John afirmava que não morava mais com Sherlock… O QUE EU PERDI???

O Vale do Medo

Depois de ler os quatro livros, finalmente decidi que esse é meu preferido. Tivemos novamente uma história do passado sendo contada por mais da metade do livro, porém essa foi simplesmente excelente. Diferente de Um Estudo em Vermelho e O Signo dos Quatro, a história de vingança não é por conta de uma mulher como o livro todo dá a entender, mas sim por uma traição enorme.

Eu gostaria que o livro fosse maior e que a resolução do mistério durasse mais tempo já que foi tudo muito, muito rápido. As deduções de Sherlock duram menos de 50 páginas e acredito que um crime daquele porte merecia um foco muito maior. Porém, entendo que o formato em que o romance era publicado não permitia algo gigantesco, então o livro não perde pontos por conta disso.

Quando o mistério foi resolvido na metade e começaram a contar a história que levou a tudo aquilo, admito que me desanimei um pouco. Li praticamente o livro todo de uma vez e realmente não estava no clima de ler algo que aconteceu no passado com nomes novos, um ambiente diferente, etc.

Mas preciso dizer que o motivo de O Vale do Medo virar o meu preferido é justamente a história e principalmente o final. Todo o ambiente é construído de um jeito que você cai na conversa do personagem principal assim como todos os outros. Sabemos desde o inicio que algo aconteceu entre a vítima e o assassino, mas não fazemos nem ideia do que era até as últimas 10 páginas.

Era bem agoniante ver todas aquelas pessoas morrendo por nada. E foi bem doloroso ver o editor do jornal, um senhor de idade, apanhando de várias pessoas até quase morrer. Foi um livro bem macabro e, por isso, meu preferido.

um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: