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Entrevista com Alberto Hupsel

Segunda-feira saiu a resenha de um dos meus livros preferidos do ano, Apaguem Ela Agora. O livro é completamente diferente de tudo que eu esperava e é simplesmente maravilhoso. Mas hoje, faremos algo novo aqui no blog, algo que esperamos que aconteça muitas outras vezes.

Fizemos uma entrevista com o autor do livro: Alberto Hupsel. Ele foi muito querido e, como alguém que leu seu livro, gostei muito das respostas dele.

Primeiramente, queríamos que nos falasse seu nome, todos os seus trabalhos publicados e dê uma breve biografia para sabermos mais de você.

Olá pessoal do Meow Books! Então, o meu nome é Alberto Hupsel e sou o autor de “Apaguem Ela Agora”. Antes de escrevê-lo eu publiquei uma outra obra, chamada de “Os Últimos Dias de Aluben”. Essa minha primeira obra é bem mais séria do que a aventura da Anna. É uma história de aventura em um mundo destruído, bem apocalíptico mesmo. Como foi a minha primeira obra, tem várias coisas que eu acho que mudaria hoje em dia, pois não ficaram muito boas. Algumas descrições muito longas, muitos flashbacks e por aí vai. Já deu para ver que pelo menos sou um autor honesto se nas primeiras linhas da entrevista estou falando mal de um livro meu, né? Apaguem Ela Agora, no entanto, é perfeito, lindo, engraçado, zero erros, comprem sem erro!Quase esqueci de responder o final da pergunta! Sou advogado e tenho 35 anos. Sempre gostei de escrever e comecei essa prática na escola, quando me reunia com os amigos em sala de aula (correção: durante a aula. Não façam isso, crianças, prestem atenção no professor) e então elaborava e escrevia histórias onde nós éramos os protagonistas.

Qual gênero você prefere escrever? Ele condiz com o gênero que você mais lê também?

Sem dúvida alguma o gênero que eu mais gosto é fantasia com pitadas de comédia, que é exatamente o foco de “Apaguem Ela Agora”. Eu também gosto de pura aventura/fantasia e, quem sabe, não escrevo um livro ao estilo de Senhor dos Anéis ou Harry Potter no futuro. O legal é que esse gênero que escolhi é exatamente o que eu fazia na escola quando tinha uns dezessete anos, embora atualmente seja bem mais refinado, claro.Quanto ao gênero que eu mais leio, não, não costume ler nada que tenha muita comédia envolvida por razões simples. Primeiro, é extremamente difícil encontrar um livro de fantasia onde o humor esteja em primeiro ou segundo plano. Além disso, livros de comédia tendem a ser bem mais ou menos. Não falo isso para dizer que meu livro é ultra engraçado, mesmo porque duvido que todas as piadas sejam boas ou até façam sentido, mas algumas vezes vou a livraria, pego um livro de humor e é algo tão Zorra Total que eu viro de costas e vou embora. Atualmente, então, o gênero que mais leio é fantasia na versão mais “pura”. Quero finalmente ler Trono de Vidro durante essa quarentena.

Há algum autor que te inspire? Nos conte qual é!

A resposta clichê é Tolkien e a JK Rowling. O Tolkien mais por ser o pai da literatura fantástica e a JK Rowling pela história de vida dele, por ter começado a trajetória de vida dela escrevendo Harry Potter quando era uma garçonete e então criando um fenômeno mundial. A resposta não clichê é Dan Salvato. 99% das pessoas não devem conhecer esse nome, e é porque ele não é um autor, mas um desenvolvedor de games. O Dan Salvato foi o programador de um jogo chamado Doki Doki Literature Club que, aliás, pode ser jogado de graça na Steam.

Doki Doki Literature Club (DDLC) é uma história que inspirou “Apaguem Ela Agora”. Eu dei uma entrevista uma vez e acabei soltando spoilers do DDLC, agora vou ficar quieto para não revelar o twist da trama. Vou só dizer que DDLC seria um “Apaguem Ela Agora” bem dark, onde há também essa luta do mundo real, do mundo imaginário e de seus personagens. Outra coisa que me inspirou muito foi quando o Dan Salvato disse que DDLC só poderia existir como um jogo de computador. No game, o jogador pode até alterar a história abrindo arquivos do jogo e eliminando algumas pastas. Ou seja, você realmente só pode fazer isso em uma história contada pelo formado videogame, seria impossível em um livro ou filme. Quando escrevi “Apaguem Ela Agora”, eu quis elementos de história que fossem só possíveis ou fizessem mais sentido em um livro. Por isso há algumas palavras que não aparecem escritas, ou a Anna decidindo alterar ou omitir detalhes de descrição por vontade própria e apresentar só a versão dela para o leitor.

Dentre os livros que escreveu, você tem um preferido? Qual?

Ah sim, com certeza o livro que mais gostei foi “Apaguem Ela Agora”. Digo, não tenho muitas opções haha. Sou um autor bem iniciante, fora essa obra eu só escrevi mesmo “Os Últimos Dias de Aluben”, que eu julgaria como bem medíocre. Mas, sinceramente, essa primeira obra foi fundamental para que eu tirasse lições importantes para escrever as aventuras da Anna, entre elas tentar escrever um livro menor (Os Últimos Dias de Aluben acabou com umas 300 páginas no documento de Word, Apaguem Ela Agora teve 110), descrições mais diretas e uma história mais contida.

Você tem alguma mania de escrita? Conte-nos qual(is).

Acho que a minha maior mania de escrita é o processo como eu escrevo. Geralmente coloco em um documento de word a ideia principal da história. Depois disso, enumero todos os capítulos e faço resumos deles, coloco os personagens que aparecem, o que acontece, cenas legais, piadas boas. Isso, claro, leva alguns meses, pois apago e reescrevo várias coisas. Depois de tudo pronto, começo a escrever cada um dos capítulos. Eu diria que um capítulo leva em média uma semana para ficar pronto. A maior mania nem seria uma mania, mas uma rotina que eu meio que me acostumei. 1 – Começo a escrever um capítulo 2 – Começo a revisá-lo na metade, começando do início do capítulo. Acabo reescrevendo algumas coisas. 3 – Termino o capítulo. 4 – Reviso todo o capítulo e altero várias coisas do início ao fim. Pronto! Acho que bati o recorde de uso da palavra “capítulo” em um parágrafo.

Como você descobriu essa paixão por escrever? Você vive só de escrita?

Como disse anteriormente, comecei a escrever com uns dezessete anos, durante aulas extremamente chatas no colégio. Eu usava meus amigos de classe como protagonistas e colocava a gente em situações loucas, fosse na era medieval, ou com ninjas e samurais e por aí vai. A minha maior história nessa época tinha umas vinte páginas e eu fiquei super orgulhoso de ter escrito tanto. Mostrei para alguns amigos na época (tenho contato com eles até hoje) e eles gostaram muito. Na época da faculdade eu não escrevi muito, fiquei uns cinco anos sem planejar nada e me formei em Direito. Depois disso é que retomei a vontade de escrever e criar coisas novas.Infelizmente, não vivo da escrita. Eu comecei a publicar livros bem recentemente, então não tenho lucro quase algum. No Brasil, imagino até que autores bem mais renomados e conhecidos do que eu não consigam viver só da escrita. É a nossa realidade. Se nem médicos ou professores conseguem reconhecimento, imagine então escritores. Não há apoio do governo ou de editoras, que quase sempre optam pela jogada mais segura e trazem para cá autores internacionais que fizeram sucesso lá fora. O que eu quero dizer é que para viver da escrita aqui você precisa ter muita, muita sorte, muito, muito talento e muita, muita, muita sorte de novo. E sorte.

Nos conte 3 curiosidades sobre você que os leitores possam se interessar.

Três curiosidades, hmmm. Pensando. Okay, a primeira é que eu adoro videogame. Sempre foram uma forma de inspiração muito grande para as minhas histórias e tem até uma referência ou outra a alguns títulos em “Apaguem Ela Agora”. Meus jogos favoritos atualmente são Dota 2, Rainbow Six Siege, Halo e comecei Ori and the Will of the Wisps, que é fantástico.

Segunda curiosidade, eu adoro artes em 2D ou 3D. Tenho várias imagens da Anna feitas por artistas do mundo todo e gosto muito de comparar o estilo de cada artista. Eu gostaria de ter aprendido a desenhar no passado, ou mesmo hoje em dia, mas não sei se tenho talento. Além disso, terminar uma arte em 2D pode levar umas 20-30 horas e prefiro usar esse tempo nos livros.

Terceira curiosidade, o design da Anna levou algumas semanas até ficar pronto. Eu sabia que queria uma protagonista feminina e jovem, mas o design em si levou bastante tempo. A trança foi um elemento que acabou sendo essencial. Eu queria manter um espírito de vaidade, e isso se mostra mais no cuidado que ela tem com a trancinha. Também queria que ela tivesse algumas coisas únicas no design. No meu ponto de visto, muitos personagens de ficção são únicos e lembrados por causa de alguns detalhes bem peculiares. Todos nós sabemos que o Chapolim tem a roupa vermelha com o coração e sabemos que o Salsicha do Scooby-Doo só usa a camisa verde. A Anna, então, acabou com a trança e também com a franjinha branca, que foi adicionada até durante a história pelo personagem do Rei. Ah, mais uma curiosidade é que o rosto da Anna na capa do livro foi inspirado pela modelo Elsa Hosk.

E, para finalizar, deixe um recado para seus leitores.

Sim! Minha mensagem é simples, comprem “Apaguem Ela Agora” ou vou atrás de vocês! Brincadeira (sério). Agradeço a todos pela entrevista e pelo carinho. Quero também avisar que já comecei a trabalhar na sequência e a Anna deve voltar em 2021, em um cenário bem diferente da Aeris que ela tanto ama.


Como no outro post, vou deixar aqui as imagens lindas que eles nos mandou. O Alberto também nos enviou uma amostra de Anna no próximo livro e me deixou com ainda mais vontade de ler!

3 comentários

  1. Muito obrigado pela chance de conceder uma entrevista! Gostei das perguntas e as respostas me fizeram pensar um bocado!

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