Resenhas

RESENHA: Lady Killers, de Tori Tolfer.

Saiba minha opinião sobre Lady Killers.

Livro: Lady Killers.

Autora: Tori Tolfer.

Páginas: 384.

Editora: Darkside.

Lido em: 6 dias.

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Sinopse:

Quando pensamos em assassinos em série, pensamos em homens. Mais precisamente, em homens matando mulheres inocentes, vítimas de um apetite atroz por sangue e uma vontade irrefreável de carnificina. As mulheres podem ser tão letais quanto os homens e deixar um rastro de corpos por onde passam ― então o que acontece quando as pessoas são confrontadas com uma assassina em série? Quando as ideias de “sexo frágil” se quebram e fitamos os desconcertantes olhos de uma mulher com sangue seco sob as unhas? Prepare-se para realizar mais uma investigação criminal ao lado da DarkSide® Books e sua divisão Crime Scene®.

Antes de qualquer outra coisa, adianto que esse livro não é meu estilo de leitura. Acredito que eu nunca tenha lido algo como Lady Killers. E foi uma excelente primeira experiência.

A autora fala de diversas Seriais Killers de forma separada e todas em forma de uma história linear, desde o princípio de suas vidas, o início dos crimes, as consumações e o desfecho delas. É realmente como se fosse uma história, com um toque um pouco mais drástico, porém, considerando que são fatos relatados, não ficção. Pensar que esses casos realmente ocorreram perturbam, e essa pode não ser a obra ideal para pessoas sensíveis.

Eu sou um pouco e em vários momentos fiquei levemente enjoada, imaginando as situações.

Mas esse livro é tão necessário… Logo no início a autora já deixa claro o que quer apresentar com esse livro: Por que uma mulher como assassina nunca é levada a sério? Por que as pessoas sempre querem conectar a crueldade das mulheres com sexualidade ou comédia? Se somos iguais, por quê só homens podem ser psicopatas?

A forma como tratam a homicida mulher é realmente muito diferente do homem, e essa é uma perspectiva que, culturalmente, a gente acaba nem percebendo, por já estarmos acostumados.

De fato é um livro que te faz refletir ainda mais sobre a imagem da mulher na sociedade. Está aí pra tocar na ferida, incomodar, e consegue.

Com os casos, nós viajamos entre os mais variados tipos de narrativa. Usando os dois primeiros como exemplo: temos Elizabeth Báthory e Nanie Doss. Uma da Idade Moderna, quando não tinha a globalização e esse tipo de ocorrido se propagava mais como lenda do que como fatos. E outra em que a mídia acompanhou cada passo desde a descoberta do crime, com filmagens, fotos e tudo mais que se pode imaginar.

Confesso que os mais antigos me atraíam um pouco mais, justamente por esse lado sombrio de não ter como sabermos de tudo, eram os que mais me intrigavam.

Além disso, essas figuras mais antigas viviam em épocas nas quais as mulheres tinham limitações inenarráveis na sociedade, e ainda assim elas fizeram barbaridades. É curioso pensar nisso. Especialmente se conectarmos com o lado da influência, a maioria (não todas, ressalto) eram nobres, influentes em sua época. A riqueza que dava essa liberdade a elas, será? Ou será que por elas serem reconhecidas que ficamos sabendo, agora, tantos séculos depois de suas barbáries? Teriam assassinas pobres na época delas que, porém, não são reconhecidos porque o legal é glamourizar as nobres e ricas que tinham tudo e mesmo assim cometiam atrocidades?

São muitos e muitos questionamentos que a obra traz. E eu, amando criminologia, psicologia, e tudo relacionado ao meio, simplesmente me deleitei com cada um.

Todas as mulheres apresentadas têm personalidades intragáveis e ao mesmo tempo muito diferentes. Algumas se faziam de simpáticas, outras eram frias e calculistas logo em aparência… É interessante perceber que não há um padrão nisso, são várias mulheres que encontraram o prazer matando, sabe-se lá porquê. O ser humano é falho mesmo e alguns vem com esse problema inexplicável, isso sem olhar gênero.

Já que falamos de personalidade, outro tópico é a crueldade dos crimes. A mídia costuma mostrar as mulheres como assassinas mais veladas e cuidadosas, sendo que esse livro vem refutar isso. A título de exemplo Lizzie Halliday foi uma das figuras que mais me intrigou no livro. Ela matava brutalmente e chegou a assassinar duas pessoas que sequer conhecia.

Outro motivo muito usado para justificar crimes femininos é a paixão, o crime passional, sendo que falando verdade, não tem uma mulher sequer citada nesse livro, que tenha matado por esse motivo em específico, o que mostra um lado obscuro da sociedade: o crime passional (mais popularmente conhecido como FEMINICÍDIO) é predominantemente masculino.

São muitos os pontos levantados nesse livro, de verdade. Não conseguiria nem pontuar todos.

Outra história que me tocou bastante foi da Tillie Klimek, em que os noticiários da época deixaram claro o motivo dela ser condenada: ela era “feia”. Numa época em que Chicago não admitia pessoas feias. Ponto.

Não que ela devesse ser absolvida, obviamente que não. Cometeu crime, tem que pagar. Mas por que as outras foram absolvidas injustamente? Pra vocês verem como a mulher padrão sempre leva a melhor na sociedade, seja no ângulo que for. Seja da culpabilidade que for. E, para falar verdade, isso é até com homem. Afinal, vários serial killers chocam por suas belezas (a título de exemplo, Ted Bundy), porque aparentemente pessoas padrão não podem ter desvios comportamentais. Não entendo o sentido desse raciocínio, talvez as pessoas pensem igual na questão da nobreza. Se a pessoa é bonita, já é privilegiada e não devia matar, mas quem dera se o ser humano fosse previsível assim.

As conclusões da autora, no final do livro, são realmente bastante tocantes e nos mostra a intenção dela por trás da criação desse livro. Nada de glamourização, ela quis mostrar a realidade: Seriais Killers mulheres são, muitas vezes, ignoradas, voltando para aquele tópico que citei logo no início da resenha.

Enfim, é um livro excelente, carrega uma escrita simplificada e fácil de se ler. Eu adorei entrar em contato com esse material, foi bem enriquecedor, interessante e deleitável. Não esperava que fosse conseguir ler com tanta facilidade.

Agora, acredito que seja óbvio só pela capa, mas eu estendo isso: essa edição é primorosa. O livro mais lindo que já vi na vida, sendo ainda mais bonito por dentro, com desenhos, trechos grifados e ressaltados. Confesso que esses últimos me confundiam por serem repetições de partes já lidas, porém, ainda assim tornam a obra é belíssima.

É caro, mas vale muito a pena. Vale cada centavo gasto, garanto com todas as letras.

No entanto, claro, friso que não é um livro para todos, possuindo descrições mórbidas. É mais para os que se interessam pelo ramo e não veem problemas nesses detalhes sórdidos.

[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

 

2 comentários

  1. Eu sempre fui mais de assistir coisas com esse tema. Desde vídeos no YouTube até documentários, ler era uma experiência que eu temia um pouco, mas a autora leva tudo tão bem que foi uma primeira vez muito boa. Já quero conhecer mais leituras assim, inclusive!
    A edição é perfeita, sério 😂 vontade de fazer um mural pra ficar admirando ❤️

    Curtido por 1 pessoa

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