Vida de escritora

Diário de uma Escritora [14]: Por que o autor independente precisa se humilhar pra ter reconhecimento?

Outro desabafo sobre a hipocrisia de alguns leitores brasileiros.

Antes de começar a falar qualquer coisa, preciso adiantar: Estou muito brava e, como alguns outros posts, pode ter muita emoção nas próximas palavras que vocês lerão. Costumo ser ácida em diversos posts, mais por encarnar uma personagem, não obstante, agora é real mesmo.

Já falei mil vezes o quanto ser escritora é difícil, tem vários relatos que são apenas sobre isso, vocês me viram animada, triste, no fundo do poço, mas eu nunca desisti, porque a escrita é o que eu amo mais que tudo nessa vida. O que Deus me deu de presente pra seguir vivendo e aliviando minhas dores. Mas tem horas que eu também odeio escrever. Odeio ser escritora. Odeio demais, porque machuca. E falando isso eu choro, porque realmente não estou passando por uma fase boa no quesito escrita, mas enfim… Vamos para o fato principal que é onde eu quero deixar a moral desse post.

Quase todo autor tem parcerias no Insta, certo? Acredito que vários bookstagramers que chegarem a ler isso aqui, irão reconhecer o fato. Eu não sou diferente. Tenho vários parceiros, uns que amo, inclusive. Jéssica, Emily, Marcelli, Lidiane, Rita, Marília, Mirelle, Kaly, Lili… São várias pessoas incríveis. Mais presentes que Deus me deu. Mas ao mesmo tempo que tem esse lado bom, os ruins eu nem poderia contar em sua integralidade.

De pessoas que na hora de receberem a parte boa sempre estão lá, mas te ajudar na divulgação jamais… Rá! O que mais tem.

Mas hoje em específico, vim falar sobre gente que acha que o autor tem a obrigação de dar livro de graça. Eu venho encarando isso desde que o Inalcançável nem mesmo tinha sido impresso e me incomodava (eu paguei muito caro pra ter esse livro físico sendo comercializado, financeiramente e emocionalmente também), mas não absorvia o sentimento, apenas falava que não podia doar e fim da história.

Aliás, eu cheguei a dar o livro para algumas pessoas. Dei para duas professoras minhas, para amigas, pra minha vizinha que me convidou pra um evento literário da região… Enfim, não sou tão ruim assim, mas foram pessoas que realmente me auxiliaram e deram apoio de alguma forma (as professoras só elogiaram e falaram que gostavam do gênero, não entendam errado). Não sou idiota também.

Ontem uma menina veio falar comigo no direct do Insta. Eu não estava à procura de parceiros, mas achei a abordagem dela interessante e o feed bonito, como tinha cortado algumas parcerias recentemente (que nem sequer respondiam e-mails ou divulgavam coisas básicas), decidi dar uma chance a ela.

Pois bem, como eu disse, quem veio começar a conversa, foi ela! Eu só concordei em “ouvi-la”. Ela me veio com um papo de que seria a melhor parceria que eu poderia ter e me mandou uma imagem com todos os requisitos de parceria com ela, já fiquei meio assim… Porque, na minha concepção, se ela está pedindo a parceria, era eu quem devia passar os requisitos, não? Mas enfim… Li por cima, pois estava sem tempo e concordei com ela, falando que enviaria o e-book por e-mail (uma coisa que eu sei, é que nos requisitos que ela enviou não tinha NADA sobre exigências de físico ou qualquer coisa do tipo)

Foi então que a madame me veio com um “Ah sim… Estou com parcerias fechadas para e-books no momento, mas quando voltar a abrir falo com você”

Eu não sei nem o que falar sobre isso sem soar prepotente. Ela falou como se eu fosse uma desesperada, mendiga, precisando me humilhar para a princesa de 3000 seguidores me divulgar porque oh, como sou desprovida de reconhecimento! E como ela é uma grande influencer literária, oh, meu Deus, claro que quero seu auxílio indispensável!!

Senti-me assim, ao menos.

Ela realmente queria que eu desse livro de graça a rodo? Não vai estar rolando, amigos.

Quando uma pessoa mais próxima veio pedir livro pra mim eu falei que não tinha como dar e expliquei que não achava isso legal (ficar pedindo), aí ela me disse que não tinha dinheiro, mas assim… Essa mesma pessoa sempre está com carteira aberta para comprar o próximo lançamento da Carina Rissi.

O problema é gastar dinheiro com quem você acha que vai ser ruim, né?

A Lidi, minha parceira maravilhosa, recebeu o e-book do Evidências gratuitamente no e-mail dela e mesmo assim comprou no dia do lançamento! Isso é ter empatia, saber que auxílio é extremamente necessário para os autores, especialmente quando se trata dos independentes.

Nós não temos apoio! Mal temos público. Esse suporte, mesmo que seja só pra subir num ranking, já é imensurável. E não estou falando somente por mim, mas por toda a classe.

Minha família inteira comprou, minhas melhores amigas, citadas na dedicatória (!), compraram! Porque sabem que não é fácil. Minhas leitoras mais íntimas também compraram! Você, leitor, pergunte-se a si mesmo porque é tão mais pesado gastar dinheiro quando falamos de autores independentes.

De verdade mesmo. Eu já tive algumas decepções de compras nesse quesito, mas só ao saber que ajudei a pessoa que lutou tanto quanto eu, já me deixa feliz, o livro pode ser uma porcaria, desde que a pessoa evolua com a prática ou encante uma alma sequer, está tudo bem. Sei que fiz minha parte contribuindo com números (de vendas, financeiro… Não importa)

Eu vivo de altos e baixos quando se trata de escrita, e nesse momento, isso só serviu pra me deixar ainda mais lá embaixo. Estou sofrendo com bloqueio criativo desde o fim do ano passado. Escrevi um capítulo em fevereiro e foi uma festa, porque estava muito difícil, de verdade. Já estou no terceiro ano de Direito e me obrigando a encontrar um estágio, que vai ser importante para o meu crescimento como profissional. Essa tensão me limita bastante na inspiração.

Mais uma pessoa achando que eu sou desesperada, achando que eu preciso me humilhar pra conseguir reconhecimento, não é o que eu precisava, definitivamente.

Estou tão, mas tão triste… Meu Deus. Nem pra pessoa realmente ter alguma relevância pra se achar tão influente assim, sabe? Ela me repeliu como se fosse nada, com 3000 seguidores!!!!!! Honestamente… Espero que essa pessoa nunca consiga influência de verdade, sabe-se lá Deus o que uma crápula dessas faria com poder.

Enfim, esse post foi feito para falar que: Autor não é Estado, pra ter que doar alguma coisa. Por que esse pessoal não enche o saco dos autores famosos pra ganhar livro de graça? Por que é só a gente que tem se lascar e sair distribuindo livro, privando-nos de um lucro que pode nos ajudar a prosseguir as carreiras?

A classe leitora do Brasil, em sua maioria, é muito hipócrita. Eu também já fui e certamente ainda sou em alguns momentos, não pensem que estou me isentando. Mas garanto com todo o meu orgulho que jamais mendiguei livro pra ninguém, muito menos fiquei fazendo a pessoa se sentir menosprezada no fim das contas, só porque não quis fazê-lo.

Postei um pequeno texto no meu Insta pessoal e repito a frase final aqui: Empatia é a palavra.

Conheça meus trabalhos:

Inalcançável (Trilogia Sálvame #1)E-book | Físico

Evidências de Uma Memória (Trilogia Sálvame #2)E-book | Físico

Esperança Doce (Trilogia Sálvame #2.5)E-book

4 comentários

  1. Eu nunca me senti tão representada em um post! Concordo contigo em cada detalhe, Thay. Nós, autores, não podemos deixar que ditem como devemos ser. Nosso trabalho de meses parece uma simples escolha entre sim e não para parceria. Poxa! Tenta entender que não é fácil e o suporte é a coisa que mais precisamos. A gente já sabe que vai ter que lutar em dobro para ser aceita por uma editora boa, em triplo para conseguir vender um número ok de livros e em quinto para pegar tudo o que aprendeu e superar seu último livro. Porque se a gente não melhorar, os leitores não ficam.

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  2. Uau, que relato forte. E digo isso como leitora. Como uma leitora que criou um blog simplesmente pela vontade de ter onde falar sobre o que lia e qur acabou encontrando muito mais: encontrou autores maravilhosos e histórias únicas. Umas das minhas primeiras parcerias em ebook eu sequer tinha um Kindle. Mas eu não via problema, o importante era ler e li pelo celular mesmo. Não diminuiu em nada o valor da obra. Me dói ver gente querendo fechar parceria só para ter mais um livro na estante e poder tirar foto de uma estante lotada. Me dá vontade de pedir desculpas por essas pessoas. Não sei se já sigo seu Instagram, se puder me passar, agradeço. Ficarei feliz em acompanhar mais de seu trabalho

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  3. Também conheci autoras maravilhosas com o blog, adoro Nahra Mestre, Amanda Bonatti… autoras talentosas e muito simpáticas, adoro saber que estou ajudando o trabalho delas a ser reconhecido, mas tem algumas pessoas que só pensam em si, nos benefícios que ela mesma vai receber.
    Sim!! Eu vejo muito essa ânsia com parcerias principalmente quando se trata de editoras, uma galera aí fecha parceria com 10 editoras de uma vez e no fim não consegue divulgar bem nenhuma delas, justamente por serem muitas. Acho que o sentido do blog literário ou bookstagram é desvirtuado por muitas pessoas que só pensam em ambição e esquecem o principal, que é instigar a leitura e a literatura, infelizmente.
    E imagina! Você faz a sua parte, isso que importa, se todos fossem como você, nós, autores, seríamos muito gratos, de verdade. E agradeço por se interessar! Meu ig é @thaizavadzki, se quiser puxar assunto comigo sempre sou aberta a conhecer novas pessoas 🥰❤️

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  4. Muito obrigada, Anna! Várias pessoas vieram tentar me tratar como mendiga só porque sou autora independente, mas tem hora que cansa ser pisada, né? A gente precisa soltar uns desabafos. A carreira de uma escritora no Brasil já é muito difícil. Muito mesmo, ver tantos leitores que só pensam no benefício deles, é realmente desanimador. Já chorei por causa de “parceira” que me tratou mal, mas já chega disso, a gente tem que ter noção do que merecemos ou não, e eu sei que não mereço isso, não vou me calar porque algumas pessoas podem levar a mal esse relato, o que mais vejo é gente falando “ah, que pra uma pessoa que lida com blog, escrita, vc devia responder menos, às vezes o silêncio é o melhor caminho”, mas ficar quieta diante desse tipo de situação me destrói por dentro. Acabo optando pela minha sanidade mental, o desabafo é extremamente importante pra gente não ficar guardando isso apenas no nosso interior.

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