Resenhas

RESENHA: O Lado Bom de ser Traída (Mosaico #1), de Sue Hecker.

Saiba minha opinião sobre O Lado Bom de ser Traída.

Livro: O Lado Bom de Ser Traída (Mosaico #1)

Autora: Sue Hecker.

Páginas: pesarosas 400.

Editora: HarperCollins.

Abandonado na página 115.

Skoob | Garanta seu Exemplar (se você for masoquista)


Sinopse:

Da autora com mais de 16 milhões de leituras na internet e imensamente prestigiada por suas leitoras, O lado bom de ser traída é o primeiro título de Sue Hecker lançado pela HarperCollins Brasil. Bárbara é bonita, jovem, profissionalmente bem-sucedida e apaixonada por Caio, seu noivo. A vida de Bárbara é completa e plena, mas tudo muda no dia em que vê uma foto de Caio ao lado de uma mulher que também se intitula sua noiva. Em um piscar de olhos, o mundo de Bárbara desmorona. Decidida a não se entregar à derrota, ela resolve dar a volta por cima. Renova o visual e começa a adotar posturas mais positivas para afastar de vez a depressão. Durante esse processo, o destino coloca em seu caminho Marco, um juiz extremamente sexy. Basta um olhar para ambos serem tomados por uma tensão sexual alucinante. Resta saber se, de fato, Bárbara mudou o suficiente para se entregar sem amarras. E, ao descobrir que sim, percebe o quanto é capaz de aproveitar O lado bom de ser traída.

Antes de começar a falar do livro em si, preciso adiantar para vocês que eu comecei a escrever essa resenha quando estava apenas na página 15 do livro. Sim, isso mesmo, 15 de 400.

Só com o início eu já tinha coisa para falar, e pode ser que o tom ou a opinião mudem com o decorrer da resenha, eu espero por isso, inclusive (não aconteceu, eu o abandonei). Mas o que eu tenho a dizer com esse princípio, esse primeiro contato é: amadorismo e presunção.

Colocar primeira pessoa para qualquer personagem que aparecer é um recurso tão, mas tão pífio. Além de ser cansativo! Amada, se você quer mostrar diversos pontos de vistas, dica: Terceira pessoa! Honra a classe, você é brasileira e está sendo publicada por uma grande editora (Só Deus sabe como)! Agora, ficar nesse ioiô de cada cinco parágrafos passar a narrativa para um novo personagem… Ah, para!

Isso empobrece tanto a obra, que eu não sei nem como criticar à altura. Ficou muito ruim, seu cérebro não consegue se adaptar direito às mudanças, de tão recorrentes que são! E você cansa rápido, justamente por isso. Eu me confundi entre personagens várias vezes durante a leitura. E tive que fazer várias pausas.

Quanto à presunção que eu tinha falado, é bem simples, a autora claramente acha que está escrevendo um grande livro, inovador, diferente. Dá pra sentir a empolgação dela, mas coitada. Não só é um livro qualquer, como é bem amador, péssimo, maçante, impossível de terminar.

Ah, e é inteiramente apelativo. Logo nas primeiras páginas, o mocinho, pra mostrar como é um machão hétero top de respeito (rs), mostra pra gente que uma das moças que trabalha com ele faz até sexo anal! Aí tem uma cena tremendamente gratuita deles se pegando e ele enfiando os dedos nesse lugar que vocês estão imaginando mesmo.

Mas qual o problema? Bem, o problema é quando essa cena se mostra gratuita, sem grandes motivos para existir. A gente já tinha entendido que o Marco era hétero top, que todas as mulheres (idiotas) eram loucas por ele, não precisa forçar pra esse lado, sabe? Eu fiquei realmente enojada, você já começa o livro desconfortável e, qualquer mulher minimamente dona de si, já vê que ele é um lixo de homem.

Vê uma mulher gostosa e já fica com a palhaçada de “ela é minha, ninguém pode olhar ela e blá-blá-blá”. Depois mulheres que são loucas ciumentas. O cara é emocionadíssimo, qualquer coisinha idiota já está surtando. Não só emocionado, ele também é abusivo e a autora o vende como romântico! É nojento demais, meu Deus! E se fosse só esse tópico que se peca em construção de personagem…

Marco obriga a ex-mulher a seguir grávida de uma bebê anencéfala, falando que vai mandar prendê-la sendo que, amigo! Esse é um dos casos legalizados. Ele como juiz (ironicamente desocupado, aliás) tem obrigação de saber disso.

A autora não tem a mínima noção de Direito e do meio jurídico, isso eu percebi com muita clareza, ela nem tentou pesquisar e se aprofundar, o que é (novamente) irônico, já que ambos personagens são do meio.

O relacionamento retratado como um todo é muito mal estruturado, transaram uma vez e já é amor infinito de não poder mais viver um sem o outro. Assim, se fosse um livro de época, isso até faria algum sentido, porque antigamente era tudo muito mais intenso graças às amarras sociais, mas em um enredo contemporâneo? Absolutamente sem sentido. Não me convenceu nem um pouco.

Tem autoras que tem aquele talento de transformar uma relação de dias em algo que realmente parecia predestinado, algo natural, Sue Hecker não é uma delas.

É tudo tão corrido e jogado, que você mal consegue acompanhar, quem dirá compreender e se convencer.

Julgando pela sinopse, eu achei que seria um drama bem desenvolvido: Bárbara descobriria a traição, passaria um tempo se amargurando, conheceria o mocinho e começaria a se sentir insegura, temerosa. Mas não é isso, não, pessoal. Ela supera a traição em 2 páginas e se apaixona loucamente em 10. Ruim demais.

Alguns vícios narrativos também me incomodaram, como o excesso de exclamações (ninguém fala tanto de forma exclamativa, pelo amor de Santo Dumbledore!), excesso de palavras em letras maiúsculas (o tanto de MINHA ou MEU que eu li nesse livro… ninguém merece).

E umas tentativas de fazer humor que olha… “Sr. Anaconda” (relacionado ao pênis dele, sim), “Nossa Senhora da bicicletinha (deixo meu mais sincero ? para isso) “Santa Maria da perna torta”. Assim gente… Não dá mesmo. Se forçar mais, caga.

A vilã é a coisa mais caricata estirpe novela mexicana que você possa imaginar. Ele é má… Porque sim. Porque é egoísta e patricinha. E quer fazer o mal. Fim.

Aliás, todas as mulheres são colocadas dessa forma, todas são demonizadas, porque elas querem o Marco a qualquer custo, passando por cima da Bárbara ou de quem mais venha a aparecer, aquela coisa completamente machista e retardada de mulher agindo como se homem fosse tudo na vida dela que vocês já conhecem e que já está extremamente passado.

Foi esse o motivo que me fez largar o livro. Eu não estava aguentando, era insuportável, mas daí chegou num ponto em que a enfermeira da filha do Marco começa com esse surto de “Ele é MEU, vou fazer de tudo pra ter ele” e acabou pra mim, eu não podia continuar me torturando. Isso não é saudável, senti que alguns neurônios MEUS se suicidaram nas 115 páginas que eu, infelizmente, li.

Personagens secundários? Será que teve algum mesmo ou foi delírio meu?

Vi muita gente elogiando a relação de pai e filha, mas até isso ficou forçado pra mim, porque parece que a menina era só mais uma das obsessões do Marco, que se obcecava por qualquer mulher que visse pela frente.

Além dessas coisas citadas, Sue Hecker deixou algumas de suas opiniões implícitas, discordamos, e logicamente isso se mostrou um ponto particularmente negativo na obra, já que para mim, não bastasse ela ter uma opinião arcaica, demonstrou isso da pior forma possível.

A sinopse nos engana, nos faz crer que é algo bem desenvolvido e com teor feminista sendo que… Risos, nunca tive uma leitura tão misógina. A capa nos engana, parecendo apresentar um livro sério. A editora nos engana pelos tópicos anteriores e por todo o resto. O produto como um todo é enganoso e devia caber algum recurso no PROCON aí, porque olha… Eu realmente queria meu dinheiro de volta, mas não pra eles voltarem a vender isso, pra que tocassem fogo!

Fácil fácil esse livro entra nas piores leituras do ano. E adianto isso tendo lido ele em fevereiro! Se duvidar consegue uma vaga nas piores leituras da vida também. Péssimo, gente do céu. Eu acho que essa resenha não consegue transpassar o quão ruim é. Já li fanfics melhores e isso nem é uma hipérbole! As fanfics de RBD da Duda Nordinee dão uma aula para isso aqui, tem nem comparação. E ela nunca foi publicada pela HarperCollins! Um ultraje.

Depois de quase dois anos que não uso essa imagem, infelizmente vou precisar repeti-la.

1 estrela

Às vezes fazer aquelas compras aleatórias na liquidação da Americanas dá certo, mas dessa vez eu errei feio, preferia ter privado meu intelecto dessa experiência.

[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

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