Resenhas

RESENHA: O Homem de Giz, de C. J. Tudor.

Saiba minha opinião sobre o suspense O Homem de Giz, de C. J. Tudor.

Livro: O Homem de Giz.

Autora: C. J. Tudor.

Páginas: 272.

Editora: Intrínseca.

Lido em: 2 dias.

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Sinopse:

Assassinato e sinais misteriosos em uma trama para fãs de Stranger Things e Stephen King.

Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes.
Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás.
Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.

O Homem de Giz me rendia grandes expectativas e eu falei disso até mesmo nas Metas do Mês, de fevereiro. Tinha ouvido boas impressões e, considerando a inspiração em cima de Stephen King, um autor que admiro muito, julgava que ou seria um livro espetacular ou simplesmente medíocre, mas… Bem, a vida não funciona nesse molde 8/80.

Vou começar essa resenha ressaltando os pontos negativos, que realmente me chamaram atenção e até incomodaram em certa altura.

Embora o livro seja vendido como inspirado em Stephen King, eu senti um determinado teor de cópia durante vários momentos e posso provar!

Grupo de vários garotos com apenas uma menina (ruiva, por sinal), personalidades variadas, mistérios com crianças se envolvendo neles, vilão mirim intragável e cruel, estrutura narrativa de divisão entre dois períodos de tempo: It, a Coisa. A autora nem tenta disfarçar.

Briga em velório, sonho aterrorizador com o morto, indícios de que aquilo não foi exatamente um sonho, conversas sobre a morte e o pós-morte: O Cemitério.

Alguns nomes e citações relacionadas ao sobrenatural: O Iluminado.

Dentre os livros que li do Stephen, o único que não achei nem um tipo de plágio, é Carrie, os outros, todos tiveram um ou outro momento que parecia ter sido tirado dos livros dele e colocado ali.

E agora eu ressalto que há uma diferença exorbitante entre cópia e referência ou inspiração. Referência é como eu fiz no meu livro, citando os Bridgertons uma vez apenas para deixar uma singela homenagem. Eloisa James sempre cita uma coisa ou outra do universo de livros da Julia Quinn. Holly Black usou o mundo de Cassandra Clare e comentou por cima alguns acontecimentos das séries da própria. São detalhes que partem de outras obras, mas que não influenciam no enredo nem marcam uma presença tão perceptível assim. Inspiração é como Cassandra Clare fez com Harry Potter, embora tenha similaridades, as obras são muito diferentes entre si, com moral diferente, personagens, ambientações…

Agora em O Homem de Giz

Como eu citei os exemplos mais acima, a autora nem se esforçou para tornar as cenas diferentes, é tudo tão igual que eu me sentia lendo um crossover do Stephen King, não um livro de alguém que se inspirou nele.

Talvez, para quem nunca leu o autor, a experiência pode ser um pouco melhor, já que a pessoa nunca entrou em contato com as cenas “plagiadas”, mas nada me tirou essa impressão, honestamente.

C. J. Tudor podia levar as coisas de uma forma um pouco menos escrachada. Eu acredito que ela tenha escrito esse livro bem na época do lançamento de Stranger Things, pelo o que pude ver na catalogação. O que torna tudo ainda mais previsível, o clima sempre proeminente de nostalgia dos anos 80, veio daí.

Outro ponto negativo que eu notei, é que a autora coloca algumas suposições que nos fazem pensar em determinada hipótese e depois de várias páginas que vai desmentir isso. Um menos grave foi no sumiço do Mickey (sim, tem um personagem chamado Mickey, por incrível que pareça, hahaha), vou reproduzir um diálogo aqui, e, para situar vocês: ele tinha esquecido a carteira na casa do protagonista e narrador, Eddie, e, junto, estava o cartão-chave do hotel, ou seja, ele não teria conseguido entrar no quarto.

“Como que lendo meus pensamentos, Chloe diz:

– Isso quer dizer que ele não voltou para o hotel ontem à noite?

– Não sei. Ele deve ter dormido no carro.”

Várias páginas depois, Eddie, sendo interrogado pela polícia, alega que o amigo voltava para o hotel a pé, já que não era longe de onde morava e que, considerando sua embriaguez, ele chegou até a sugerir chamar um táxi.

Não é algo que atrapalhe o enredo em si, e poderia ser confusão mental do personagem, sim, mas dá uma impressão de relaxo e furo, inegavelmente. Parece que a autora acabou se perdendo nos acontecimentos que estava apresentando.

E se fosse um trecho único, ok. Porém, há outro em que a escritora joga no ar que determinado personagem poderia ter matado o cachorro de Hoppo, já que ele está morrendo envenenado bem no tempo em que essa pessoa tinha sumido do local onde todos estavam. Isso é citado bem no fim de um capítulo, era a última frase pra deixar aquele clima de choque mesmo e, tcharam: pouco tempo depois o narrador fala que isso não era possível, porque o envenenamento fora cometido bem antes de encontrarem o bicho semimorto.

Tipo, se não é para ser isso, e se você só vai responder essa interrogação de forma corriqueira sem desenvolver grandes coisas, por que diabos planta essa semente de ira e discórdia em nossas mentes? Por que faz tanto frenesi em cima disso? Parece que Tudor quis brincar com a mente do leitor, só que não é uma brincadeira agradável, ou sequer bem feita.

Enfim, inconsistências… Perdoo um pouco por ser romance de estreia, mas que podia caprichar um pouco mais, podia, sim. Não seria tão difícil evitar errinhos bobos, como esses.

Findando o aspecto negativo da obra, não há como eu negar que me envolvi com ela.

Podia ser um pouco mais original, mas o enredo intriga e te prende, apesar dos pesares, você quer saber como aqueles crimes em específico se resolverão. E eu gosto do estilo Stephen King, embora a “inspiração” seja um tanto exagerada, seria meio que um excesso da minha parte não gostar.

Eu consegui ler bem rápido e isso justamente porque me interessei pelos acontecimentos e porque a escrita é boa. É rápida, não se enrola em adjetivos ou muitas descrições, eu, sinceramente, gosto disso. Minha mente precisa de poucos detalhes para imaginar ambientes e os personagens não têm grande profundidade, o que contribui para a premissa, o suspense, ser o principal. O que não é ruim, se tem uma coisa que a autora fez bem no livro, foi estabelecer esse ar sombrio e misterioso.

Aliás, o livro tem um ritmo muito bom e a escritora conseguiu fazer uma coisa que o próprio King não conseguiu, que foi deixar a parte adulta tão interessante quanto a infantil. Ambas linhas do tempo eram intrigantes, cada uma com um acontecimento diferente e interessante nos mesmos níveis. Aliás, eu acredito que depois da metade, a autora conseguiu se livrar desse estigma de plágio e passou a criar cenas mais originais, finalmente.

O desfecho, eu o achei bom. De verdade.

Vi pessoas reclamando, mas eu achei que tudo se fechou bem, algumas coisas ficaram em aberto, mas afinal, o que é a vida, se não um monte de finais em aberto? Há muitos inocentes presos, sim, da mesma forma que vários culpados que se acham santos isentos de culpabilidade. Eu achei bom como tudo se finalizou, não foi um final perfeito em que a polícia descobriu tudo e viveram todos felizes para sempre, o próprio protagonista quis correr atrás das verdades para se sentir bem consigo mesmo e com o mundo em que vivia.

Para quem gosta de estudar Direito Penal, o fim desse livro é um prato cheio, na grande cena em que tudo se encaixa, eu só conseguia ficar reconhecendo a tipificação de cada ato, hahaha. Teve erro in persona, legítima defesa de terceiro… Pena que, novamente, trocaram roubo com furto. Claramente Roubo 2 X Thai 0 X Furto 0. Fiquei chateadíssima, principalmente por ser um livro policial errando algo assim, mas eu que lute. E os tradutores também, para aprenderem a diferença e pararem de errar.

Gostaria de ressaltar, agora no finzinho da resenha, o capricho dessa edição. Ela é linda demais! Capa dura, com as bordas das páginas pretas e os inícios de capítulos em páginas pretas e letras brancas (era um pouco difícil de ler, mas tudo bem). Não encontrei graves erros de português, pelo contrário, o único que me lembro foi a falta de uma crase, que sinceramente, eu nem considero erro, porque crase é muito difícil, hahaha. Pode parecer só obrigação da editora, mas ultimamente andei entrando em contato com cada revisão falhada… Enfim, achei muito caprichada e vale gastar um pouquinho a mais por isso, viu? O preço com certeza paga bem.

Ah, e vi algumas pessoas reclamando do marketing da editora, que vende o livro como terror. Eu o comprei sabendo que era thriller e creio que fez diferença. Então deixo esse espaço reservado: nada de terror, esperem um thriller psicológico ao começarem a ler.

Com uma narrativa em primeira pessoa bastante ágil e intrigante, esse é um dos únicos livros dos últimos tempos que eu não senti que precisava de mais ou menos páginas, ele está ótimo, extremamente bem desenvolvido da forma que está e eu não tenho como reclamar. É uma obra que trata de coisas mundanas que vão além de um crime: fanatismo religioso, bullying, preconceito… Teve seus defeitos, mas isso não quer dizer que não mereça ser lido. Quero muito ler O que Aconteceu com Anne, da mesma autora, pois sinto que será ainda melhor.

3 estrelas

[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

um comentário

  1. Oi Thai, eu li esse livro O Homem De Giz, e não me atraiu muito, mas a resenha está ótima.
    Li também O Homem de Areia, e ambos não gostei muito. Não faço resenhas, o livro fica marcado, para mim, como gostei e não gostei, a sinopse parecia tudo, mas a história…

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