Resenhas

RESENHA: Extraordinário

Lançado no Brasil originalmente em 2013, Extraordinário é daqueles livros únicos, marcantes, cuja mensagem ressoa com a mesma força não importa quantas vezes você leia. A história de um menino de aparência incomum, mas de coragem e coração enormes: August Pullman, o Auggie, que nasceu com uma severa deformidade facial e agora, aos 10 anos, vai frequentar a escola pela primeira vez. Um grande passo para qualquer criança e maior ainda para o garotinho cujo maior desejo é ser invisível. Mas Auggie, definitivamente, não nasceu para deixar de ser notado. Enquanto tenta vencer seus medos e se integrar em um mundo completamente novo, sua presença desencadeia as mais diferentes reações — algumas boas, outras nem tanto, mas todas profundamente transformadoras. Um romance comovente, poderoso e impossível de ignorar.

Sinceramente, eu não sabia muito o que esperar deste livro. Assisti o filme ainda no cinema quando foi lançado e lembro que gostei bastante, mas minhas lembranças paravam por aí.

Eu não fazia ideia de como era o comportamento dos personagens e muito menos como a dinâmica das partes funcionava, mas preciso dizer que gostei de absolutamente tudo.

No começo, admito que achei o Auggie e Via um pouco mimados. Demorou um pouco para que eu entendesse que isso é basicamente um adulto tentando escrever como uma criança. Não estou julgando, não me entendam mal. A cabeça, as ações e pensamentos de uma pessoa muda conforme os anos passam, o que torna difícil para pessoas com idades tão distintas representar tudo corretamente.

Por esse mesmo motivo, também estranhei que algumas das crianças possuíam um vocabulário e um entendimento das coisas um pouco avançado para suas idades, mas também entendo que isso é apenas uma consequência de ser um adulto escrevendo.

Achei a leitura super leve e era muito fácil passar horas lendo. A troca de narrador constante também é algo que auxilia nisso por mostrar a mesma história por diferentes pontos de vista. Um ótimo exemplo disso é o que acontece com Via e Miranda. Na narração de Via, ficamos super irritados com Miranda e parece que ela é apenas alguém buscando popularidade. Mas quando o ponto de vista muda para o de Miranda, nossa visão do problema muda completamente.

A única narração que achei um pouco inútil foi a de Justin, namorado de Via. Trouxe um pouco de humor com a história do atirador, mas acho que não havia necessidade de nada daquilo, poderiam mostrar pelo que Jake estava passando de uma maneira diferente.

A parte de Justin também serviu para que eu percebesse as pequenas mudanças na escrita de cada um. Na do Justin, todas as frases começavam com letra minúscula. Fiquei super agoniada com aquilo, mas pelo menos percebi as alterações das outras partes.

Gostei muito de como a autora tratou o bullying com Auggie e Jake. Foi notável o comportamento de Julian e consegui reconhece-lo em diversas pessoas que estudaram comigo no fundamental. Sinceramente não sei de onde surgiu essa ideia de que crianças são todas santinhas. De fato, muitas são boas e maravilhosas, mas muitas são péssimas.

Digo isso como alguém que tem muito contato com crianças do tipo de Julian, que na frente dos adultos são ótimas, mas na frente dos colegas são pessoas horríveis. Não é culpa da criança, vamos deixar isso claro. É uma criação errada que deixa sequelas gigantescas e faz a criança acreditar que é melhor que todo mundo, mas ainda assim, é um baita problema.

Muita gente não acredita que esse tipo de criança exista, ou acha que é exagero, então sim, gostei muito do livro mostrar que bullying infantil realmente acontece e que pode ser extremamente danoso para as crianças.

Assim como em Um Menino Feito de Blocos, gostei muito de ver a evolução de Auggie. Claro que no outro livro, o personagem (do qual eu, obviamente, esqueci o nome) tinha autismo, o que é um problema bem mais sério do que o de Auggie. Mas mesmo assim, é interessante ver o quanto ambas essas crianças, de idades semelhantes, possuíam tantos problemas no início de seus respectivos livros e o quanto isso mudou no final. Coincidentemente, no caso dos dois, foi algo que mudou na vida deles e que fez com que tivessem amigos. 

Não vou começar um discurso sobre a importância da amizade e etc, vou poupar vocês disso. Porém, é bom ver como uma pessoa com “deficiências”, que muitas vezes é trancada e superprotegida pelos pais, muitas vezes só precisa ser tratada como uma pessoa normal. Que fique claro, não sou nenhuma especialista no assunto, não sou psicóloga, nem nada disso!


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O final foi compatível com o resto do livro. Não foi nada incrível, mas foi bom. Já era esperado um final feliz (o contrário simplesmente não teria sentido), mas mesmo assim foi muito bom, principalmente por ser uma grande vontade de Auggie se realizando.

No geral, o livro foi muito bom. A escrita da autora é muito boa, os personagens todos me encantaram (menos Justin, que foi meio inútil) e consegui sentir as emoções de Auggie. Acredito que construir um personagem que seja carismático e que conquiste os leitores é a função dos autores. Neste caso, o objetivo foi muito bem cumprido.

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