Resenhas

RESENHA: Mansfield Park, de Jane Austen.

Saiba minha opinião sobre Mansfield Park, de Jane Austen.

Livro: Mansfield Park.

Autora: Jane Austen.

Páginas: 575.

Editora: Martin Claret.

Lido em:

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Sinopse:

Aos 12 anos de idade a jovem Fanny passa a morar de favor em Mansfield Park, a casa do esposo de sua tia, Sir Thomas Bertram. Inteligente e estudiosa, ela logo se torna amiga de seu primo Edmund, o filho mais novo de seus tios, apesar de ser sempre destratada por seu tio e pelas suas primas fúteis. Com o passar do tempo Fanny se torna uma bela mulher, que acaba chamando a atenção de Henry Crawford, jovem que se tornou recentemente seu vizinho juntamente com sua irmã, Mary. Notando o interesse de Henry por Fanny, os tios dela logo promovem um encontro entre os dois para logo depois se sentirem revoltados com o desprezo que a jovem demonstra pelo seu novo vizinho.


Eis o livro menos conhecido da Jane Austen! Vejo pouquíssima gente comentando sobre ele e demorei para ouvir falar. Foi a última obra da autora que eu li e justamente por não conhecer até pouco tempo atrás.

E digamos que agora, que eu li, entendo por que as pessoas não falam muito. Acontece que é um livro bastante maçante e como criticar clássico sempre rende gente chata enchendo o saco… As pessoas preferem ficar quietas.

A protagonista é uma qualquer. Sem graça, sem sal, sem carisma, sem nada. Não marca nem um pouquinho, o que torna a leitura chata, inevitavelmente. O único sentimento que ela conseguiu me arrancar é raiva. Não exatamente por ela em si, mas pela forma como a excluíam sempre e ela aceitava numa boa.

As vezes dava vontade de dar um tapa nas costas dela e gritar “REAGE, MENINA”, porque ela é muito passiva! Deus do céu!

A tia dela, Lady Bertram, se aproveita da menina de todas as formas imagináveis, o tio, Sir Bertram, é omisso, assim como o primo mais velho. As primas apenas a subestimam e menosprezam, enquanto a pior de todas é a outra tia, Sra. Norris. Que vontade de dar uns socos nessa mulher insuportável! Ela humilha a menina sem nem disfarçar, não entendo como Fanny demora tanto para surtar com aquelas pessoas!

E mesmo que aquela não fosse a casa, nem a família, dela, Fanny já morava lá há anos! Seria mais do que natural ela reagir de formas mais ativas. Ela é muito morta e a gente acaba sentindo saudade de elementos como a inteligência da Lizzy, a sagacidade de Catherine, sensatez da Eleanor, ardileza da Emma, até a tolice apaixonada da Marianne me fez falta! Porque pelo menos ela fazia alguma coisa, eram coisas idiotas? Eram! Mas pelo menos tinha.

Anne o que tenho a ver?

Enfim, a figura feminina não tem nem um atrativo e quanto a figura masculina… Eu gostei dele. De verdade, achei-o fofo e queria ver ele junto de Fanny desde o início. Só que ele também não é grandes coisas, não. As qualidades param por aí. Na verdade, há defeitos crassos a serem ressaltados, Fanny pareceu ser tomada como uma segunda opção, o que me irritou demais. Que macho mais indeciso! Fofo, porém irritante ao extremo.

A narrativa foca muito em coisas desinteressantes e eu a julguei bastante instável. O livro começou super interessante, parecendo que dali renderia, mas não. Começa bem e depois vai capengando, focando em fatos inúteis. Tipo, eu não quero saber da rotina do povo tão minuciosamente. Eu não me importo com bordados para peças de teatro. Muito menos me importo com quando o tio da Fanny vai voltar! Teve um capítulo que começou falando de uma carta e que Sir Thomas dissera voltar em novembro e são uns três parágrafos discorrendo sobre o mês e sobre a volta. Ficou muito cansativo.

Odeio quando, durante a leitura, eu fico toda hora olhando para o número da página, mal vendo a hora de acabar minha meta do dia. Porque se mostra claro que a leitura não está sendo boa.

Uma coisa que eu achei interessante, embora pudesse ter sido encurtada, é toda a questão do teatro. Mesmo que eu soubesse o valor maior que as pessoas davam as artes antigamente, ver em um livro foi bem enriquecedor. As pessoas realmente se entregavam para algo que hoje em dia pode ser visto como fútil e tolo. Eu fiz teatro durante alguns anos e adoro, gostaria que a cultura ainda fosse valorizada dessa forma.

Outro ponto que gostei e finalmente criei alguma empatia quanto a Fanny foi a negativa dela para o Sr. Crawford, quando ela declara os motivos da dispensa para seu primo… Foi fantástico, como ela disse, não é só porque o homem tem uma boa imagem, e porque a maioria das mulheres o querem que necessariamente todas o desejem como par. Nessa parte ela falou bonito e fez valer o livro para mim.

É a partir dessa parte, do pedido de casamento, que o livro anda de verdade, antes disso era tudo tão monótono e sem foco que chegava a me dar sono durante a leitura. São cerca de 300 páginas sem atrativos, o que me chateou consideravelmente.

É um enredo mal trabalhado, que poderia ser mais ágil e realçado. Jane Austen é uma autora incrível que sempre consegue fazer críticas bem elaboradas e ácidas quanto a sociedade, aqui não é diferente, só é mais fatigante, demora para a acidez, especialmente da Fanny, aparecer.

Foi legal acompanhar o amadurecimento da personagem? Sim, mas não se leva 400 páginas para isso, pelo amor! Até lá muita gente já vai ter abandonado o livro. Eu mesmo, só não abandonei porque sou teimosa demais. Para eu abandonar um livro, olha…

O desfecho é satisfatório, tem bastante reviravolta novelesca, como sempre esperamos de livros da Jane Austen, porém, como eu já disse pelo menos umas dez vezes aqui no blog: final não carrega livro. No fim das contas, foi uma leitura complicada, maçante que eu, honestamente, não indicaria.

Se quer conhecer o trabalho de Jane Austen, os outros livros são mais aconselháveis, esse daqui é difícil de ler, de se envolver, de entender… Enfim, não honra o talento da Jane.

(Não consigo dar menos de três estrelas pra Jane Austen, então…)

3 estrelas

[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

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