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A falência da Saraiva.

Comentando minhas percepções sobre a inevitável falência da maior livraria do país.
Para entender melhor meu posicionamento nesse post, aconselho que leia os posts: O Relato de uma autora frustrada com o mercado editorial brasileiro, Diário de uma escritora [06].

Hoje vamos falar de assunto sério, algo que está sendo discutido há pelo menos 3 anos e que se mostra eminente e inevitável nesse exato instante.

Saraiva, a maior livraria do país, a que move grande parte do mercado literário e editorial está falindo, acumuladora de uma dívida estipulada em R$675 milhões, ela está sendo despejada de shoppings e estabelecimentos comerciais, o que causará múltiplos danos ao mercado.

Antes de começar a discussão de fato, quero dizer que, embora tenha chegado a entrar em contato com economia política na faculdade, não sou expert no assunto nem quero ser, comentarei as coisas seguindo meu conhecimento limitado. Vocês estão livres para comentar aqui embaixo as próprias percepções.

Cinco anos atrás, ninguém diria que isso estaria acontecendo. A Saraiva era a líder desmedida em venda de livros, e vou dar um breve resumo para quem quer saber o motivo dessa decadência:

Basicamente, vender livro no Brasil, um país em que 30% da população nem mesmo chegou a comprar um livro na vida, sempre foi difícil. As editoras fornecem livros às livrarias e desta forma que se move o mercado como um todo. Em 2017 as coisas já se mostravam complexas nesse ponto, não só a Saraiva como a Livraria Cultura estavam atrasando o pagamento para fornecedores. Quem quer entender melhor essa coisa de fornecer livros, vou deixar um link sobre consignação aqui.

Em resumo, descontos agressivos eram usados para conseguir vender livros, movimentar o mercado, muitas atitudes impulsivas e de má gestão foram tomadas, o que nos traz no cenário de hoje.

Muitas reclamações quanto a qualidade do produto e também o não recebimento destes foram registradas. Minha antiga professora de civil mesmo, vivia comentando sobre uma ação movida contra a empresa devido a uma compra que não foi recebida (o que configura estelionato, vale dizer), um processo que nunca deu muitos frutos. Esse é só um exemplo de como até a imagem da Saraiva com seus clientes foi se manchando cada dia mais, o que contribui para a situação, as pessoas param de confiar e procuram outras lojas.

E dessa forma chegamos num ponto muito importante dessa discussão, a Amazon. Atualmente, creio eu, a maior loja de varejo presente no país, especialmente quando se trata de livros.

Acontece que Amazon veio com uma proposta diferente. Eles negociam os lotes com as editoras, podendo deixá-los com preços mais maleáveis, o que facilita nas vendas e, muito além disso, Amazon dá autonomia para autores como eu. Publicar um livro nunca foi tão fácil. O Kindle é uma rede de ampla utilização pelos leitores assíduos, o que nos dá muito mais espaço e independência.

Querendo ou não, o antigo mercado realmente facilita a vida para as editoras e para as próprias livrarias. Afinal, é muito melhor cortar as asas do autores, limitá-los para que façam coisas que com certeza vão vender do que permiti-los ter autonomia e mostrar suas identidades por completo e arriscar em coisas originais. A Amazon nos dá as asas que no mercado antiquado de antes nos eram tiradas.

Sim, esse post irá criticar editoras e eu arrisco dizer que a falência da Saraiva poderia vir até para o bem.

É claro que é uma tristeza imensa e que uma crise afetará nosso mundo literário tão amado, mas sabem, do jeito que está, não é saudável continuar.

O mercado editorial está do mesmo modo há o quê? Um século, pelo menos. Agora o autor pode ter completo controle sobre sua obra, isso é fantástico e, olhem só, permite inovações!

Os famosos clichês podem fazer sucesso, mas que obras originais sempre chamam mais atenção e apresentam qualidade mais aprazível, isso é inquestionável. Pelo menos eu, prefiro ser surpreendida, e acredito que grande parte da população leitora concorde.

É momento de mudanças em todos os quesitos sociais, é momento dos humilhados serem exaltados. Muitos autores negados por editoras estão criando seus espaços sozinhos e isso, sim, dá uma quebrada nas intocáveis editoras. O Kindle é muito mais fácil e acessível em questão de preço. Você tem infinitas possibilidades de leitura a um preço excelente, às vezes até mesmo gratuito!

E eu não digo só em questão de e-books. Até mesmo os livros físicos são mais baratos na Amazon por aquilo que eu citei mais acima. E os autores, em sua autonomia do KDP, podem disponibilizar o livro para impressão também. É uma coisa incrível, de verdade, ninguém poderia imaginar isso há uns anos.

Por um lado, eu acho que será bom as grandes editoras caírem. Elas já estão acomodadas em suas posições de privilégio, muitas fazem trabalhos preguiçosos e colocam preços lá em cima só porque sabem que venderão, não trazem novidades, não se esforçam para nos mostrar coisas originais e nacionais, que sim, são importantes.

Já estamos cansados de livros fúteis de YouTubers, ou de booktubers privilegiadas. Isso se tornou a literatura brasileira, praticamente. Ah, tem a literatura juvenil também. Todo o mérito a Thalita Rebouças, Paula Pimenta e outras. Mas já está saturando, né? Autores brasileiros são capazes de mais que esses simples gêneros e um ou outro gato pingado arriscando em terror, ficção científica ou similares.

Acho que agora é hora dos escritores independentes usarem ainda mais agressividade em suas divulgações.

Podem apostar, a falência da Saraiva está provocando uma dívida milionária que deixará as editoras desesperadas. Ou elas vão precisar arregar e, como dito, inovar, procurar novos meios para ascender o mercado, ou vão cair junto.

Acho mais provável e merecido que aconteça o segundo, assim as editoras pequenas teriam a chance de expandir e apresentar trabalhos mais diversificados, porque podem perceber, editoras pequenas geralmente tem mais diversidade e originalidade, uma pena que muitos leitores não confiam nos trabalhos e estão acostumados com a alienação do mercado, que garante que as únicas que possuem qualidade são as grandes e consolidadas editoras, o que é uma mentira descarada.

Não tem como prever com exatidão o que se sucederá da falência da Saraiva. Considerando a quantidade da dívida e as desculpas judiciais pífias que a empresa está apresentando, não tem saídas. Eu acho triste, eu comprava muito por lá antigamente e isso me aperta o coração, porque é inegável que a Saraiva fez parte da minha vida. Só que nesse momento da minha vida, ela se mostra decrépita e até mesmo um empecilho para a carreira que estou construindo.

Para que meus sonhos realmente se concretizem por completo, eu necessito de uma restauração nesse mercado, então essa é minha torcida. Mudanças positivas e esperança.

um comentário

  1. Antes de passar para a Amazon, usei a Livraria Saraiva, através do Lev, comprava meus livros digitais por ela, mas comecei a olhar títulos que eu queria muito, e só tinham na Amazon enquanto na LS não existiam, também influenciou que meu aparelho começou a não fazer mais downloads dos livros que eu comprava, e comprei o Kindle PaperWhite, e sigo até os dias de hoje, mas também voltando com os livros físicos.

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