Resenhas

Resenha: a Babá Gótica

Novamente, vou fazer resenha de um livro do qual eu não estava muito afim. A questão é, a nota dele não vai ser muito alta e eu quero explicar bem o motivo disso visto que conheci a autora na Bienal do Rio deste ano e gostei muito dela, então acho justo dar uma explicação decente.

Primeiramente, quero falar sobre algo que me deixou um tanto chateada, mas que não vai influenciar na nota já que não tem relação nenhuma com a história. A coisa que mais me atrai nesse livro é o fato das páginas serem todas pretas. Isso em si só já deixa o livro lindo, mas a autora quis ousar um pouco mais e colocou várias imagens, todas os capítulos começam na página da esquerda, etc.

O problema é que esses detalhes não adicionam nada à história e fazem o livro ficar muito caro tanto para a editora que está fazendo quanto para o leitor que está comprando. São 350 páginas no livro e eu tenho certeza que se tirassem as imagens (que são apenas duas repetidas em todos os capítulos e na capa), a margem e a letra gigantescas, poderiam ser reduzidas pela metade.

Além disso, no começo de todos os capítulos, tem uma passagem do próprio capítulo. Entendo que a autora quis dar um gostinho do que iria acontecer, só que os capítulos são muito curtos, então simplesmente não vale a pena. Uma coisa é fazer igual na série Os Bridgertons, em que (pelo menos nos primeiros livros) tem-se uma parte da colunista famosa na cidade, já que aquilo é apenas um indicativo do que irá acontecer e não uma passagem copiada e colada. Nos Bridgertons, temos apenas uma dica, algo que nos instiga em querer saber o que ocorrerá, mas em A Babá Gótica, só temos um spoiler.

Eu paguei um preço meio alto considerando que era a Bienal, só aceitei porque as páginas eram todas pretas. Entretanto, se eu tivesse folheado o livro, não sei se aceitaria.
Bom, agora vamos para os pontos que realmente influenciaram na nota. No que diz respeito a escrita da autora, gostei bastante. Não chega a ser nada incrível, porém é bem gostosinha. Um grande erro de autores que colocam personagens crianças em suas histórias é utilizarem uma linguagem muito adulta para eles, coisa que irrita bastante. Adriana não faz isso, muito pelo contrário, utiliza algo adequado para a idade de Ana Beatriz.

A história no geral, foi muito boa. Claro que houveram alguns clichês, principalmente em relação à Lucinda e Lourenço, mas nada que chegue a incomodar. Todo o motivo para Lucinda ter se tornado gótica, as tentativas de Lourenço para tentar descobrir o que estava realmente acontecendo, tudo isso me prendeu do início ao fim.

Mas claro, nada se compara ao final. É possível prever o que vai acontecer até certo ponto, depois se torna impossível. Pretendo indicar esse livro para outras pessoas simplesmente pelo final, já que só ele já vale o livro inteiro de tão bom que foi.

Entretanto, preciso comentar o fator que fez este livro cair muito na classificação: os personagens e a inconstância deles. Do contrário do que se espera de um livro de mais de 300 páginas, eles não têm desenvolvimento. Lourenço é um cara preconceituoso que simplesmente não admite. Lucinda é uma pessoa sem sal que aceita tudo que jogam em cima dela e é taxada como boazinha. Qualquer conflito, briga, discussão, tudo termina do mesmo jeito. Primeiro estão aos prantos, como se fosse o fim do mundo, dois segundos depois já agem como se nada tivesse acontecido. Um ótimo exemplo disso acontece bem no início, na briga de Lucinda com seu pai. Quando ele chega, ela não faz ideia de como começar o assunto, depois ele a chama de prostituta e vários xingamentos, dois parágrafos depois estão se abraçando como se tivessem o melhor relacionamento do mundo.

Nada me irrita mais do que personagens mal construídos e inconsistentes, mas infelizmente é o caso aqui. Outro detalhe é esse preconceito todo por ser gótica. Não vou dizer que isso não existe, mas está longe de ser o estardalhaço que foi retratado no livro.

Continuarei lendo os livros de Adriana. Como eu disse, gostei muito da história e da escrita dela. Espero muito que esse problema em relação aos personagens seja apenas com esse livro, porque ela tem um potencial muito grande e merece muito sucesso. Conheci ela na Bienal e vi o quanto ela é querida, por isso me doeu muito escrever essa crítica. Espero também que ela não me tome a mal e que entenda isso como uma crítica construtiva.

Nota: 3,8/5

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