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Vamos discutir sobre: gatilhos na literatura e ressacas literárias.

Falando sobre o último livro que me causou uma ressaca e também sobre o gatilho que ele representava pra mim.

Não sei muito bem como vou fazer esse post, tenho a leve impressão de que vamos de nada para lugar nenhum, mas… Vamos ver, haha.

Há pouco tempo atrás eu li O Cemitério, do Stephen King, que é um livro de muita qualidade, muito bom mesmo, mas que representou um gatilho para mim, até falei isso na resenha. Acertou minha ansiedade em cheio, quando eu terminei, senti a afetação, fiquei bastante tensa, ansiosa mesmo. Era um pouco depois da meia-noite e minha cabeça ficou um tanto impactada com todas as emoções que o livro me trouxe, tanto que demorei pra conseguir dormir, sempre sentindo aquela perturbação no peito, como se algo ruim estivesse prestes a acontecer.

Olha, fazia muito tempo que um livro não me impactava desse modo. O grande problema aqui é que foi uma coisa um tanto negativa, não que o livro seja ruim, eu adorei, mas pessoalmente, fez-me um pouco mal de uma forma que eu não esperava.

Todo esse questionamento sobre morte realmente me afeta, se eu paro pra pensar sobre o assunto fico deprimida por horas, já tive uma crise ansiosa de 2 meses por causa disso, de ficar trancada em casa com medo que as pessoas ao meu redor morressem. Enfim, é um tema que de fato me toca, e ano passado tive que encará-lo de frente, porque duas pessoas morreram na minha vida e me atingiu diretamente.

Enfim, eu sabia que o livro tratava disso, mas eu já li alguns outros livros que remetem ao assunto e não me deixaram dessa forma, acho que o ponto aqui é que este é o foco de tudo, dos personagens, do enredo. Essa coisa mórbida é até intrigante, sabe, foi uma experiência boa por um lado, mas horrível por outra.

Eu me envolvi demais com o enredo e talvez não devesse ter feito isso, talvez devesse ter lido mais por cima, justamente por perceber como estava sendo atormentada e pensar no lá na frente. Li o livro até que rápido, porém, agora, quatro dias após o término da leitura, não estou conseguindo ler mais nada.

Comecei um livro da Agatha Christie: não foi pra frente. Imaginei que possivelmente meu cérebro estava renegando qualquer coisa relacionada a morte, então peguei um romance de época no Kindle: se eu cheguei a 2% foi muito. Parece que ler qualquer coisa que seja já me dá um mal estar, sintoma típico de uma ressaca literária.

Para quem estava lendo um livro atrás do outro e as ressacas literárias não passavam de dois dias, fiquei um tanto chateada com a situação, acho que não reconheci meu limite, devia ter parado a leitura de O Cemitério no instante em que senti o primeiro mal estar, porque esse não era o meu momento para lê-lo, sinto isso agora.

Sinto que primeiro eu preciso passar por essa fase de temer a morte para só depois me envolver com enredos relacionados a isto. Mesmo que eu tenha adorado o livro, toda essa situação acaba tornando a experiência ruim, não acham?

O bom é você amar um livro, ficar, de fato, algum tempo impactada (porém positivamente), e depois de algumas horas ou poucos dias, conseguir se envolver com outra estória, principalmente pra gente que de certa forma trabalha com isso, como eu, aqui com o blog.

Outra coisa que me fez pensar por esses dias é que estava vendo um vídeo da Beatriz Paludetto (inclusive, vejam o canal dela que é ótimo) e ela contou que teve ressaca com O Colecionador, sendo que eu li esse livro antes de O Cemitério e pra mim foi normal. Tem resenha aqui também e eu achei um livro incrível, embora tenha me causado certa claustrofobia, foi algo que passado um dia da leitura final, passou. Acho engraçado ver como os livros afetam as pessoas de formas diferentes. Para ver como a leitura é realmente algo muito pessoal.

Quando a gente se envolve muito com a estória e ela tem a ver com traumas nossos, isso nos impacta de forma drástica, mesmo que você tenha aprovado o que leu. Eu nunca leio livros nem assisto filmes sobre anorexia e bulimia, porque tenho noção que é um tópico que não me faz bem, que pode representar um gatilho forte pro meu intelecto. Da mesma forma para cenas com humilhação pública, tipo aquelas cenas de escola em que todos ficam rindo ou renegando determinada pessoa, porque já passei por isso e é uma coisa horrível, que eu odeio relembrar.

Esse assunto morte já foi diferente, como eu nunca morri (risos) e como é uma questão natural, recorrente e normal, não pensei que fosse ser um gatilho, mas foi, porque me fez reviver aquele mesmo aperto no peito, aquele mesmo medo de alguém ao meu redor morrer a qualquer momento que eu tive há pouco mais de um ano atrás, especialmente porque o livro trata não só disso de deixar a pessoa partir, mas de pontos ainda mais profundos.

Apesar dos pesares, hei de exaltar, pelo menos me fez perceber outro tipo de livro pra eu não ler por enquanto, se daqui a uns anos eu me sentir mais confortável com o tema, quem sabe? Entretanto, por enquanto, não quero. Prefiro não cair em outras ressacas literárias. É muito livro pra ler pra pouco tempo, não dá pra jogar ele fora com isso não, haha.

Enfim, vocês tem algum gatilho? Algo que não conseguem ler nem ver entretenimentos sobre? Como você descobriu que este o fazia mal? Comentem aqui, vamos conversar.

[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

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