Resenhas

RESENHA + Filme (89) x Livro [08]: O Cemitério, de Stephen King.

Saiba minha opinião sobre O Cemitério de Stephen King, além de ver a comparação deste com a primeira adaptação.

Livro: O Cemitério.

Autor: Stephen King.

Páginas: 424.

Editora: Suma.

Lido em: 4 dias.

Skoob


Sinopse:

Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios familiares para explorar a região, conhecem um “simitério” no bosque próximo a sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação.

Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras e onde forças estranhas são capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível.

Minha 4ª leitura do Stephen King e não tenho como negar que essa foi a mais perturbadora. Mais uma vez que farei 2 em 1: Resenha e Filme X Livro, já criei o hábito de fazer isso com as obras do King, né? Haha.

Eu já aviso para qualquer pessoa que possa começar a ler essa resenha: quem tem gatilho com morte aí, esse pode não ser um livro pra você. Digo porque eu tenho certo gatilho com o sentido empírico e espiritual da morte e essa obra me deixou desconfortável em diversos níveis. O fato de simplesmente “pararmos de existir” me incomoda profundamente, então sempre que posso, evito pensar no assunto morte, mas aqui fui obrigada a encarar de frente esse medo que nutro no meu íntimo. Eu odeio até mesmo ir em cemitérios! Então pense a aflição em me deixar envolver completamente nessa estória.

Em vários momentos notei que meu peito se apertou e eu me sentia sufocada. Nossa vida é realmente muito frágil e a morte é muito incerta, sendo que foi justamente nessa ferida que Stephen King quis tocar.

Ele quer perturbar, quer te fazer se questionar e usa de meios tenebrosos para tanto. No quesito terror, esse também é o livro mais forte do autor, muitas cenas de deixar você temeroso do mundo ao seu redor. Eu li as primeiras 100 páginas durante a madrugada, não deu muito certo, fiquei morrendo de medo de do nada alguém surgir chutando minha porta ou qualquer coisa assim, hahaha (rindo de nervoso)

Desde o princípio eu já achei o clima desse livro bizarro, aquele senhor que Louis, o protagonista, acaba considerando como “pai” e a forma que ele falava e vivia… Chegava a me dar arrepio sem eu nem entender porquê. No final você percebe que, assim como o Hotel moldou Jack Torrence em O Iluminado, a cidade molda os habitantes em O Cemitério.

Antes dos fatos principais começarem a desenvolver a estória já estava interessante, já te prendia e fazia você querer saber tudo o que acontecia, mesmo que eu já soubesse de determinada parte. Podemos dizer que eu sabia quase que o enredo inteiro de um modo geral. E ainda assim eu me vi presa à rotina de Louis e sua família naquela nova cidade.

A morte de Church, o gato, na minha humilde opinião demorou muito para acontecer, odeio ver morte de gatos, mas nesse caso, podia ter dado uma agilizada, já que é uma das partes principais da premissa, acho que King deu uma enrolada ali no dia-a-dia que não me pareceu tão necessária.

Mas apesar disso, temos poucos momentos que a tensão cai, pouquíssimos, e isso há de se exaltar, até mesmo It tem seus momentos de monotonia. Aqui não. Mesmo nas partes mais tediosas você sente medo do que já passou ou está por vir. Eu não teria como não citar o sonho de Louis com Victor Pascow logo no início, é aterrorizador, agonizante, fiquei apavorada de um jeito que… Uau.

Outra coisa que eu precisava falar nessa resenha é que em uma das madrugadas que eu estava lendo, eu fiquei tão tensa na leitura que ao sair do quarto, dei de cara com o meu pai no canto da sala e quase enfartei, hahaha. Cheguei a dar um passo pra trás e colocar a mão no peito, realmente nunca tive uma experiência assim, mesmo tendo lido outros livros de terror. Esse me fez lembrar até daquele velho medo que toda criança tem sobre o que tem debaixo da cama. Acho que nos quatro dias que fiquei lendo, maior parte deles eu precisei dar uma olhadinha, hahaha.

Os personagens são humanos, é isso que vocês precisam saber. Louis é um homem comum que ama sua família e preza por ela, Rachel também, tendo algumas traumas do passado que a impedem de tocar nesse assunto morte, tanto que Ellie, a filha deles, começa a perguntar sobre morte depois da ida ao cemitério e a mulher simplesmente surta. Pouco mais pra frente descobrimos porquê e foi uma parte muito intrigante que eu não conseguia largar o livro de jeito nenhum, não é algo grandioso, mas traz determinadas reflexões sobre a morte, o sofrimento e o luto. Jud é uma figura interessante que merecia mais, só vou dizer isso.

As crianças são crianças, normais, curiosas. Ellie tem certa vidência, digamos, mas isso é tudo em relação aos pequenos, que, ainda assim, nós conseguimos nos apegar a eles em sua forma juvenil e inocente. O Gage pobrezinho… Tão amorzinho.

Aliás, essa coisa das perguntas da Ellie sobre morte é uma parte muito válida para se refletir, pense na forma como ela, criança, age com o luto e compare com seu pai. É isto. Ingenuidade, em algumas circunstâncias, é valiosa.

Do meio para o final, após o ocorrido fatal, a coisa fica muito eletrizante e se alguém consegue pausar a leitura nas últimas 110 páginas, eu admiro muito essa pessoa, porque eu não consegui. Achei o epílogo meio merda? Achei, não vou negar pra vocês, mas o resto do livro super compensa. Toda a carga dramática e reflexiva sobre como lidamos com a morte… Eu achei bem intrigante, uma forma de expor o assunto diferenciada e eficiente, que te toca muito.

É uma obra que mexeu imensamente comigo e não vou considerar minha favorita do Stephen King por causa desse epílogo que mais traz dúvidas do que as responde e também pelos gatilhos que me causou, isso é uma questão pessoal minha, no entanto não poderia deixar de falar aqui. Me perturbou de verdade, atacou a ansiedade, o que não é legal.

Porém, a escrita do Stephen, para mim, nunca esteve melhor, esse é o seu livro mais fluido, até as suas conhecidas descrições exacerbadas estão aliviadas aqui.

5 estrelas

Agora vamos falar do filme? Como expresso no título desse post, eu assisti o de 89, pois foi o único que consegui encontrar. Queria muito assistir o de 2019, que dizem ser bem diferente do livro, mas vou ter que esperar sair em algum streaming. De qualquer forma, já digo que achei o filme muito mal dirigido, acredito que a diretora não conseguiu explorar todo o potencial que a trama tinha, essa obra era um prato cheio pra qualquer diretor mais ambicioso e talentoso, nesse caso ficou mal explorado, o que é uma pena imensa.

Olhando de uma forma ampla, em quesito de enredo, acaba por ser uma adaptação fiel, porém em questão de qualidade e fluidez na hora de transpassar este, é que passa longe.

A parte inicial é bem resumida, no livro esse contato de Louis e Jud é mais trabalhado e também vemos bastante da Norma, esposa dele e a conexão das duas famílias. No cinema, Norma foi representada como aquela empregada que acabou por se matar, não sei muito bem porque fizeram isso, nem entendo. Até a questão da castração do Church foi mais resumida, no livro demora horrores por causa do machismo enraizado em Louis, que não aceita isso e demora pra aceitar. Rachel, tal como Wendy em O Iluminado, é só a esposa do protagonista, não exploram as camadas dela, como no material original, o que é uma pena, porque penso que é uma das personagens mais importantes, que mais traz reflexões sobre o luto e a aceitação. Até mostraram o ponto principal, mas ficou muito superficial.

Ah, claro, e a cena com Pascow que eu morri de medo nas páginas? Tediosa para um senhor caralho nas telas, horrível, aquela cena podia causar arrepios facilmente, porém jogaram todo esse clima no lixo! Aliás, tudo em relação a esse plot é bem tanto faz. Começando pela maquiagem e a saturação de usar o moço como fantasminha camarada de tudo e todos.

Os efeitos especiais são extremamente toscos, mesmo sendo década de 80, já tinha uns filmes com efeitos legais, nesse não tem muito o que defender.

Toda a parte em que Louis volta para o cemitério para tentar “salvar sua família” também é feita de uma forma sem atrativos e sem a tensão necessária. Entretanto, hei de revelar que os ataques do Gage-zumbi me assustaram mais nas telas. Aquele risinho de criança no meio da perseguição era de arrepiar, fiquei bem assustada. Não que nas páginas não tenha sido assustador, foi, apenas há artifícios que assustam mais no áudio-visual. Também não vamos dar tanto crédito para o filme, por quê né? Haha. Isso é obrigação mesmo. E quase chorei com a cena que Church morre de verdade, olha aqui, gatos tinham que ser eternos e eu odeio ver gatineos morrendo.

A trilha sonora é boa, não é sempre que acerta, mas precisa-se ressaltar pelo menos um ponto positivo, acho que esse é um dos únicos. Atuação que não é, porque achei todos os atores bem mal colocados, mal dirigidos, tudo. O protagonista não passa a emoção necessária, você não se convence que ele realmente está sofrendo com tudo aquilo, considerando que ele passa pelas situações com uma cara de quem não sabe o que tá fazendo ali. Acho que os únicos que achei ok foi a menininha e o velho Jud, não são um exemplo nato de atuação, mas não comprometem. O menininho também não tem como se esperar muito, né? Muito novinho, então também não vou falar nada dele. Ele é super fofo, só isso que digo mesmo. Vontade de colocar num potinho.

Sobre o final, tão besta e desnecessário quanto no livro. Louis, você é uma mula, só queria declarar isso.

Crianças, nunca brinquem com a morte, se alguém aí descobrir como se ressuscita alguém, deixa de lado porque já aprendemos em centenas de livros que isso não vale a pena e só causa mais desgraça. Deixa o morto quietinho que fica tudo top, apenas aprendamos a lidar com a coisa mais natural e a única certeza da vida.

Vou dar duas estrelas por causa da trilha sonora e também pelo roteiro que, querendo ou não, não foi ruim, só mal aproveitado.

2 estrelas

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