Extras

Filme X Livro [07]: It – A Coisa (Capítulo 2)

Comparando o livro It com a segunda parte da adaptação.

Há um bom tempo eu fiz uma comparação de It livro com filme e juntei isso com uma resenha, agora enfim tivemos o lançamento do capítulo 2 da adaptação, onde acompanhamos o clube dos otários mais velho, voltando para a cidade com fim de derrotar a Coisa de uma vez por todas e eu vim trazer mais uma comparação.

Assim, já aviso que faz 8 meses que li o livro, então a estória não está tão quentinha na mente, mas mesmo assim farei o meu melhor para destacar os pontos positivos e negativos de cada um, prometo.

Para começar, eu já acho que faltou destacar, como no livro, o papel do marido da Beverly e da esposa do Bill, ambos tem um plot bem intrigante que eu gostaria de ter visto nas telas, não só para tirar a curiosidade, mas vamos falar a verdade? O clube simplesmente sai de casa, larga tudo para trás e dane-se.

Nós nem mesmo sabemos o que acontece com o marido da Bev depois de uma briga feia que eles tiveram, tirando o fato de que isso não é bem explorado como no livro. Esse fato de Beverly ter se casado com um cara dominador exatamente como o pai dela, usaram um pouco disso com o Eddie, mas a parte da Beverly é muito mais relevante e interessante, então não nego que eu queria ter visto mais desse ponto. Deixou a personagem muito rasa, precisava dessa exploração, de mostrar porque ela é uma mulher tão forte e como ela se livrou desse estigma na vida dela.

A esposa do Bill também, no final ela é super relevante, aí no filme nem ligaram pra isso. Podiam ter trabalhado melhor, porque são assuntos verdadeiramente importantes, em especial se você considerar o reflexo que houve na vida adulta deles graças a tudo que viveram na infância. As negligências, os sofrimentos… Enfim.

Eu gostei muito do estilo da narrativa do filme, ela é um tanto diferente do original, mas eu adorei, combinou com o novo meio de apresentação, pois foi envolvente, passaram-se quase 3 horas de um filme que não foi perfeito, mas que me envolveu e me fez entrar de cabeça ali, tanto que nem vi o tempo passar.

Ele tem bastantes cenas trabalhadas com sustos e exploram mais a Coisa, embora eu tenha achado que faltou uma explicação mais explícita sobre ela, similar à que houve no livro.

Aliás, gente, Stephen King faz uma participação! Fiquei muito feliz quando vi, não sei porque, haha.

Voltando para a Coisa agora, eu só acho que chegou certo ponto em que as aparições ficaram saturadas. Por exemplo, mostrar um susto dos personagens no presente e no passado não me pareceu necessário, na verdade me pareceu uma encheção de linguiça que tornou a trama sobrecarregada.

Nossa dose de sustos com as crianças já foi com o primeiro filme, para mim ficou claro que os produtores não quiseram desgarrar do que deu certo, o que está errado. Nós estávamos cientes, quando compramos o ingresso, que seria um filme com eles adultos. Flashbacks seriam aceitáveis, mas penso que de outras formas. Ali realmente pareceu querer mexer com a nostalgia ou coisa semelhante.

É inegável que a parte deles crianças, no livro, é muito mais rica e intrigante, afinal, são crianças enfrentando um monstro milenar, é uma premissa que por si só já consegue se destacar, mas poxa, havia muitas coisas importantes retratadas no futuro também, com eles adultos.

Acredito que existiam formas melhores de trabalhar isso tudo, mas enfim… eu gostei mesmo assim. Se você for considerar o axioma do gênero terror, está tudo certo, personagens mais rasos, sustos, o que me fez, de verdade, envolver-me novamente com esse mundo, esses personagens.

Ah, aliás, o filme é bem engraçado, o que é fiel ao livro, que também temos cenas bem divertidas, em especial com Richie, que só fala bosta, como o próprio apelido dele diz, né?

Tudo bem que várias vezes só eu e a Amanda rimos, mas nós achamos graça, isso que importa, haha.

Quanto a batalha final, preciso dizer pra vocês que achei mais legal no filme, o livro é muito viajado e eu comentei isso na resenha. Gente, eu me senti tão chapada lendo aquilo… Misericórdia, acho que droga nenhuma me traz uma viagem tão louca quanto aquela, hahahaha. É muito doido mesmo e eu gosto que eles tenham derrotado a criatura todos juntos e fisicamente, já que no livro foi o Bill sozinho e de forma psíquica.

Novamente, eu só senti falta das explicações quanto à Coisa.

Vou deixar alguns spoilers do livro em relação a isso para quem se interessar:

Basicamente, a Coisa veio do espaço, lembram-se aquelas bolas que ficavam vindo do céu nas visões do Bill e até na batalha final? Sinalizam a forma como ela veio parar na Terra, e, em resumo, a cidade de Derry é a Coisa. Ela viveu durante séculos esperando os humanos civilizarem aquela região para matá-los. Tem toda uma questão com uma tartaruga criadora de universos que eu sinceramente nem vou entrar no mérito porque eu vou enlouquecer. Aquilo é muito louco, Deus do céu.

Ah, e a Coisa, embora representada de formas geralmente masculinas até mesmo considerando o ator que a interpreta, ela é fêmea e no material original descobrem que ela guardava alguns ovos, os quais Ben pisoteia e destrói. Mas será que aqueles eram todos? Fica a questão, hahaha.

Enfim gente, King era viciado em cocaína nessa época, e digamos que seja algo bem visível em sua escrita, principalmente nesse final completamente insano.

O plot que envolve a sexualidade de Richie, pelo o que me lembro, não existe no livro. Mas eu gostei de ver isso no filme, tudo indicava a paixão dele por Eddie, mas o roteiro nos levava para a direção de Stan, para só nos últimos minutos descobrirmos a verdade, sendo que ele precisou ver seu “grande amor” sendo morto diante de seus olhos.

Eu já fiquei bem triste com a morte do Eddie no livro, porque muito acima dos outros, ele era um guri franzino e induzido psicologicamente a ser doente pela própria mãe, vê-lo enfrentando a Coisa duas vezes, encarando seus medos e mostrando que é forte, é lindo. Mas aí da segunda vez ele acaba morrendo, cara, isso mexeu com o meu coração e ver de forma visual foi pior que imaginar, mesmo com o fator surpresa que tinha leitura e não houve no filme.

Depois então que descobrimos essa paixão do Richie, putz. Eu fiquei bem abalada, hahaha.

Mas eu achei legal porque divergiu do material original de modo positivo, trazendo um novo plot atual e importante, também mudando aquela visão do gay escrachado que muita gente visualiza. Richie não tem muito jeito, mas é um homossexual e está tudo bem, igualmente seria se ele fosse escrachado, entendem? Isso se torna ainda mais especial quando lembramos da primeira cena do filme, aquela em que dois homossexuais são deixados para morrer devido a homofobia de gente com mente pequena.

A questão da menininha com a mancha no rosto e como Pennywise manipulou ela também é digna de reflexões e discussões.

Bom, vamos para a parte técnica agora? Para essa review não ficar tão enorme quanto o filme (e livro)? Hahaha.

Eu gostei muito da fotografia, conseguiu ornar com cada momento representado e preciso vir aqui exaltar a interpretação do Bill Skarsgård, que interpreta o Pennywise. Cara, ele é inacreditável, que homem!

Já dava pra ver o cuidado e talento no primeiro filme, mas aqui que deram mais destaque a ele… Foi um espetáculo, de verdade. Vale ir assistir ao filme só para vê-lo.

Os atores adultos são ótimos, mas, como disse um crítico que vi esses dias, Ben emagreceu… E só. Hahaha, não achei que conseguiu se destacar muito. Uma estrelinha a mais aqui para o James MacAvoy que teve mais espaço de roteiro e direção para mostrar interpretação e foi excelente.

Porém, hei de exaltar a dinâmica e carisma grupal, eles como um todo, como o clube dos otários, são o que nos prendem à tela e fazem as 2h50 min de filmes parecerem no máximo umas 2h em nossa percepção. Você torce por eles, quer vê-los bem e vivos exatamente como queria quando eles eram crianças, e em nenhum momento duvida que aquelas são, de fato, versões adultas daqueles pirralhos.

Não só pela aparência, mas justamente pelas atuações, que os fizeram parecer aquelas figuras infantis mais amadurecidas e ajuizadas com o tempo.

A direção é muito boa e eu preciso ressaltar as referências que tiveram durante o filme. Como eu disse, teve a presença do Stephen King, algumas citações sobre certo autor que não consegue agradar o leitores com seus finais (isso foi incrível, socorro) e também, certa cena que remete a O Iluminado e Carrie, a Estranha. Adorei isso!

Ah, acabei de lembrar que não citei Henry Bowers na primeira parte da review e honestamente nem penso que faça muita diferença porque a presença dele, embora tenha causado um terrorzinho a mais, não foi de grande relevância para a trama. Serviu para dar um choque em Richie e só.

Enfim, pessoas, gostei de ambas as narrativas. Podia ter uma melhoria cá outra lá no filme? Sim, no entanto, como dito, eu me envolvi muito, achei a adaptação super fluida e assistiria de novo numa boa. O livro também não é perfeito, tanto que eu comentei aqui no meio, durante o livro a parte dos adultos era bem menos interessante, sendo que o filme melhorou bastante isso, então está tudo bem, desde que divirta, traga alguma reflexão, já é valido e, ao menos comigo, It conseguiu cumprir sua meta.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: