Vida de escritora

Diário de Uma Escritora [09]: Sobre a Bienal como escritora. Alma renovada.

Falando um pouco sobre como foi minha primeira bienal como autora.

Gostaria de começar esse post dizendo que eu estou muito realizada.

Eu sabia que a Bienal desse ano, como a do ano passado, renovaria minha alma, mas foi tão lindo estar lá como escritora…

A ansiedade já me pegou antes mesmo da viagem, tive uma baixa na imunidade e minha rinite se aproveitou disso, tanto que nas minhas duas sessões de autógrafos eu estava sem voz, mas como dizem, o que vale é a intenção, né?

Então, vamos começar do começo, quando eu cheguei no espacinho da editora, abracei a Crys, nossa capista maravilhosa e quase chorei ao abraçar a Wall, minha editora-chefe, a pessoa que coordenou todos os processos, lidou com as coisas que davam errado e trouxe o Inalcançável na forma impressa pra mim.

Fiquei agarrada nela uns 2 minutos direto, foi um momento muito emocionante e um grande prazer conhecê-la pessoalmente. Já amava sem conhecer, agora então…

Todas as meninas da editora são lindas e trabalharam com muito esforço, vou ressaltar especialmente a Mia, Awlly e a Ju que desde que eu cheguei lá colocaram a mão na massa e não pararam mais.

O primeiro dia foi mais parado, eu coloquei a Amanda pra trabalhar também, haha, como estava sem voz, ela chamava as pessoas e eu apresentava o livro. Aliás, vamos falar rapidinho aqui sobre a desvalorização ao autor nacional?

Começando por algo já discutido em outros posts, separar as editoras por tamanho é uma puta sacanagem, né senhores organizadores? Vamos criar vergonha nessas caras, coisa ridícula. O movimento de sexta já estava meio ruim, o nosso pavilhão era o mais longínquo ainda, pense, era realmente difícil conseguir possíveis compradores. Tinha muita gente com cara de bunda que nem parava pra ouvir, o que eu nem julgo muito, mas alguns chegavam perto de serem mal-educados, a Amanda, que era quem abordava as pessoas, está de prova. Muita gente desagradável que eu não sei porque estão numa feira dessas se não querem ouvir sobre livros.

Mas em contraponto, muita gente querida também que tive o prazer de conversar e até mesmo conquistar alguns como leitores, fico muitíssimo grata a todos que pararam pra me ouvir, tenham vocês comprado o livro ou não. Só de me dar a possibilidade de divulgar meu trabalho, já é importante. Obrigada.

A literatura nacional vai capengando, mas ainda há esperanças, mesmo pra quem não é famosinho ou rico, e sabe gente, deixa eu falar um negócio que precisei refletir muito nesses últimos tempos.

Sucesso nem sempre está em números. Deus claramente quis me provar isso.

No sábado eu pude conversar com duas pessoas maravilhosas: Marcelli Braga, uma das minhas parceiras do Insta e leitora beta, e Rafa Silva, uma moça que participa de um grupo do Whats em que eu estou.

A Marcelli me abraçou um monte (outra que fiquei uns 2 minutos seguidos abraçando), falou que leria qualquer coisa que eu escrevesse e que super amou os meus dois livros. Isso encheu meu coração, de verdade. Minhas esperanças já estavam preenchidas ali, e depois ainda veio a Rafa.

Outra que me esmagou de abraçar e quase me fez chorar!

Quem acompanha os diários de uma escritora sabe o quanto estive perto de desistir, de engavetar o projeto, então lá vem dona Rafa, me abraçando forte diz que eu não podia desistir, que ela sabia que era difícil, mas que eu precisava seguir lutando.

Eu fiquei tão emocionada que sinceramente nem lembro todas as palavras, só lembro que meus olhos se encheram de lágrimas as quais tive de segurar com muito vinco. Muitos leitores realmente não tem muita noção do quão difícil é.

Agências são uma fraude. Toda vez que eu acabo vendo algo sobre a agencia que me atendeu sinto rancor, porque eles foram muito desagradáveis, a mulher que me atendeu era uma nojenta que claramente não queria me atender. Essas “empresas” só dão valor pra gente que já tem um nome no mercado (vou citar exemplos aqui: Babi A. Sette – que eu admiro muito, porque começou escrevendo do zero – Paola Aleksandra, youtubers…), não que estejam errados, mas o que eles propagam é um mito.

Você acha que vai encontrar comodidade sendo que eles não querem saber de você, porque você não tem um nome, você não tem dinheiro, pra que eles vão investir? A estória não importa pra eles. O que importa é o retorno financeiro e infelizmente eu descobri isso da pior forma: me envolvendo nisso e vendo minhas expectativas destruídas.

Depois veio uma editora de médio porte que nem leu o meu trabalho, nem viu minhas considerações no e-mail e negou o original pelo tamanho (eu estava disposta a dividir).

Enfim, eu fiquei muito machucada, eu chorei muito e pensei em desistir tantas vezes que mal consigo contar. É um mercado tão tóxico… Partiu completamente meu coração. E ver pessoas que conseguem reconhecer esse sofrimento, te abraçar forte e pedir pra não desistir… Poxa. Depois de tudo que eu passei, só de digitar essas palavras aqui já choro.

O sucesso está nisso, gente. Eu não preciso de editora grande quando tenho isso. Esses abraços apertados, esse reconhecimento tão lindo e puro. Dinheiro nenhum paga isso, obrigada, vocês ajudaram a juntar os pedaços de um coração que estava muito debilitado.

É o que me deu forças para continuar com o projeto do segundo livro e melhor: Me deu uma super inspiração pro terceiro, que está indo muito bem! Já temos 56 páginas.

Eu nunca vou conseguir viver disso, não tenho emocional nem disposição pra seguir lutando nesse mercado sujo, mas só esse pequeno reconhecimento e carinho que estou conquistando já me completam e me mostram que eu estou no caminho certo.

Obrigada, obrigada e obrigada! Se tiver esse retorno de vocês, eu não preciso de mais nada.

Voltando mais pro ponto bienal mesmo (fugi um pouquinho, haha), eu cheguei a conhecer até uma embaixadora cultural de Brasil-China. Uma mulher super elegante que me tratou muito bem. Ela comprou o livro pra sobrinha, porque não era muito o estilo de leitura dela, mas mesmo assim fico imensamente grata, ela até falou sobre publicar o livro na China, imaginem só! Haha. Não brinca comigo assim não.

A Jess Bidoia, que também é autora (da minha editora também), foi lá me prestigiar. Isso que é lindo, eu prestigiei o dela, ela prestigiou o meu, conheci umas outras autoras meio nariz empinado, que nem levantavam da cadeira pra cumprimentar e tentar conversar com as pessoas que passavam, teve uma que até olhou meio torto, mas vamos absorver só as coisas positivas?!

Jess, você é uma linda e desejo todo sucesso do universo pra ti! Obrigada! Adorei as balinhas que você me deu de brinde, não durou 10 minutos aqui, hahaha.

A Amanda Bonatti também comprou meu livro e eu nem consegui autografar o dela :c chorei! Quando ela comprou eu já tinha ido embora.

Graças a Deus os saldos com outras autoras, em maioria, foram positivos. Teve a Telma Brites também, Raquel Cantarelli, todas maravilhosas que eu deixo o nome aqui pra vocês pesquisarem e as prestigiarem, porque elas merecem muito! Vocês sabem que eu sou sincera, amo e super indico, haha.

Eu consegui um público bem variado de compradores, gente jovem, gente de mais idade. Gostei muito dessa experiência, de conversar com tantas pessoas diferentes. Foi incrível!

Além disso, teve o encontro de época também. Falei bem pouquinho por causa da minha voz péssima, mas foi um prazer estar do lado de tantas autoras lindas. E mando um beijo aqui pra Jéssica que ganhou meu livro no sorteio.

Foi uma doideira e eu estava bem cansada no fim do dia, tendo que pegar voo ainda! Aliás, organização do estacionamento estava merecendo uma surra, porque que trabalho péssimo. Só aumentava o engarrafamento, quase perdemos o voo.

Enfim gente, foi lindo, foram dois dos melhores dias da minha vida que eu nunca vou esquecer. Obrigada a todos que fizeram parte disso!

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