Resenhas

RESENHA: Gone – o mundo termina aqui

“Num minuto, o professor estava falando sobre a Guerra Civil. No minuto seguinte, desapareceu”. Em Praia Perdida, na Califórnia, todos com mais de 14 anos desaparecem num piscar de olhos. SOMEM. Só restam os jovens: os adolescentes, os pré-adolescentes, as crianças pequenas. Mas nenhum adulto. Não existem mais professores, nem policiais, nem médicos, nem pais. E, também de repente, não há telefones, nem internet, nem televisão. Não há como descobrir o que aconteceu. Nem como conseguir ajuda. Diante do fenômeno misterioso, Sam Templeton e seus amigos, Astrid e Quinn, tentam entender o que está acontecendo, mas vão ter que correr contra o tempo e enfrentar desafios assustadores. A fome é uma ameaça. Os valentões tentam dominar todos os outros. Uma criatura sinistra está à espreita. Os animais estão sofrendo mutações, e os próprios jovens estão mudando, desenvolvendo novos talentos — poderes inimagináveis, perigosos, mortais —, que ficam mais fortes a cada dia. É um mundo novo e aterrorizante. Cada um terá de escolher o seu lado para a batalha que se aproxima. Os moradores locais contra os riquinhos. Os fortes contra os fracos. As aberrações contra os normais. E o tempo está acabando: no dia do seu aniversário, você também pode desaparecer, como todos os outros. Com elementos eletrizantes que remetem a uma mistura bem-sucedida de O senhor das moscas, os suspenses de Stephen King e a série de TV Heroes, Gone é o primeiro volume de uma série que já tem três livros publicados nos Estados Unidos, todos na lista de mais vendidos do New York Times, e mais dois a caminho. Um romance inquietante, repleto de surpresas e, acima de tudo, original. “Brilhante, a ação é ininterrupta.” — Guardian

 

Talvez esse post fique um pouco grande porque eu tenho muita coisa para falar sobre esse livro. Acho que já falei que não queria mais fazer resenhas de apenas um dos livros quando ele é uma série, mas nesse caso não tem como. Se os próximos quatro forem igual ao primeiro e eu fosse fazer a resenha de tudo de uma vez, teria umas 10.000 palavras porque acontece muita coisa, é praticamente impossível ler tudo em uma tacada só.

Quando eu li a sinopse do livro, achei que fosse algo infantil. Pensei que seria algo para mostrar para crianças como seria uma vida sem adultos e como eles são importantes, que seria aquele livro com moral no final. Os personagens são crianças com, no máximo, 14 anos, o que eles poderiam fazer de tão ruim?

Grande erro meu. O livro tem várias e várias cenas de tortura, agressão, assassinato, todo tipo de coisa. Não tem nada sexual, nada relacionado à drogas e pouca coisa sobre bebida alcoólica, mas mesmo assim, eu não indico para crianças. Não encontrei a classificação indicativa, mas acredito que seja ideal para pessoas com mais de 16 anos por ser um livro bem brutal.

Bom, começa que existe uma escola dentro da cidade para crianças difíceis. É basicamente um internato para crianças e adolescentes que os pais não sabem educar. Ninguém conhecia essas crianças, só sabiam que existiam, o que faz com que o caráter delas seja um mistério.

Ali temos crianças que estavam ali pelo motivo errado, claro, mas outros que eram psicopatas. Uma das piores partes do livro inteiro é quando Caine e seu grupo voltam para a escola e vemos como estava a situação por lá. Crianças morrendo de fome e com as mãos presas no cimento, sem qualquer tipo de auxílio. O pior de tudo é saber que outras crianças fizeram isso com eles.

Uma característica muito boa da narrativa é que os narradores estão constantemente mudando (igual à Game of Thrones). Dessa forma, temos algo contado por crianças com idades diferentes, experiências diferentes e até mesmo religiões diferentes. Isso mostra como as pessoas lidam com as mesmas situações, como cada uma reage. Antes dos poderes começarem a aparecer, quando os adultos tinham recém sumido, algumas crianças começaram a roubar, outras entraram em pânico, outras ficaram em estado de negação. É engraçado ver como isso acontece.

Outro detalhe muito bom são os “nomes” dos capítulos. Já no começo, temos a questão do aniversário de 15 anos do Sam se aproximando e o que acontecerá com ele, já que todas as pessoas com mais de 14 desapareceram. Isso foi bom por dois motivos. O primeiro deles é que você tem uma noção muito boa de como o tempo está correndo. E o segundo, é que fica uma contagem regressiva para o final, já que fica claro que Sam e Caine só se encontrarão no final.

Achei a relação de Sam e Astrid meio jogada ali no meio, ela foi desnecessária. Astrid poderia ter sido apenas mais uma amiga do Sam, assim como o Quinn, e ele teria feito tudo por ela de qualquer jeito. Sem falar que Astrid nunca tinha ligado para Sam e do nada decidiu que ele e Quinn seriam seus melhores amigos para toda a vida.

E falando sobre Quinn, que personagem inútil! Não vamos reclamar de quando ele não teve coragem de matar Drake no final do livro, como Sam disse, ninguém deve se sentir culpado por não conseguir matar alguém, mas a quantidade de vezes que ele viu pessoas sendo machucadas injustamente e não fez absolutamente nada… É simplesmente injustificável.

Era horrível, principalmente no começo, pensar no que havia acontecido com animais e crianças que ficaram trancados sozinhos dentro de casa. Eu tenho um cachorro e um gato e cortava meu coração pensar na quantidade de animais que morreram de fome por não conseguir sair. Foi uma cena muito chocante quando Sam teve que se livrar de um bebê morto enquanto estavam vasculhando as casas. E claro, esse foi apenas um caso que acompanhamos, sem dúvida existiram vários outros.

A única coisa que preciso dizer que não gostei foi a parte dos coiotes e da Escuridão, seja lá o que isso for. Quando o livro estava focado nisso, ficava um pouco maçante. Era chato e, pelo menos no primeiro livro, não adicionou muita cosia, só serviu para que os coiotes atacassem as crianças no final. Acredito que os próximos livros trabalhem um pouco mais nesse assunto, então pode ser que se torne algo mais interessante, mas, até agora, parece ser algo apenas para preencher páginas.

Mesmo com essa história dos coiotes e o relacionamento jogado de Sam e Astrid, o livro merece cinco estrelas. Na verdade, ele é aquele livro que merece seis de cinco estrelas. É difícil não ficar preso à história e a escrita é muito boa já que não fica se enrolando e vai direto ao ponto. Quero muito ler a continuação e isso acontecerá logo.

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