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Vamos discutir sobre: relacionamento abusivo na literatura.

Uma discussão sobre relacionamentos abusivos sendo tratados dentro da literatura.

Os livros retratam a realidade, mesmo em obras de fantasia, nós podemos ver muitos assuntos mundanos sendo tratados entre a ficção inventada.

O relacionamento abusivo, que está a cada dia recebendo mais visibilidade, é um tópico muito explorado, e é ótimo quando este artificio é usado propositalmente, como em Corte de Névoa e Fúria ou É Assim que Acaba. O grande problema, que é o que o principal assunto dessa discussão de hoje, é quando não é proposital e vemos um casal tóxico sendo retratado como romântico.

Eu já falei disso algumas vezes aqui no blog, fiz posts inteiros sobre After e Belo Desastre, dois livros que mostram o abuso como algo aceitável, mas dessa vez resolvi estender a discussão. Por que a relação abusiva é tão normalizada nos livros?

Porque ela é normalizada na sociedade, porque devido a todo o histórico do mundo, estamos acostumados em ver um homem autoritário demais, ciumento demais, porque eles são assim, não é mesmo?

Não, não é. E é colocado um peso bastante importante nas costas das autoras nesse caso. Não só de autoras, por óbvio, em programas de televisão e até mesmo programas governamentais também é necessário ressaltar as características e prevenir as pessoas, apoiá-las.

Eu sei que quando Belo Desastre, por exemplo, foi escrito, esse tópico não era tão discutido. Dá para perdoar um pouco a Jamie McGuire, mas acho que o que não dá para perdoar é ela nunca ter se posicionado contra as atitudes de seu protagonista, ter repensado em sua própria estória e reconhecer seus erros, que são graves.

A Anna Todd ao menos tentou recompensar a grande merda que foi Hardin no livro por meio do filme, onde no final há uma carta que me parece um pedido de desculpas da autora, para as leitoras. Além disso, pelo o que ouvi falar, ela desenvolve um pouco melhor essa questão do abuso nos outros livros. É ruim mesmo assim, porque ninguém merece ler 1, 2 livros romantizados para chegar só nos últimos com um desenvolvimento em cima do abuso, mas já é algo, já mostra alguma preocupação da escritora.

Diferentemente de outras, como a já citada mais acima e a E. L. James, ou Megan Maxwell, que parecem fechar os olhos para o desserviço que fazem.

Eu sei que muita gente pode argumentar que Cinquenta Tons explora a liberdade da sexualidade feminina e coisas do tipo, mas não. Simplesmente não.

Christian é abusivo e escroto pra caramba. Não deixa a mulher nem respirar longe dele, quem merece isso?

Ah, e Eric, que faz pressão psicológica para Judith participar das surubas?

É bom explorar a sexualidade feminina, há tanto reprimida? Sem dúvida alguma, mas sexualidade feminina e submissão não é a mesma coisa!

Não sei porque tanta gente interliga as duas coisas. Mulher não tem que ser submissa para ter prazer, na verdade muitas se satisfazem com contrário, tendo controle na hora do sexo. Realmente não consigo entender como esse tipo de livro faz sucesso, desculpa para quem gosta.

Fico chateada ao ver que as autoras nem ligam para a repercussão do que escrevem. O pior é que no meio das pesquisas para esse post eu li que a E. L. James se diz feminista.

Oi??

Desculpa, mas se fosse mesmo, Anastasia seria bem mais firme e se imporia diante do Christian, não ficaria igual uma boneca de posto esperando ele estalar os dedos pra ela correr pra aba dele.

Vamos parar de exaltar a submissão? Não vou falar porque é meu gênero favorito não, mas vários romances de época exploram essa parte da sexualidade sem a mocinha precisar abaixar a cabeça para tudo que o homem fala. Na verdade, mesmo elas sendo ingênuas e reprimidas pela época que vivem, se impõem e procuram fazer as coisas que as satisfazem. Então penso que é um desserviço ressaltar a mulher como passiva em pleno 2019.

E os citados foram principalmente livros eróticos, pois não há como negar que é o gênero a mais exaltar esse tipo de comportamento, não é? Creio que as mulheres estão tão adaptadas ao autoritarismo por parte do homem que acham que tem que ser assim, e se encantam por isso, mas penso que já está na hora de mudar essa perspectiva. E você? O que acha sobre todo esse assunto?

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[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

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