Resenhas

RESENHA: Lolita, de Vladimir Nabokov.

Saiba minha opinião sobre o clássico Lolita.

Livro: Lolita.

Autor: Vladimir Nabokov.

Páginas: 392.

Editora: Alfaguara.

Lido em: 4 dias.

Skoob

Trazendo a resenha de mais um clássico contemporâneo para vocês, esse sendo, acredito eu, o mais perturbador dentre os que tratei até hoje aqui no blog: Lolita.

Lolita é um dos mais importantes romances do século XX. Polêmico, irônico, tocante, narra o amor obsessivo de Humbert Humbert, um cínico intelectual de meia-idade, por Dolores Haze, Lolita, 12 anos.
A obra-prima de Nabokov, agora em nova tradução, não é apenas uma assombrosa história de obssessão e ruína. É também uma viagem de redescoberta pela América; é a exploração da linguagem e de seus matizes; é uma mostra da arte narrativa em seu auge. Através da voz de Humbert Humbert, o leitor nunca sabe ao certo quem é a caça, quem é o caçador.

Quem nos segue no Insta acompanhou parte da minha saga para ler esse livro. Eu achava que o pior para mim seria a pedofilia, mas não, acreditem, a narrativa foi a pior coisa para mim, chegando a render até uma breve ressaca literária.

Aqui acompanhamos tudo a partir da visão de Humbert em uma espécie de carta que será usada em seu julgamento, e ele é muito detalhista, fala especificamente de umas coisas que não tem relevância alguma para a história, tanto que eu fui pulando os parágrafos mais cansativos no meio do livro e isso acabou por não fazer diferença nenhuma no entendimento final.

Um detalhe que precisa ser ressaltado é que Nabokov realmente conseguiu transpassar com perfeição o que é uma cabeça insana. Já reclamei de uma narrativa em primeira pessoa que não conseguiu representar bem isso, não temos esse problema em Lolita. Em momento algum duvidamos que, apesar de parecer uma pessoa normal, Humbert é louco, um pedófilo.

Achei muito interessante a construção dessa peculiaridade, porque nós acompanhamos os pensamentos dele e ele simplesmente não é um narrador confiável e isso fica claro em vários momentos da leitura. Mesmo que a narrativa tenha cansado minha cabeça e meus ânimos, preciso dizer, esse livro mexeu comigo.

Em muitos momentos Humbert tenta justificar a pedofilia citando exemplos antigos, mitos e afins, isto é, ele estava querendo justificar o injustificável usando de analogias irreais ou criminosas, isso não me pegou em momento nenhum, quero dizer, não cheguei a refletir sobre o assunto, apenas li aquilo, achei um absurdo sem fim a tentativa dele e ponto. Mas em várias cenas ele tenta culpabilizar a vítima; Lolita, uma garota de 12/14 anos que por uma baita desgraça do destino foi parar nas mãos dele e em um momento ou outro me peguei a achando extremamente despudorada mesmo, e olha que sou uma pessoa que luta para se desconstruir há anos, e ainda assim me vi colocando uma leve culpa na Lolita (não a culpa integral, foco nisso)

Porque não importa se ela é indecente, não deixa de ser uma criança que não tem plena noção de seus próprios atos, se a tivesse, teria capacidade civil, o que não tem, e isso já finaliza qualquer questionamento sobre. Ah, tirando o fato de que, independente de concordância ou não, fazer sexo com menor de 14 anos é crime indiscutível, mas claro, muitas pessoas na nossa sociedade tentam colocar a culpa na vitima, porque ela é “assanhadinha”, “muito precoce para idade”, porque ela “dá motivo”.

Ser mulher é um fardo muito grande para se carregar, não importa se você tem apenas 12 anos e seu padrasto seja um doente, louco, que devido a sua insanidade se apaixonou por você, abusando-lhe sexualmente, a culpa é sua, por ser precoce. Assustador, não é? Infelizmente, assim que somos vistas por centenas de pessoas, que preferem passar a mão na cabeça dos homens e apontar o dedo para pessoas que não devem ser culpadas porque absolutamente não têm culpa de nada.

Eu senti muito nojo durante todo esse livro. De Humbert e suas descrições nojentas sexualizadas de uma criança, e até um pouco de mim mesma, por em algumas partes realmente ter questionado as ações de Lolita, sem lembrar que aquilo tudo era narrado por um monstro.

Enfim, eu não digo que foi uma leitura horrível, porque ela realmente me fez questionar, pensar e isso é válido demais. Qualquer leitura que nos faça refletir sobre a realidade e mudar o mínimo que seja, já vale, mas também não posso alegar que foi uma das melhores, foi beeem exaustiva com descrições altamente arrastadas.

A linguagem não é muito difícil, mesmo sendo uma obra antiga, tem palavras normais, nada muito elegante, muito menos complicado de compreender. Como eu disse, não é esse o problema, é realmente os relatos, a forma da narração. As 100 primeiras páginas mesmo beiraram o dispensável, fazendo-me desanimar ao extremo.

Quanto ao desfecho: Achei até que satisfatório, pensei que a obsessão dele acabaria fazendo-o matar a menina, mas não é o que acontece e achei interessante, surpreendeu-me de fato.

Em suma, acho que é um livro interessante, traz boas reflexões, mas nada compensa a lassidão que foi lê-lo. Entendo porque é um clássico, não o considero um livro ruim, mas isso não quer dizer que melhorou a experiência, é bom, não passa disso. A melhor coisa que aconteceu durante toda a leitura foi terminá-la.

3 estrelas

2 comentários

  1. Leia sim! Acredito que todos têm que tirar as próprias conclusões, e muita gente gosta desse livro, pode ser que funcione pra você ❤️

    Curtido por 1 pessoa

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