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Vamos discutir sobre: Autores que se deixam levar pela ambição.

Uma discussão sobre continuações e ambição no mundo literário.

Antes de qualquer coisa gostaria de ressaltar que esse post não tem um viés de ataque nem nada do tipo, eu só quero discutir uma questão que sempre comentei com minhas amigas só que agora com vocês, todos os seres humanos erram e está tudo bem. Muitas pessoas nem mesmo consideram o que vamos tratar aqui um erro, nesse caso, o elemento se torna subjetivo, dando ainda mais consistência no que quero falar: 0 ataque, apenas uma discussão saudável e respeitosa.

Muitas vezes eu falei aqui no blog e em outras redes também sobre minha insatisfação quanto à continuação de algumas séries, podendo destacar o principal alvo de reclamação, A Seleção.

Vamos usar essa série como uma base, apenas para eu mostrar meu ponto de vista.

Nós tivemos a trilogia principal: Excelente, bem-feita, convincente. Teve um desfecho satisfatório para o que nos era apresentado nos três primeiros livros, mas eis que a autora, Kiera Cass anuncia uma continuação. Com a filha da America e do Maxon.

Só com a premissa nós vemos que não é algo para complementar a história, é apenas para uma questão de ego e ambição, um pouco de fanservice também, não há como negar, e isso até levanta uma nova discussão: O que é melhor, ter poucos livros, mas consistentes e agradáveis ou vários que vão perdendo a essência conforme se publica as continuações?

Eu, indubitavelmente, prefiro poucos livros bem trabalhados. Acontece que o dinheiro sempre fala mais alto. Se a série fez sucesso, pode ter certeza, vai rolar uma continuação. Seja em formato de livro mesmo ou spin-off, são poucos os autores que reconhecem as limitações de suas próprias obras.

J.K Rowling e Suzanne Collins são exemplos que optaram pela qualidade do trabalho, sem criar continuações desnecessárias para conseguir dinheiro (lembrando que Criança Amaldiçoada não foi escrito pela J. K., apenas aprovado).

O próprio conceito de literatura acaba ficando desvirtuado quando se coloca dinheiro no meio. Vocês já viram minhas reclamações quanto as editoras milhares de vezes aqui e entendem o que quero dizer, mas não neguemos que os próprios autores também tem parte da culpa. Se as pessoas gostam de sua obra, isso é ótimo, com certeza uma coisa que enche a alma, mas se não há uma necessidade e você não está com inspiração, para que continuar apenas para agradar uma parcela de seguidores, ou melhor, conquistar o dinheiro deles?

Se a sua prioridade é o trabalho (e não o resultado dele), pode ter certeza que muita gente se agrada com uma história simples de início, meio e fim definidos no mesmo livro. Ir pela onda popular nunca se mostrou uma boa decisão, diga-se de passagem. Nós, como autores, precisamos reconhecer nossos próprios limites e os de nossas obras, nossos personagens.

Rick Riordan usou e abusou de Percy Jackson, impondo uma continuação que estragou sua fama como escritor e os personagens que criou na série original. E ainda chegou no final dessa bendita continuação para não dar nenhuma narrativa ao Percy, que sem dúvidas foi o motivo para o sucesso forçado da nova série. Tirou a essência daquilo que nos fazia gostar de sua escrita e fez vários leitores, comigo incluída, desistirem das novas obras dele.

Carina Rissi é outra que pode ser citada aqui. Ela vive de continuações agora basicamente. Não inova, não se arrisca, o que acho bem chato. Não gosto de Morte Súbita, da J. K. Rowling, mas a admiro por ter tomado um novo caminho, saindo da mesmice. Carina é uma das autoras nacionais mais famosas, porém, mesmo com seu sucesso, não deixa de ser tremendamente limitada descritivamente.

As protagonistas geralmente têm a mesma personalidade incontrolável, os mocinhos sempre são passíveis e românticos, a única coisa que muda é a ambientação, o restante é o mesmo, segue a mesma fórmula todos os livros. Enfim, mesmo nas próprias continuações ela segue a mesma linha narrativa e descritiva, talvez para não perder leitores, já que a primeira vez deu certo? Provavelmente.

Dessa forma o mundo literário fica muito limitado à continuações e mesmices. É um cenário que por si já estaria problemático, mas consegue ficar pior.

Não se visa mais a qualidade de uma obra ou de um conjunto, esta fica em último plano, o que importa é única e exclusivamente o capital que isso trará, o que, novamente, vai contra o conceito de literatura.

Pois literatura para muitas pessoas não é só lazer, é estilo de vida. Muito do que sou hoje, é graças ao que li, quase toda a minha personalidade é baseada em personagens de livros, ou seja, a leitura tem total influência na minha vida e ver esse mundo sendo tão banalizado me deprime.

Entendo que no atual mundo que vivemos, dinheiro é tudo (não entendam isso como posição política, pelo amor de Deus, isso é muito chato), mas as pessoas envolvidas com livros são conhecidas como cultas, inteligentes, estereótipos são realmente uma merda, no entanto, nesse caso, eu acho cabível, porque de fato, nosso conhecimento, nosso vocabulário, fica mais abrangente do que os que não leem. E com essa reflexão chego no ponto principal: Não deveríamos nós, autores, pessoas teoricamente mais cultas, percebermos antes dos outros a qualidade de nossos trabalhos e nossa limitações? Deixar uma coisa tão fútil e banal como o dinheiro apenas em segundo plano para nossas metas, exatamente por conseguirmos ver o quanto isso é supérfluo?

Viver de literatura, especialmente no Brasil, é quase sinônimo de pobreza, e os poucos que conseguem algum destaque se deixam levar por questões do tipo, empobrecendo moralmente nossa categoria. Não deixemos o dinheiro e a fama nos cegar, pessoas. Qualidade de trabalho em primeiro lugar sempre, afinal, num cenário tão pífio e nojento como o do mercado editorial brasileiro nesse momento, é só com amor ao trabalho que você se mantém mesmo.

[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

2 comentários

  1. Já falei sobre o meu desencanto por livros em série. Acho um desperdício de tempo você ficar lendo 5 livros de uma mesma história, sendo que poderia gastar esse mesmo tempo para conhecer obras de autores diferentes. Ainda não encontrei nenhuma série pra despertar em mim essa vontade de acompanhá-la. ♥

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  2. Te compreendo completamente! Eu adoro séries, mas a verdade é que ultimamente só estou gostando mais de séries antológicas. Cada livro conta a história de um casal (por exemplo) e boa, mas séries contínuas estão cada vez maiores e de menos qualidade. Um pena.

    Curtido por 1 pessoa

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