Resenhas

RESENHA: O Sol é Para Todos, de Harper Lee.

Saiba minha opinião sobre o clássico O Sol é Para Todos.

Livro: O Sol é Para Todos.

Autora: Harper Lee.

Páginas: 350.

Editora: José Olympio.

Lido em: 2 dias.

Sempre que pegamos um livro considerado clássico, já esperamos algo mais pesado com uma escrita complicada e maçante, crescemos vendo livros assim e encontrar algo como O Sol é Para Todos é de uma preciosidade indescritível, pois, ao mesmo tempo que a história é pesada por tratar de um tema pesado, tudo fica leve porque acompanhamos os acontecimentos pelos olhos de uma menina de oito anos.

Um livro emblemático sobre racismo e injustiça e um dos maiores clássicos da literatura mundial. Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça. O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações.

Eu já criei um carinho imenso pelo livro logo nas primeiras páginas, porque assim como Scout, também cresci com um irmão mais velho e as brincadeiras dos dois me lembravam muito minha infância. Não era algo muito profundo, mas era bonito e gostoso de se ler, por fazer lembrar daquela época que nossas maiores preocupações eram brincar e se divertir. Acredito que a relação de Scout e Jem seja um dos pontos altos do livro, já que muitas coisas acontecem exatamente por isso.

Então desde já eu aviso: mesmo que trate de racismo, a coisa toda é levada de uma forma fácil de ler e faz nós termos aquela noção que todo o ser humano deveria ter que é: ninguém nasce preconceituoso, a pessoa se torna conforme vai crescendo e se enquadrando na sociedade. Por esse exato motivo achei um ótimo artifício colocar uma criança como narradora, pois não há maldade nos olhos de Scout, apenas nos de alguns adultos que a cercam.

Acho que a cena do tribunal foi uma das mais épicas que já li na vida, juro. Foi incrível. Talvez toda essa admiração venha por eu estar cursando direito e naturalmente já ter gosto por isso? Provavelmente, haha, mas mesmo assim é épico! Especialmente se você pensar como a segregação racial era (e ainda é) nos EUA. O Brasil é um país estruturalmente racista, mas fica no chinelo se comparado aos Estados Unidos.

A forma como Atticus, o pai da Scout, defende alguém considerado “inferior” no senso comum é de se admirar, afinal, a história se passa nos anos 30, se uma pessoa naquela época já conseguia ter um intelecto tão elevado, por que hoje em dia ainda temos tantas pessoas injustas? O mais triste era ler algumas das frases de Atticus e perceber que ainda são altamente cabíveis na nossa situação atual. Com tanto conhecimento estando a poucas teclas distância, possibilidade esta que não existia antigamente, é simplesmente trágico ver os pensamentos antiquados que ainda são nutridos no cerne de nossa sociedade.

E com isso digo: O livro ainda é tremendamente atual. O racismo foi amenizado, é verdade, mas não podemos negar que ele ainda existe, precisarão de séculos para essa situação ser mudada, se é que será. E livros assim são bons para dar um tapa de realidade na nossa cara.

A escrita de Harper Lee flui muito bem, tem um palavreado fácil, direto, sem descrições exacerbadas, eu li 120 páginas em uma questão de pouco mais de uma hora que mais pareceram 20 minutos. Foi uma leitura agradável e útil. Mais um dos livros que eu julgo serem obrigatórios.

Só tenho um defeito para apontar que é: Scout em alguns momentos pareceu muito madura para sua idade. Em muitas horas ela faz perguntas ingênuas ou toma atitudes infantis, como se deve ser com 8 anos, mas em outros ela parece ter a cabeça de uma pessoa de 30 anos. Acho que a autora não conseguiu pegar muito bem a essência de uma criança, o que eu acho perdoável, pois é complicado mesmo.

Você se lembra de momentos da sua infância, lembra de alguns pensamentos que tinha, mas entrar de cabeça em uma é realmente complexo, afinal, quando já viveu muito não tem como “desviver”, e é isto.

Outro ponto que acabei não destacando nos pontos positivos e não poderia deixar de ressaltar é toda a trama com o Boo Radley. O medo do desconhecido, como nós demonizamos aquilo que não conhecemos e, no final, pode não ser nada disso. Teve uma frase do Jem que me marcou muito durante a leitura que é:

“Se só existe um tipo de gente, por que as pessoas não se entendem? Se são todos iguais, por que se esforçam para desprezar uns aos outros? Scout, acho que estou começando a entender uma coisa. Acho que estou começando a entender por que Boo Radley ficou trancado em casa todo esse tempo… é porque ele quer ficar lá dentro.”

E eu preciso dizer que me identifico completamente com ele, se pudesse nunca sairia de casa, o mundo é cruel e as pessoas são ainda mais.

Para finalizar a resenha, deixo a indicação. É um livro excelente, que te traz reflexão, um pouco de horror e nostalgia. Uma delícia de livro que dá para ler em questão de poucos dias.

[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

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