Resenhas

RESENHA: Rainha do Ar e da Escuridão (Os Artifícios das Trevas #3), de Cassandra Clare.

Saiba minha opinião sobre o desfecho da trilogia Os Artifícios das Trevas.

Livro: Rainha do Ar e da Escuridão (Os Artifícios das Trevas #3)

Autora: Cassandra Clare.

Páginas: 742.

Editora: Galera Record.

Lido em: 3 dias.

Skoob

(Primeiramente, hoje é dia das mulheres e eu gostaria de deixar aqui registrado os meus parabéns a todas as mulheres. Somos todas guerreiras e nossa luta ainda não terminou, irmãs. Nunca esqueçamos da união que necessitamos nutrir cada dia mais para encarar esse mundo machista e patriarcal.)

Ai Santo Raziel, que emoção estar escrevendo a resenha desse livro depois de quase dois anos de uma espera árdua! Estou muito feliz e triste ao mesmo tempo, porque não queria que essa trilogia acabasse, haha.

Sinopse:

Sangue inocente foi derramado nos degraus do Salão do Conselho, e o mundo dos Caçadores de Sombras se encontra à beira de uma guerra civil. Parte da família Blackthorn foge para Los Angeles, em uma tentativa de descobrir a origem da doença que está acabando com os bruxos. Enquanto isso, Julian e Emma tomam medidas desesperadas e embarcam em uma perigosa missão para o Reino das Fadas a fim de recuperar o Volume Negro dos Mortos. O que encontram é um segredo capaz de destruir o Mundo das Sombras e abrir um caminho tenebroso para um futuro que nunca poderiam ter imaginado. Em uma corrida contra o tempo, Emma e Julian devem salvar o mundo dos Caçadores de Sombras antes que o poder mortal da maldição parabatai destrua tudo o que amam.

O livro anterior terminou de um jeito que assim… Foi muita crueldade demorar dois anos pra sequência. A morte da Livvy me pegou de surpresa, fiquei muito atordoada e queria ver como todos reagiriam à isso, além de ver o desenrolar de Annabel na corte da fadas, Emma e a destruição da Espada de Vidro, entre outras questões.

E preciso dizer que o início foi um tanto aquém para mim. Pensei que já começaria o livro levando tiro para todo lado, mas não. É tudo mostrado com muita calma, muita lentidão. O máximo que me fez pular de alegria foi (SPOILER), Jem admitindo que Tessa estava grávida! Meu coração não estava preparado, quase chorei.

Mas tirando isso, as 200 páginas iniciais foram um tanto quanto introdutórias, mostrando as coisas com uma minunciosidade que não sei se foi realmente necessária.

Porém, é claro, estava lendo um livro da Cassandra Clare e tinha noção que aquilo era só uma preparação para os milhares de tiros que viriam pela frente, e eles vieram.

O tanto de nervoso que eu passei com esse livro não cabe em palavras, hahaha. Tudo dava errado!! Por Dumbledore, era só azar atrás de azar, e pense em Clary e Jace, que continuam sofrendo mesmo com o fim da saga deles! Sem descansos os coitados.

Aliás, falando sobre personagens, acho que um leve defeito dessa trilogia é que tem muitos. Tipo, muitos mesmo! E isso rende bons artifícios em alguns momentos, por exemplo, uma hora você estava acompanhando uma narrativa mais tensa (na maioria das vezes era de Emma e Julian), aí passamos para uma mais leve, o que mantém aquele clima de suspense gostoso ao mesmo tempo que nos faz passar raiva por querer continuação daquilo que ficou ela metade.

Mas nem tudo são flores e eu acho que personagens em excesso meio que empobrecem a história, não sei, acho que acaba tornando-a muito sobrecarregada, sabem? Algumas figuras eu demorava para lembrar a relevância no enredo e, no fim das contas, chegava a conclusão de que esta praticamente não existia.

Enfim, esse ponto tem lados positivos e negativos, depende do ponto de vista.

Agora, uma coisa mais pessoal que eu achei muito interessante enquanto lia é notar o quanto as obras da Cassandra Clare moldaram meu caráter. Na verdade, não só as obras dela, mas várias leituras dos meus 13/14 anos, porque o livro envolve muito uma questão política, em Instrumentos Mortais esse âmbito também era retratado e assim percebo o quanto me identifico com os ideais expostos. Por exemplo, tem um momento em que os protagonistas vão para em um mundo paralelo onde Clary havia morrido e, consequentemente, Sebastian não tinha sido derrotado. E Emma nesse momento pensa no quanto os homens desvalorizavam a Clary, dizendo que ela só era uma garota sortuda que estava fazendo a coisa certa no momento certo, e esse é um pensamento que existe muito no nosso mundo.

Porque a mulher só está em tal cargo porque “deu” para alguém, ou ela não é tão competente e só levou sorte, enfim… Podemos encontrar muito das coisas retratadas em ficções na literatura no mundo atual, e com alguns ideais dentro desta, notei como meu caráter se formou em cima disso, mesmo que nem percebesse. Quero dizer, eu tinha tudo para ser uma menina submissa como muitas são, mas graças a tudo que li em livros, vi que posso ser mais do que isso, posso me destacar por conta própria, e com isso vale destacar a Hermione, Katniss, a própria Clary, e, lógico, a Tessa, destacando-se lá no século XIX já. Tirando isso, muitas das minhas opiniões políticas também se encaixam com as que Cassandra passa em seus livros (basta conectar as analogias).

Não sei se deu pra entender bem o que eu quis dizer, mas eu gostei muito de perceber isso, hahaha. Foi uma experiência pessoal mesmo que possivelmente nem todos terão, mas ainda assim meio que melhorou minha experiência de leitura. Obrigada por me tornar um ser humano melhor, Cassandra!

Enfim, além disso também dá para reparar que a escrita de Cassandra segue evoluindo. Temos alguns diálogos expositivos, orações desnecessárias, mas acho que todo escritor tem ao menos um desses vícios e eu gosto da escrita dela mesmo assim, me prende, me choca nos momentos certos, me faz dar risada em outros, assim segue. Os acontecimentos ocorrem num ritmo elétrico que te prende, não te deixa largar, a crítica que essa história leva é muito importante! Especialmente para o momento atual do mundo e do Brasil, diga-se de passagem.

Preciso deixar um espaço aqui para ressaltar o capricho da Galera Record, eu adoro as diagramações do livro da Cassandra e raramente vejo erros de português ou digitação, nesse livro tinha um de impressão, mas aí não é muito culpa deles, o que importa é o claro carinho com o dinheiro que a Cassandra traz. As ilustrações deixadas no fim do livro deixaram meu coração cheio! Que coisa mais linda. Foram a cereja do bolo, digamos.

Quanto ao desfecho do enredo em si: Não foi nada imprevisível, preciso dizer. Uma coisinha ou outra me pegou de surpresa lá no meio, mas não teve um plot twist de explodir cabeça, acho que dentre as conclusões das sagas da Cassandra, essa realmente foi a mais fraca, ainda que não seja exatamente ruim. Foi satisfatória, teve um ou outro momento épico, mas nada se comparado a Tessa virando Ithuriel ou Clary lutando contra Sebastian. Teve um final em aberto, aliás, na parte do epílogo. Não sei o que pensar sobre isso.

Vale dizer que uma teoria muito comentada no fandom Shadowhunter foi confirmada nesse livro, achei meio fanservice, mas preciso assumir que adorei, haha.

O que tenho a dizer para finalizar esse resenha é: Acredito que esse foi o livro da trilogia que menos gostei, o meu preferido ainda é o primeiro, não que desqualifique o desfecho, foi ótimo, só um pontinho ou outro que acabou me incomodando. E quanto a série como um todo, também sigo preferindo As Peças Infernais, acho que é a obra-prima da Cassandra, não tem como superar, mas certamente é melhor que Os Instrumentos Mortais, que além de ser uma série muito introdutória também foi a primeira experiência da autora.

A diversidade retratada nessa série tem uma importância social muito grande, então não tem como tirar mérito, mesmo com infinitos personagens tornando o negócio um tanto carregado, temos transgênero, bissexuais, homossexuais e até mesmo um trisal! Eu achei muito, muito legal toda essa representatividade, um dos pontos altos dessa trilogia que já está com espaço demarcado no meu coração!

4 estrelas

[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

4 comentários

  1. Mana, estou presa (quase terminando) essas primeiras 200 páginas infinitas até que encontrei a tua resenha no Skoob! Concordo com tudo que você disse sobre a Tia Cass moldar o caráter: saber que tudo bem ter a minha opinião e lutar como uma garota, é a melhor parte de crescer lendo histórias assim. Fico triste em saber que essa série não é melhor que As peças infernais, porque eu realmente esperava que a escritora fosse só decolar… mas não dá pra ter tudo neh? rs Obrigada pela resenha!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Ah, essas primeiras páginas são difíceis mesmo! Não via a hora de algo acontecer, hahaha.

    Sim sim, fiquei tão feliz ao perceber isso. Como eu era e como sou agora graças às coisas que li… porque as vezes a gente pensa que não tem tanta influência, né? Mas tem sim, por isso a leitura é tão importante.

    Eu também fiquei triste, estava esperando uma coisa épica, mas não foi tanto assim, na verdade eu já tinha imaginado tudo, por isso o desagrado, haha. Imagina, obrigada vc pelo comentário!! ❤️
    Bjs de luz ❤️❤️

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  3. Meu Deus, esse livro foi um pouco difícil de terminar. Mas foi muuuuuuuuito satisfatório, amei o desfecho dos personagens. E ficou muitos pontos soltos, ash, Ty, Dru e Kit e fora a loucura do epílogo… Sera q autora vai escrever mais??

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  4. Acredito que ela vá continuar sim, porque com aquele final em aberto… Acho que ela não teria colocado à toa, espero muito que não, fiquei muito curiosa, hahaha.
    Quero saber mais do Ash, já se tornou meu xodó, porque Sebastian era meu primeiro xodó 😂😍

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