Extras

Série X Livro [06]: YOU (Você).

Ressaltando as principais diferenças entre a série e o livro de "Você"

(Esse post contém spoiler da série e do livro aqui comentados)

Já faz um tempinho que Você fez sucesso na Netflix, mas eu demorei um pouco para ler e assistir a série, além de vários posts estarem programados na frente, então vai ficar por agora mesmo, sinto muito.

Eu falei minhas impressões quanto ao livro em uma mini resenha no Instagram, vocês podem conferir clicando aqui.

Mas enfim, vamos para a parte que realmente interessa: O que eu achei da série?

Para começar, quando eu vi que tinham 10 episódios, já fiquei meio desagradada, imaginei que o ideal para contar a história que era apresentada no livro seria uns 8 no máximo. Ao começar a assistir tentei pensar positivo, talvez fossem colocar coisas a mais para expandir o mundo, as personalidades dos personagens… Não foi bem assim.

Uma mudança que gostei foi terem colocado aquele garotinho, Paco. Ele não existe no livro e foi uma presença necessária para mostrar ao telespectador um lado mais humano de Joe. No livro, nós vemos tudo pelos olhos dele, o que é importante para a história que se conta, mas numa produção audiovisual, precisaria ser diferente e acho que o implemento de uma criança vivendo numa casa tão tóxica quanto àquela e sendo consolada por um vizinho que lhe dá livros novos e conforto foi um artificio bom e convincente.

Outra cena que ressaltou esse lado do Joe foi quando o Sr. Mooney o trancou na gaiola ao começar o trabalho na livraria, isso também nunca aconteceu no material original e é claramente usada para dar uma profundidade maior ao nosso protagonista.

Na adaptação também há todo um plot em cima da faculdade de Beck, onde seu orientador dá um ultimato e até mesmo a faz partir para um outro grupo, com outra professora, outra coisa que não existe no livro. Nele, a moça chegava a usar de seu charme para cima do professor e eles não tinham nenhum desentendimento.

A questão em torno do pai dela realmente existe no livro, mas as circunstâncias em cima disso são completamente diferentes. Existe aquele passeio no qual Joe a segue, mas ele não é pego em sua perseguição. Ele se esconde muito bem e ela não descobre o ocorrido em momento algum. Com isso, não há a cena do jantar e nem o que vem depois dela.

Beck realmente tem mágoas muito grandes quanto ao pai, mas ele só está com a esposa no original, não tem enteados nem filhos à caminho.

As amigas dela também acabam sendo melhor exploradas, no livro a única que recebe um destaque maior é a Peach, levando em consideração a paixão platônica e tudo mais, nunca houve um vazamento de vídeo de Annika, nem um contato maior de Joe com qualquer uma das meninas. Apesar de alguns plots terem sido bastante rasos, gostei disso, afinal, a série precisa ampliar a nossa visão dos acontecimentos e originalmente, as amigas de Beck não fazem diferença quase nenhuma no enredo.

Falando em Peach, toda a trama que tem ela é um tanto quanto diferente. Ela realmente não gostava de Joe, claro, era um empecilho entre ela e Beck, mas aquele negócio de roubo de livro e aquela quase perseguição que ela faz quando ele viaja para perseguir Beck não existem. A morte dela também é diferente. Lembram-se quando Joe dá uma pedrada na cabeça dela? No livro ela morre ali, não se recupera disso e, na verdade, foi naquela viagem que na adaptação foi colocada depois dela se recuperar. Ele de fato fica na mesma casa que elas, vê o que fazem, mas aquele quase ménage que aconteceu foi inventado, na realidade Peach foi para cima da Beck e só. Após esse acontecimento o clima ficou estranho e ela quis ir embora, a viagem para Paris também foi inventada. Joe aproveita uma das caminhadas matinais de Peach, a persegue e mata com a pedra, o que faz muito mais sentido. Na adaptação o homicídio ficou cheio de furos.

Falando nessa viagem, o acidente retratado também tem suas divergências com o livro. Além daquela agressão em cima dele, são outros motivos e outros personagens. Mas não são coisas realmente relevantes, então deixemos de lado.

Todo o plot de Blythe e Ethan também foi criado para a série, eles não fazem diferença alguma no livro. Igualmente para aquela festa de aniversário que fizeram para a Beck, no episódio 7. Acho que eles quiseram dar uma perspectiva diferente para o “término” deles, mas não sei, no livro ficou mais coerente. Beck era indiferente e deu um chá de sumiço para cima dele depois de vários acontecimentos. Na verdade, a garota gosta de ser o centro das atenções, esse é o grande ponto. Ela gosta de ser amada, admirada e a admiração de Joe e Peach alimenta seu ego.

Ela não escreve um livro sobre a amiga assassinada e o relacionamento de Joe com “Karen” também é explorado de forma diferente. Mas eu achei que esse assunto foi estendido por pura encheção de linguiça, não me desceu.

Candace mal é citada no livro, enquanto na série ela tem um episódio basicamente inteiro para ela. Beck não chega nem a saber de sua existência, apenas em divagações de Joe que temos contato com a personagem. Gostar ou não disso é um tanto quanto relativo. Sei que foi mais um episódio enchedor de linguiça, mas foi intrigante em alguns pontos, então… O que posso dizer? Apesar de tudo, acabou tendo alguma mínima utilidade.

Não é o garotinho que fala para Beck do esconderijo de Joe, ela descobre sozinha numa fase onde estava passando bastante tempo na casa dele e o próprio estava fora de casa, o esconderijo nem mesmo é no teto do banheiro, é na parede.

A morte de Beck não é mostrada, mas ela morreu asfixiada com papel que ele a faz engolir depois de enganá-lo e tentar fugir e não, o psicólogo não leva a culpa de nada. O livro termina com Joe encontrando mais uma vítima.

Também tem um detalhezinho ou outro que tem no livro, os contos que a Beck escreve (todos ruins), seu fascínio pelo filme A Escolha Perfeita (o Joe chega a assistir com ela, inclusive), os irmãos de “Karen”, a relação deles com o Joe, as infinitas citações ao Stephen King, enfim… Tiveram várias diferenças pequenas assim. Mas o final foi extremamente fiel (tirando a parte de Candace e de Paco, é claro) e acho que a série conseguiu refletir o mesmo clima que temos no livro, mas foi ainda assim uma experiência quase oposta, é preciso ressaltar.

No livro, como tínhamos o ponto de vista de Joe, eu tinha mais nojo dele. Ele tinha pensamentos mais sexuais e abusivos, o que me dava muito mais náusea. Sério, era realmente doentio. Na série eles acabam dando uma aliviada nesse lado e você consegue ter uma impressão menos horrível do protagonista, não que isso o torne bom, longe disso, apenas um pouco mais simpático, digamos.

Mas acho que esse é o único ponto que preferi na adaptação, todo o restante ficou melhor no livro, mesmo que tenha tido algumas partes maçantes, o ritmo é mais linear, na série temos episódios muito bons e outros completamente dispensáveis.

Porém, as duas obras são admiráveis e merecem um tempo para trazer reflexão e admiração, desde que estas venham do lado certo. Beck pode ser uma pessoa terrível, mas nada justifica o que aconteceu com ela, e não, Joe não é um homem romântico e apaixonado, ele é doente e precisava ser tratado. Não existe romantização aqui, precisamos ver as coisas como elas realmente são: problemáticas e criminosas. Sim, os atos de Joe são crimes e eu não me refiro somente aos homicídios. Tudo o que ele faz é tipificado. Nada de romance, temos um thriller psicológico pesado e mal interpretado.

 

[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

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