Resenhas

RESENHA + Filme X Livro [04]: It – A Coisa, de Stephen King.

Juntando a resenha com uma comparação de filme e livro de It: a Coisa.

Livro: It – A Coisa.

Autor: Stephen King.

Páginas: 1103.

Editora: Suma das Letras.

Lido em: 6 dias.

Skoob

Mais um livro do Stephen King que decidi juntar a resenha com um Filme x Livro e já adianto que adorei tanto o livro quanto o filme. Assisti a série também, mas não me prendeu muito não, então não falarei sobre.

Sinopse:

Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e… do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em ‘It – A Coisa’, clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Começando pelo livro… Eu venho tendo uma relação de amor e ódio com esse livro há tempos. Me interessei por ler lá em 2016, fui pesquisar, 1100 páginas, fiquei assim… Aí fui ler uma resenha com spoiler e olha… Vou soltá-lo aqui também, quem não quiser não leia, mas acho essencial saber para não ser pego desprevenido lá na frente. (Quem não quiser, pule o próximo parágrafo)

No final, como uma forma de juramento, a única garota do grupo, Beverly, faz sexo com todos os seis garotos. É uma cena desnecessária, eu acho que o Stephen King estava doidão quando escreveu aquilo porque sinceramente, não dá pra defender não. Estou ignorando essa cena em questão, pois a considerei apelativa e está colocada ali apenas para causar rebuliço, se eu fosse considerá-la, certamente o livro teria me agradado bem menos. Essa cena me fez criar um ranço gigantesco quando levei o spoiler, mas depois que assisti ao filme e vi diversas resenhas positivas, decidi que iria ignorar essa parte completamente, foi a melhor coisa que eu poderia fazer.

Enfim, o livro é dividido entre 1958 e 1985, em um ano o clube dos Otários é composto por crianças de 10/11 anos, enquanto no outro temos adultos de 38 anos que nem se lembram do ocorrido de 27 anos atrás. A princípio, a parte deles crianças é muito mais interessante. Às vezes me dava vontade de pular umas páginas para chegar nos capítulos de 1958, que me prendiam bem mais. Mas isso não tira o mérito deles adultos, teve uma questão com o marido da Beverly que meu Deus, eu quase morri querendo saber o que aconteceria.

O Stephen King segue sendo aquilo que eu sempre falo: tem um terror sobrenatural, mas o principal se encontra nas pessoas, em suas atitudes e aqui isso fica bem claro, pois essas crianças estão lutando contra um monstro milenar que poderia matar todas elas muito facilmente, porém, e se pensarmos nos pais de Bill, que consideraram o filho como culpado da morte do irmão mais novo e fingiam que o garoto nem existia? Ou a mãe do Eddie que fazia a cabeça do filho para que seu psicológico desenvolvesse uma doença que não existe? O pai de Beverly, que agredia a filha de uma forma brutal?

Eu me senti muito mais tensa em cenas com os pais do que com a Coisa, especialmente nas cenas do pai da Beverly. E o mais importante disso tudo é que vemos o reflexo que essa criação teve na vida adulta deles. No final das contas, quem foi o maior monstro na vida daquelas crianças: a Coisa, que os fez criar um grande vínculo de amizade e perseverança, ainda que arriscassem suas vidas nisso, ou seus pais, que os trataram de formas tão prejudiciais que os afetaram até a idade adulta? Fica o questionamento.

Além disso, no futuro, nenhum dos membros do clube dos Otários tem filho, eu acho que isso tem uma ligação tênue entre suas infâncias.

Outro personagem interessante a se ressaltar é um dos grandes vilões, Henry Bowers, que cresceu em uma casa racista, agressiva e fascista. Acredito que isso explique bem o porquê do personagem agir como age. Novamente, a criação.

Os questionamentos que esse livro me trouxe enquanto eu lia foram muito intrigantes e gostei de notar a grande montanha-russa de emoções que tive durante a leitura. Não foi à toa que li tão rápido. 1100 páginas em 6 dias? Isso é demais até mesmo para mim, hahaha. A história flui muito bem, eu fiquei até surpresa considerando que houveram poucas partes realmente desnecessárias. A grande maioria tem um motivo para estar ali, uma moral, talvez se a escrita do Stephen fosse menos descritiva, poderia ter menos páginas, mas aí já é uma questão além.

O que importa é que é um livro excelente que eu não poderia deixar de dar 5 estrelas. Ele não é perfeito, no final tem umas coisas meio viajadas que eu ficava lendo e me sentindo doidona, possivelmente da mesma forma que Stephen quando as escreveu, a diagramação também, demorei para me acostumar com sua forma, às vezes em terceira pessoa, às vezes em primeira, outras uma narrativa de 85 no meio das de 58 ou vice-versa… Demorei para pegar o jeito, mas no fim deu tudo certo.

As últimas 100 páginas são tiro atrás de tiro, já fiquem informados, porque olha… Doeu me coraçãozinho.

Só digo que esse tornou meu livro favorito do Stephen King, um autor que aos poucos está me conquistando.

5 estrelas

Ok, falemos do filme agora.

Tenho um carinho muito grande por It, foi um dos primeiros filmes de terror que eu gostei, já que geralmente estes são resumidos à jump scares e coisas sem moral alguma. Eu consegui ver um quê de crítica proveitosa ali e isso me agradou muito. Foi assim que dei oportunidade para outros filmes de terror.

As caracterizações foram excelentes, os atores de fato representaram como seriam os personagens na vida real. Gostei especialmente do Bill, da Beverly e do Richie (Finn Wolfhard maravilhoso desde Stranger Things). Estou curiosa para ver como serão os atores adultos agora. O único que não achei muito parecido é o James McAvoy, tirando o fato de que Bill é ruivo né, mas o que vale é a atuação, então esperemos para ver.

Ademais, fiz várias anotações sobre as mudanças no filme, para começar, os anos são diferentes, O livro se passa em 1958, o filme 1989 (cheguei a pesquisar, mas não sei o porquê da mudança), o corpo de George não é engolido pelo bueiro, pelo contrário, ele fica no meio da rua, sendo resgatado por vizinhos. O medo de alguns deles é diferente, o de Stan, por exemplo, na adaptação é um quadro, enquanto na obra original é relacionada à pássaros. O do Richie é lobisomem e não palhaço, como no filme, e a primeira vez que ele vê a Coisa é com o Bill, em um álbum de fotos de George. Por fim, o medo de Ben é de múmias.

Tem um encontro também, entre Bev, Richie e Ben que os três enfrentam Henry Bowers e aí se empeza a amizade dos três (não é algo que faça muita diferença, mas não deixa de ser uma divergência) e falando de Bev, a mãe dela está viva no livro. É uma participação bem pífia, mas está lá.

Aquela cena de Ben na biblioteca também é completamente diferente, assim como o fato dele ter um talento para a arquitetura não ter sido desenvolvido. Os garotos estavam fazendo uma espécie de barragem no Barrens e ele se mostra bastante competente. Há também toda uma pesquisa que os garotos fazem sobre a Coisa em outras culturas e eles descobrem que balas de prata podem ser úteis numa possível batalha, passando a produzi-las. No livro esse estudo deles para derrotar a Coisa é muito mais vigente que no filme, a parte de 58 é basicamente resumida a isso.

A questão de Eddie descobrindo da lavagem cerebral de sua mãe também é bem mais interessante. Henry e seus comparsas quebram o braço dele logo depois do garoto ter tido uma conversa com o farmacêutico da cidade e descoberto que o seu medicamento não passava de água da torneira. Há um embate entre mãe e filho no tempo em que ele está no hospital.

Existe uma discrepância enorme entre a família de Mike e a de Henry Bowers, considerando que os primeiros são negros e os segundos brancos preconceituosos. O pai de Henry chega a fazer o símbolo nazista no galinheiro da fazenda dos Hansom, é bem pesado e ao mesmo tempo mostra o pior lado do ser humano.

Patrick, um dos comparsas de Henry, é muito mal explorado na adaptação e eu acho isso triste. No filme ele só aparece no início brevemente e depois em cartazes de desaparecido, enquanto no livro, Bev vê a Coisa matando ele e descobre que o rapaz é nada mais, nada menos que um sociopata, tendo matado seu irmãozinho mais novo quando ainda bebê e possuindo uma geladeira com dezenas de cadáveres de animais. Nesse momento a Coisa parou de ser vilã e se tornou heroína para mim, honestamente. Quem dera se ao invés de focar na fé nas crianças, ela pudesse focar nesses psicopatas mirins (ou os adultos também)…

No filme há só um confronto com a Coisa, depois que Beverly é pega e tudo mais, no original não tem isso, na verdade, são dois confrontos, a preparação, digamos, e o quase final.

Durante as pesquisas, Bill descobre algumas crenças indígenas que podem ser úteis, sendo a Chüd escolhida para vencer a Coisa. E é essa a parte viajada que eu comentei lá em cima, tem toda uma questão de ficar língua com língua, quem rir primeiro perde e mais um negócio com uma tartaruga que olha… Muita loucura. Mesmo que até tenha sido intrigante, preferi o da adaptação. Muita viagem pro meu gosto, haha.

O George também só aparece bem lá no final, diferente do livro que vive fazendo aparições para Bill.

Está bem, acho que ressaltei bastante divergências. O importante a se dizer é que a essência está lá e o filme tem seu valor, destacando as partes mais importantes, como deve ser, e mantendo a moral e o conceito que realmente queremos ver. É um trabalho incrível de elenco, roteiro e direção que eu deixo aqui registrada toda a minha admiração.

É como eu digo, não tem problema fazer mudanças, isso se for uma coisa bem feita, que é o caso daqui.

Existem pessoas que não gostam do filme, mas eu sou da opinião de que assistiram errado, haha. Acho que o povo está tão acostumado com terror de péssima qualidade que quando vai ver algo bom não consegue reconhecer, acontece.

5 estrelas

Eu ia fazer mais um Filme X Livro para Caixa de Pássaros, mas sinceramente, achei o filme superestimado e não me deu ânimo para escrever um post inteiro sobre isso. Então vou resumir minha opinião à: Livro excelente, filme mediano, não consegue manter o mesmo clima de suspense do livro.

Veremos o que trarei pra vocês no lugar desse post. Até sexta!

[Meu Skoob para quem quer estar por dentro de minhas próximas leituras]

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