Vida de escritora

O relato de uma autora frustrada com o mercado editorial brasileiro.

Um desabafo honesto de uma autora revoltada.

Sinceramente, pessoal, usarei esse post como uma forma de desabafo.

Eu terminei meu livro no dia 01/12 e assim, é uma sensação indescritível. Bateu as 424 páginas no Word, era muita história para ser contada e eu fiquei tão feliz de ter finalizado esse trabalho tão importante para mim!

Já contei em outro post sobre o porquê desse livro ser importante, vocês podem ler clicando aqui. Em resumo, ele me ajudou muito com o transtorno de ansiedade e declínio nítido que eu estava tendo para uma depressão.

Ele me deu motivações e é a coisa mais linda que eu já tive na minha vida. A relação que eu criei com os personagens e com a própria história… Chorei ao acabar, para vocês terem noção, porque me doía muito despedir-me dos meus personagens ao mesmo tempo que suas histórias já estão findadas, não há mais o que contar e um projeto finalizado é sempre aprazível.

Estava feliz da vida. Antes de terminar, eu havia conversado com uma outra escritora, tinha a intenção de publicar com a editora Verus, como ela tinha livro publicado com eles, fui falar com ela. A dica dela foi encontrar uma agencia literária, pois eles tem um contato direto com as editoras maiores, já que as próprias raramente abrem os e-mails para ler um original (um absurdo simplesmente).

Ok, terminado o livro, mandei o documento dele para a agência. 1200 reais a análise, tutu pom?

Achei uma coisa fora do normal, então fui conversando com a mulher que estava me atendendo para entender melhor isso, não era possível que uma mera análise custasse esse absurdo! Ok, ela me explicou que deu isso por causa do número de caracteres, porque estava muito grande, etc, etc. Até aí tudo bem, continuei questionando ela um pouco mais e eis que ela me vem com essa:

Dificilmente uma editora vai investir num livro desse tamanho, único, de uma autora nacional.

Já deixo avisado que posso perder a paciência a partir daqui.

Desesperei-me com isso, sabe? Foi uma sensação terrível de que eu não era boa o suficiente, de que meu sonho estava sendo rasgado no meio (quase choro falando isso), eu fiquei muito mal, minha ansiedade atacou.

Tive um surto. Em lágrimas desesperadas fui procurar mais informações, achar alguma saída. Vou continuar expondo nomes, pois aqui só trabalho com veracidade. Li o relato de uma autora também nacional reclamando que a Editora Pandorga cobraria 16 mil reais para ela, uma escritora independente, publicar seu livro.

Assim, gente, 16 mil reais é muito dinheiro. Vocês tem noção de que o salário mínimo não chega a 1000 reais?? Aparentemente essa querida editora não tem, porque olha…

Acredito que os envolvidos por trás deveriam ter ideia de que um escritor dificilmente será rico. Muito pelo contrário, escrever nessa merda de país é horrível. Você não é valorizado, se mata para pouco reconhecimento… Eu só consigo ter nojo, sinceramente, prometi para mim mesma que nunca compraria nenhum livro dessa editora, queimaram-se totalmente comigo!

Seguindo na minha busca aflita por alguma saída, entrei em contato com algumas editoras pequenas, aliás, todo o meu amor para o pessoal da Hugin & Munin! Extremamente atenciosos e hospitaleiros, já falei que eles são incríveis e vou repetir aqui, porque fui muito bem atendida.

Enfim, encontrei editoras novas que são muito mais respeitáveis com seus autores do que essas renomadas, e nem mesmo cobram para publicar um livro. Mas, ainda assim, meu coração ficou despedaçado. Criei muita expectativa em cima da Verus, sessão de autógrafos, divulgação pelos país…

A mulher da agencia ainda falou que depois da análise ela poderia indicar algumas partes para cortar do livro, para ele ficar mais comercial, do jeito que as editoras querem.

Francamente? Em primeiro lugar que se eu quisesse cortar essa porra eu nem mesmo teria escrito. Se está lá, é porque tem algum significado, seja para mim ou para o enredo. Fiquei tão possessa com isso. Em segundo lugar que acho isso uma puta falta de respeito do caralho.

Vamos citar Diana Gabaldon de novo aqui? Nem é uma autora tão renomada, mas tem livros com mais de 1000 páginas publicadas sem grande drama. Victoria Aveyard me faz a cachorrada de escrever 700 páginas para aquela porcaria de Tempestade de Guerra e ninguém teve problema para publicar também.

Ok, o meu problema então é ser brasileira? Por ser brasileira eles me subestimam e julgam que não posso ter um livro acima das 400 páginas, é isso mesmo?

Pois eu digo para essas editoras que o que fazem é um desrespeito gigantesco. Está certo que o próprio público brasileiro subestima os autores nacionais, mas com essa falta de atenção e divulgação, o preconceito só aumenta, não percebem? Se a própria editora não põe fé na gente, por que os leitores vão pôr, não é mesmo? Sem mais, é desrespeitoso, presunçoso e nojento. Sim, eu tenho nojo.

Depois de tudo isso que ouvi comecei a me sentir um grande lixo. Tive uma recaída que não tinha há tempos na ansiedade. Fiquei desanimada, desmotivada… Foi um dia terrível, simplesmente, era meu sonho se desfazendo bem diante dos meus olhos e doeu de uma forma que eu nem saberia explicar.

Com isso fiquei pensando, eu faço tratamento pela ansiedade, com certeza só não decaí completamente a ponto de fazer algum mal a mim mesma pois há quase um ano venho tratando esse mal que me consome, mas e os autores que não fazem tratamento ou não tem dinheiro para tanto?

É, colegas editores, vocês ajudam no indicie de depressão desse país. Disso eu não tenho mais dúvidas.

Essa maneira porca de só pensar no comércio e desdenhar dos talentos que temos no nosso país é causa de fazerem pessoas se sentirem mal, desmotivadas.

Queria ter um público suficiente para ler esse relato dramático, mas sincero, e fazermos juntos algum tipo de boicote, reclamação em massa ou qualquer coisa assim, porém infelizmente não tenho. E o mercado editorial brasileiro vai continuar sendo uma grande de uma merda, por isso eu digo para todos os escritores ou futuros que eu alcançar com esse post:

Deixem a ambição de lado, procurem apenas manter a identidade da sua obra, que indubitavelmente é o mais importante. Peguem essas editoras pequenas que não cobram para a publicação de seu livro, ou vão na Amazon, que você tem total autonomia. Vocês têm talento sim, a única coisa que não têm é apoio, muito menos merecimento para serem tratados com tanto descaso.

Meu Inalcançável foi mandado para duas editoras respeitosas, estou esperando a Hugin Munin liberar o envio de originais para mandar para eles também, que são uns amores, se eles aceitarem da forma como está ou com mudanças mínimas, tudo bem, se não ficarei apenas na Amazon, onde tenho autonomia completa sobre minha obra e sua identidade.

Ademais, sou só uma, mas já gravei as editoras que têm contato com aquela agência para não ser mais uma cliente deles. Está na hora de valorizar o que é daqui, nossa raízes, nossa personalidade brasileira! Aqui pode ter muita coisa ruim, mas também tem muitas boas e paremos com essa síndrome de vira-lata, pelo amor de Deus!

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