Resenhas

Filme X Livro [03] + RESENHA: O Iluminado.

Juntando uma resenha de O Iluminado com a comparação da adaptação e livro.

Vamos falar de Stephen King?

Admito que sou um tanto leiga no assunto, só havia lido Carrie, a estranha. E acho que já até comentei que o livro não me agradou tanto quanto eu esperava.

Mas ainda assim eu gostei, e aquele era o primeiro livro do autor, Razão & Sensibilidade, da Jane Austen também não é exemplo, não chega nem perto de ser meu favorito, Cidade dos Ossos igualmente, não é grandes coisas, e essas são minhas escritoras favoritas da vida, se elas não eram exemplos quando começaram, por que Stephen precisava ser, não é mesmo?

Pois bem, decidi-me por ler outro livro, dar outra chance para ele. Queria ler It primeiro, mas teve dois fatores importantes para eu deixar a ideia de lado:

1) 1100 páginas assustam.

2) Está muito caro, meu deus, tem lugares que passa dos 80 reais, acho um absurdo.

Com isso fui para O Iluminado, que já tinha uma fama legal por causa do filme e tudo mais. Lembrando que esse post falará do filme, mas deixarei essa parte para o final, vamos falar exclusivamente do livro primeiro.

Eu achei o início um tanto confuso. Aquelas frases entre parênteses que tinha entre alguns parágrafos pareciam despropositadas a princípio, com o decorrer da história que você vai entendendo porque elas estão ali. O poder de Danny também me deixou meio confusa.

As primeiras 60 páginas foram estranhas para mim, porque era aquela coisa de apresentar personagens, a vida deles antes dos acontecimentos principais. Nos é mostrado a Wendy, esposa do protagonista que, sinceramente, é a personagem menos interessante. Ela tem uma profundidade, temos conhecimento de uma história relacionada à sua mãe e irmã mais nova, mas em geral, Danny e Jack roubam bem mais a cena. Danny é o iluminado, quem dá título ao livro, ele tem um dom, para as linguagens de hoje em dia, diríamos que ele é um sensitivo bastante evoluído, mesmo com seus poucos 5 anos. Também é um garoto muito inteligente e carismático.

Já o nosso protagonista, Jack, é um alcoólatra em tratamento, ele era professor, mas foi demitido do emprego por agredir um aluno, também é escritor, estando em um bloqueio criativo quando a história começa. Ele foi problemático desde a infância, seu pai era alcoólatra também. No momento que o livro começa, seu amigo, antigo companheiro de bebedeiras, arranja um emprego como zelador de um hotel a qual é sócio, Jack levaria sua família e ficaria na temporada a qual o hotel é fechado, pois o inverno deixa o local soterrado de neve.

Temos a nossa premissa principal exposta a partir daí.

Esse hotel tem uma longa história de ex proprietários e acontecimentos bizarros. Jack encontra uma espécie da caderno que guarda todas as informações desde que o lugar foi construído, com várias manchetes de jornais e coisas assim. Em certo ponto ele acha inspiração nisso e se decide por escrever um livro sobre.

Preciso ressaltar o quão incrível esse livro é.

Você sabe exatamente como começa e como termina, mas o atrativo dele está no desenvolvimento das coisas. Você vai sentindo Jack enlouquecendo aos poucos e é como se estivesse enlouquecendo junto com ele. Também é possível sentir a atmosfera assombrosa do hotel junto com os personagens. No final das contas, o protagonista acaba sendo o hotel. É como se ele realmente tivesse vida própria e fizesse a cabeça de Jack para levá-lo no ponto que chegou.

Não sei quanto a vocês, outras pessoas que leram o livro, mas para mim o verdadeiro terror, o verdadeiro monstro dessa história foi o álcool. Na doutrina espírita acredita-se que o indivíduo fica mais suscetível a ter influência de entidades quando se envolve com bebidas. O personagem não estava mais bebendo, no entanto o processo de recuperação, da abstinência, também deixa a pessoa mais aberta a esse tipo de coisa, o que certamente influenciou Jack a se tornar aquilo que vimos no final.

Além disso, ele agrediu de forma brutal o próprio filho antes mesmo de ir para o hotel, exatamente por causa do que? Da bebida!

Gosto muito desse fator no Stephen King, o terror de verdade não se encontra nas partes sobrenaturais da história, mas sim na mente, na maldade humana, o que tem de ser nossa principal preocupação, afinal. Falo como uma pessoa que largou o medo de fantasmas e coisas do tipo depois que um homem invadiu sua casa com ela sozinha em casa. No final das contas, nós, humanos, temos que ter medo apenas de nós mesmos.

O final foi a única coisa que me decepcionou um pouco. Minha imaginação foi longe, especialmente se formos falar do amigo imaginário do Danny, o Tony. Pensei que era outra coisa, completamente diferente do que realmente foi. As perseguições também, preferi as do filme, mas isso fica para daqui a pouquinho…

Finalizando a parte da resenha: Indico esse livro para qualquer pessoa. Sério, quem tem medo de terror, não se preocupe. Como eu falei anteriormente, o vilão é algo mais abstrato, mostrado de uma forma metafisica. O desenvolvimento é excelente, todos os acontecimentos, os pensamentos dos personagens, é tudo muito bem trabalhado. Só me decepcionei um pouco com o final, mas não por ser ruim, apenas porque a minha imaginação foi um pouco mais longe do que deveria e frustrou minhas expectativas próprias, mas pode ser que para outras pessoas seja diferente.

4 estrelas

Agora vamos falar do filme, sim?

Ele é de 1980, dirigido por Stanley Kubrick, somente um dos maiores diretores de todos os tempos. Pouca coisa, né? (Ironia)

Eu me decidi por assistir ao filme um pouco antes de terminar o livro. Faltava cerca de umas 100 páginas quando eu assisti (não, eu nunca tinha assistido antes). Já sabia das grandes polêmicas envolvidas na produção, o ranço do Stephen King e os problemas com o elenco, mas mesmo com essas coisas a adaptação é considerada um clássico, então tentei deixar de lado essas percepções e focar na qualidade do filme e, me desculpem os admiradores, mas eu não consegui.

Por influência do livro? Sim, exatamente por isso.

O roteiro não chega nem perto da grandiosidade da obra original.

Uma coisa que eu senti muita falta foi cenas de Jack com seu filho. Nas páginas eles tem uma ótima relação, tanto que Wendy acaba por segurar os seus ciúmes em alguns momentos, para não se tornar o mesmo que a mãe dela se tornou, nas telas não nos é mostrado esse lado dos personagens.

Para começar que logo na primeira aparição de Jack no filme, ele já tem cara de louco. Depois que terminei de assistir, descobri que o próprio autor teve essa mesma concepção e entendo um pouco de sua revolta. Não querendo criticar a atuação do Jack Nicholson, pelo amor de Deus, o cara foi incrível, inclusive o acho o pilar desse filme, ele junto da direção carregaram o filme nas costas e para mim isso não tem nem discussão, mas é inegável que você olha para cara de Nicholson e já imagina ele fazendo aquela barbaridade do final. O cara fez o coringa alguns anos depois desse filme! É claro que ele tem cara de psicopata.

Ok que ele estava se recuperando de um vício e tal, mas ele ainda não era exatamente louco, ele foi ficando mais e mais conforme convivia com o hotel.

Enfim, faltou essa relação pai e filho que bem vigente no livro. Também faltou atuação no garotinho, compreendo que fazer uma criança esboçar reações deve ser uma grande merda, mas temos alguns pirralhos prodígio por aí, realmente nenhum deu as caras nos testes de elenco? O Danny é o personagem mais importante da trama, acho que merecia uma personificação melhor.

A Wendy também é problemática, a atriz não bate nada com as características da personagem original e, Deus sabe que eu não posso julgar ninguém, mas eu acho mais capaz alguém ter se assustado com ela do que com Jack. Ela é bem estranha e entrega uma atuação meio medíocre. Sabe-se que a atriz, Shelley Duval, teve problemas sérios com Kubrick, talvez isso tenha influenciado na atuação. O roteiro também desvaloriza bastante a personagem, que vira uma junção de gritos e choro em grande parte do filme, outro ponto que gerou reclamações justificadas do escritor.

Mesmo que não seja interessante, Wendy é uma mulher guerreira que lutou pelo seu filho até o último instante no livro, é incrível ver sua força, na adaptação ela é uma passiva que aceita tudo com aquela cara de sonsa. Um desperdício!

Acabei de lembrar que em nenhum momento é mostrado o problema que Jack teve com o aluno, uma cena que é importante para compreendermos um pouco mais o que o levou ao fundo do poço.

Para não dizer que eu detestei o filme, preferi o final dele ao do livro. Não tem como negar que aquela cena das machadadas é simplesmente épica. A parte da perseguição do labirinto também é muito mais aflitiva que a do livro, ao menos para mim. E compensam um pouco a misoginia de Wendy no filme todo fazendo ela salvar a si e ao filho sozinha (nas páginas, o cozinheiro, Hallorann, os ajuda).

Aliás, falando do cozinheiro, ele precisava mesmo morrer? Até entendo que provavelmente quiseram mostrar que Jack havia perdido completamente o discernimento e não hesitava em matar uma pessoa, mas ainda assim acho que seria legal mantê-lo vivo, no epilogo temos uma cena bem interessante que mostra ele conversando com Danny, onde o garoto se abre com ele sobre a questão de serem iluminados e tal.

O único detalhe o qual o livro mantem sua superioridade é no desfecho da Jack, que não morre congelado, mas sim queimado, pegando fogo junto com o hotel, ou seja, ele ruiu junto com o que levou o próprio a insanidade. Muito mais poético e condizente com o enredo.

Ah, e aquele final mostrando Jack na foto do hotel, eu não entendi muito bem, criei minhas teorias, mas não sei se estou certa. Possivelmente minha imaginação foi longe mais uma vez, se alguém entendeu, favor comentar, agradeço.

Por fim, vale ressaltar a direção do filme. Não sou uma grande admiradora ou conhecedora do cinema, mas as posições da câmera, as movimentações também, são louváveis, mantiveram um clima de suspense bem interessante durante o filme todo.

E é bom lembrar que não é aquele tipo de terror com jump scares, é uma coisa mais psicológica, intrigante por ver o alcance da mente humana, não dos seres sobrenaturais.

Em conclusão, o filme é ótimo nas partes técnicas, mas o roteiro decepciona, não chegando nem a sujeira do pé do livro, faltou um incremento na questão da insanidade do protagonista, que já parecia doido, só faltando um empurrãozinho para chegar lá, ao mesmo tempo que ele foi o único personagem bem interpretado. Já vi pessoas falando que Stephen reclama do filme porque ele conseguiu superar a obra original, eu sinceramente não sei que versão pirata é essa que leram de O Iluminado, porque a mesma que eu li com toda a certeza não é. Talvez seja bom se você desconsiderar o livro, mas se se lembrar da existência dele, a adaptação fica infinitamente inferior.

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