Resenhas

RESENHA: O Assassinato de Roger Ackroyd

Autor: Agatha Christie

Número de páginas: 264

Tempo de leitura: 4 horas e 46 minutos

 

Uma misteriosa sequência de três crimes. Uma velha senhora desconfiada. Um famoso detetive belga de férias, procurando alguma emoção. Este é o ponto de partida de O assassinato de Roger Ackroyd, um dos mais famosos romances policiais de Agatha Christie, em que está presente seu estilo inconfundível de promover uma verdadeira ciranda de suspeitos, em que o leitor é envolvido e para a qual ele é convidado a usar toda a sua inteligência e perspicácia.

Em uma noite de setembro, o milionário Roger Ackroyd é encontrado morto, esfaqueado com uma adaga tunisiana – objeto raro de sua coleção particular – no quarto da mansão Fernly Park na pacata vila de King’s Abbott. A morte do fidalgo industrial é a terceira de uma misteriosa sequência de crimes iniciada a de Ashley Ferrars, que pode ter sido causada ou por uma ingestão acidental de soníferos ou envenenamento articulado por sua esposa – esta, aliás, completa a sequência de mortes, num provável suicídio.

Os três crimes em série chamam a atenção da velha Caroline Sheppard, irmã do Dr. Sheppard, médico da cidade e narrador da história. Suspeitando de que haja uma relação entre as mortes, dada a proximidade de Miss Ferrars com o também viúvo Roger Ackroyd, Caroline pede a ajuda do então aposentado detetive belga Hercule Poirot, que passava suas merecidas férias na vila.

Ameaças, chantagens, vícios, heranças, obsessões amorosas e uma carta reveladora deixada por Miss Ferrars compõe o cenário desta surpreendente trama, cujo transcorrer elenca novos suspeitos a todo instante, exigindo a habitual perspicácia do detetive Poirot em seu retorno ao mundo das investigações.

Deixando avisado no começo que essa resenha estará cheia de spoilers, principalmente sobre o final do livro.

Sempre que eu falava de algum livro maravilhoso para minha mãe, ela me perguntava se eu já havia lido algum da Agatha Christie. Nunca dei muita bola pois nunca vi minha mãe como alguém que estivesse uma boa experiência literária. Caramba, como eu deveria ter ouvido.

Depois de um tempo, acabei esquecendo a fixação de minha mãe por ela. Até que comecei a procurar algo novo para ler no Kindle e os livros da autora sempre apareciam. E com umas capas muito bonitas por sinal. Sabe quando você sabe que alguém te falou muito sobre algo, mas você não lembra exatamente quem? Essa era minha sensação.

Conclusão. Li o livro inteiro, tive que parar por alguns minutos para processar a informação dos últimos capítulos e fui falar com minha mãe. Ficamos quase uma hora conversando sobre os livros da autora e a Amazon acabou de me enviar o email de confirmação do box 1 da Agatha. Acho que não é necessário dizer o quanto amei esse livro.

Preciso dizer que não achei muito interessante no começo. Você fica curioso para saber quem é o assassino, mas não é aquela trama que não te deixaria dormir.

O livro é extremamente bem escrito e o detetive Poirot me lembra muito Sherlock Holmes.

Só tenho duas críticas à fazer. A primeira é a quantidade de personagens com nomes parecidos. Como muitos são familiares, pessoas que trabalham juntas, todas pessoas próximas, os personagens são apresentados muito rapidamente e ao mesmo tempo, o que prejudica um pouco até a metade do livro. Depois acostuma, mas leva um tempo.

A segunda crítica, é sobre o personagem Poirot. Em vários momentos do livro, ele solta pequenas frases e exclamações em francês. Algumas são possíveis de entender porque são parecidas com o português, outras eu só entendi porque entendo um pouco do idioma, mas outras eu não faço ideia. Eu não gosto de deixar partes que não entendi para trás, mas também não quero ficar pesquisando o que cada frase significa. É completamente possível entender o contexto, mas nada muito específico, o que talvez possa dificultar um pouco o entendimento do livro.

Fazendo um apanhado geral dos personagens coadjuvantes, Parker e Carolina são os esteriótipos do mordomo exemplar e da mulher fofoqueira da cidade. Nunca achei que Parker seria o assassino, seria um clichê muito grande, mas confesso que Carolina passou pela minha cabeça algumas vezes. Não sei que motivos ela teria para fazer isso, mas até agora estou surpresa com o verdadeiro assassino.

Também era óbvio que não seria Ralph. Todas as evidências apontavam para ele desde o princípio, o que já deixa claro que não era ele. Em livros, filmes, séries, sempre que o autor tenta incriminar um personagem desde o começo, já saiba: não é ele.

Flora e Mrs. Alckroy foram minhas suspeitas, principalmente a mais nova. Ela parecia ser muito boazinha, muito perfeita, nunca confio em personagens assim. Mas quando alguns personagens começaram a suspeitar dela, eu sabia que não seria. E Mrs. Alckroy, bom… Ela é meio desprovida de neurônios, digamos assim. Só alguém inteligente poderia cometer um crime daqueles.

E claro, temos o verdadeiro assassino. O narrador da história, Dr. Sheppard. Em alguns pontos, podemos ver que ele está conversando com o leitor, o que deixa claro que ele está relatando algo que aconteceu.

O maior defeito de histórias narradas em primeira pessoa é que temos apenas um ponto de vista, o do narrador. Só que a grande sacada desse livro é que é como se fosse um diário, algo que aconteceu antes. Não quer dizer, necessariamente, que o autor escreverá absolutamente tudo do jeito que aconteceu.

A única parte em que temos o narrador falando do presente, é o último capítulo, o resto é tudo no pretérito. Não quer dizer que o Dr. mentiu naquilo que escreveu, só que ele não escreveu tudo, pulou algumas partes.

Sabe quando, em Sherlock Holmes, Watson escrevia e publicava todos os seus mistérios resolvidos com Sherlock em seu blog? Foi basicamente isso que aconteceu nesse livro. A diferença é que Watson não era o assassino.

O que levaria Dr. Sheppard a ajudar a policia e os investigadores? Aí já é um pouco mais complicado. Nunca fica claro no livro, o máximo que podemos fazer são algumas suposições.

Talvez porque ele não quisesse ser suspeito. Depois de um tempo, descobrimos que ele foi a última pessoa a ver Roger Ackroyd vivo, mas quem suspeitaria de uma pessoa completamente devota à desvendar esse crime?

Talvez ele apenas estivesse tentando incriminar outra pessoa. Ele não teria como fazer isso se não soubesse do andamento do caso. Mas essa é a teoria que menos me agrada já que, mesmo todas as acusações apontando para Ralph, Sheppard sempre disse que ele não poderia ser o assassino.

Ou talvez ele fosse louco e tudo isso era apenas uma brincadeira para ele. No fundo, ele sempre soube que seria pego. Nunca soubemos de pessoas que ele realmente amava, apenas sua irmã. Se não estou esquecendo de ninguém, todos seus amigos morreram e ele sempre fez parte dessas mortes. Tudo poderia ser apenas um grande jogo em sua cabeça, um jogo em que era engraçado ver todos dando voltas e mais voltas à procura do verdadeiro assassino, quando ele, na verdade, estava apensas assistindo de camarote.

Esse livro é absolutamente maravilhoso, principalmente seu final. Acredito que quando você lê, sabendo quem é o assassino, seja possível perceber pequenas pistas, mas na primeira vez, simplesmente não dá.

Lerei novamente e talvez essa resenha seja atualizada, mas, até lá, só deixo aqui o meu mais completo amor por esse livro.

5 estrelas

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