Vida de escritora

Diário de uma escritora [02]: Como ter ideias para criar histórias?

Dando dicas para escritores em relação a ideias novas.

Vou falar de escrita hoje de novo (primeiro post sobre o assunto vocês podem encontrar clicando aqui) , dessa vez é uma forma de relatar os instrumentos que eu encontro para escrever e de dar dicas para o escritores que precisam também.

Como o próprio título diz, contarei como tive ideias para escrever minhas histórias. Novamente cito aqui, tenho seis fanfics espelhadas pela internet e estou escrevendo um livro, além de ter anotações para um segundo já. Para falar a verdade, não sou a melhor pessoa para dar dicas nesse quesito, mas vou tentar ajudá-los, hahaha.

A minha primeira fanfic eu nem mesmo vou colocar link aqui, porque era muito ruim, hahahahaha. Eu não a exclui, mas também prefiro não me expor, o que importa é dizer como criei o enredo dela.

Eu me tornei escritora sem nem mesmo perceber que o estava fazendo. Estava numa época de ler muitas fanfics, passava o dia inteirinho lendo fanfics, especialmente às do RBD (uma curiosidade inclusive, o título do meu primeiro livro foi inspirado em uma música do grupo, nem foi proposital, mas acho válido dizer que foi homenagem, afinal, de certo modo, virei escritora por causa deles, não é mesmo?), teve uma em específico que eu nem estava gostando tanto assim, mas ela parou bem na metade em uma cena onde houve toda uma comoção com uma personagem no topo da escada e o princípio de uma discussão.

Guardem essa informação.

Pois bem, como dito antes, a fanfic terminou no meio, e eu fiquei simplesmente revoltada, pois era um momento fatídico para a história e eu queria saber o que aconteceria posteriormente. Fiquei dias com aquele final na cabeça, imaginando o que poderia acontecer, e com isso, veio a ideia.

Não tinha nada a ver com a original, tipo, nada mesmo, juro. A única coisa que eu queria mudar, tanto pela continuidade, quanto pela ação da personagem, que eu reprovei, era a cena em questão do topo da escada. E que forma melhor de mudar se não pegando e fazendo eu mesma uma história, da forma que eu queria?

Foi idiota, mas assim que eu virei escritora, hahaha.

A história era de um triângulo amoroso, colegial, clichê ao máximo, além de mal estruturada, eu nem sabia o que fazia direito, sabe? Eu só escrevia e boa. Depois de certo tempo escrevendo aprendi que o ideal é fazer anotações, idealizar a história inteira para depois começar a escrever realmente, só que na época eu não tinha experiência. Ia jogando um monte de acontecimentos, usava de recursos ruins. A ideia até que era boa, o problema era a execução.

Continuando com meu claro complexo de “odeio coisas pela metade”, minha segunda fanfic veio da mesma forma, só que era com uma fanfic que eu estava amando e foi deixada pela metade! Queria continuação e, novamente, que outra forma melhor se não eu mesma fazê-la? Reescrevi de forma mais qualificada todos os capítulos que já tinham e fui moldando a história sozinha depois de passado estes.

A qualidade já era melhor, porque esse tinha que ter um planejamento melhor, sim? A outra eu tirei toda a ideia de uma única cena, essa não, eu tirei a ideia de uma fanfic que já tinha cerca de 20 capítulos as quais eu queria um final x. Eu tinha tudo certinho na cabeça, porém, tornei-me aquilo que mais abominava, a autora que deixa a história pela metade. Fazem 3 anos que não atualizo aquela fic, haha, chega a dar dor no coração de lembrar!

Enfim, companheiros de profissão, achar inspirações em materiais que já existem é uma boa, você só precisa ser original de alguma forma, haha.

A terceira eu escrevi junto de uma amiga, minha melhor amiga da época. Era de Percy Jackson, nós éramos obcecadas por Pernico, fazíamos RPG, compartilhávamos fan arts e por aí vai. Combinávamos de escrever uma fanfic há tempos. Até que eu escrevi o prólogo e a partir daí o entusiasmo tomou conta e começamos de uma vez.

Essa também foi uma zona, nós só escrevíamos sem ter noção para onde estávamos indo, que moral queríamos passar com a história. Eu me ferrei depois porque acabamos por brigar e eu fiquei pra escrever o final sozinha, porém, ao mesmo tempo, acho que foi a mais divertida de escrever. Serviu para nos unir mais por uma paixão ainda maior: a escrita.

Essa eu já vou deixar o link porque é melhorzinha, apesar de ainda não ser exemplo, foi legal de escrever e guardo boas lembranças. Não tem muito segredo aqui quanto a ideia para escrevê-la, existia toda uma história dos livros que transpassamos de forma diversificada para formarmos o enredo que bem entendíamos.

The Heart Wants What It Wants, minha fic de A Seleção, foi diferente. Acho que foi a que eu mais coloquei criatividade para originar. Comecei a pensar: E se os papéis fossem invertidos? America sendo princesa e Maxon sendo um plebeu? A partir daí criei toda a história, conversando com a minha grande parceira, nunca esquecida em nenhum post meu, Laura. Queria que fosse uma espécie de Romeu e Julieta, eles queriam ficar juntos, mas alguma intriga faria isso ser errado, proibido. Foi assim que criei a premissa principal: Dois reinos inimigos, Maxon um infiltrado do país inimigo de Illea, aonde America seria a princesa, ele seria o responsável por matá-la quando chegasse um momento ideal para tanto, mas claro, ele se apaixonaria, o que o deixaria oscilante. Além disso, também queria colocar America como uma “Guerreira”, eu falei sobre isso na resenha da série, repetirei aqui: Minha intenção era colocá-la lutando em uma batalha que teria no final. O fato de no desfecho original ela ter sido jogada de escanteio sempre me incomodou, então na minha história eu queria que fosse diferente.

Não cheguei a colocar a ideia em prática, pois ainda não a terminei. Na realidade, pretendo reescrevê-la daqui a um tempo. A intenção era boa, a execução foi mal feita. Deixei o entusiasmo dominar e isso foi ruim, não deixem que isso aconteça.

Como vocês podem ver, tenho uma grande queda por romances proibidos, assim começamos a falar da minha fanfic mais famosa pela net, a mais polêmica também, Live & Let Die. Bom, eu disse que é polêmica, então se preparem para a bomba principal: Ela é de incesto. Irmão com irmão.

Eu já tinha um crush gigantesco pelo Sebastian, de Os Instrumentos Mortais, e me perguntava como Clary, mesmo que fosse irmã, conseguia resistir a ele. Quando assisti a primeira temporada de American Horror Story foi como se uma luz se ascendesse em minha cabeça, me dando a ideia dessa fanfic. Tate e Violet. Hoje eu sei que é errado tudo o que aconteceu entre eles, não apoiaria que eles ficassem juntos se assistisse aquela temporada hoje, mas na época me deixei levar e entusiasmar. Queria fazer uma versão de Tate e Violet só que minha, dessa forma tive que pensar muito: Que forma eu poderia colocá-los na mesma casa sem envolver assuntos sobrenaturais? Aí me veio Clary e Sebastian e eu decidi: Eles seriam irmãos.

Não me levem a mal, eu tenho um irmão e nem com uma arma apontada para a minha cabeça ficaria com ele de alguma forma, é licença poética, me deixem, hahahaha.

Essa fanfic é de Amor Doce e foi fácil decidir qual paquera colocar para ser o “meu Tate”. Que outro tem mais inclinação para a psicopatia além de Armin (quem já jogou sabe)? Precisava ser ele, e assim também criei Beatrice. Vale dizer: Eu sou Beatrice e Beatrice sou eu. Inspirei-me em mim mesma numa fase difícil da vida para criá-la e, sabe, para muitos essa premissa de menina depressiva sendo consolada e curada aos poucos pode parecer errada, mas eu queria muito isso na minha época e, assim, eu sempre tentava deixar claro de alguma forma que, no fim das contas, seu único herói é você mesmo, porque essa é a real, algumas noites quando tinha crise de ansiedade, torcia para os meus pais irracionalmente pressentirem e irem para o meu quarto, ver minha situação, ajudarem, mas nunca aconteceu, porque tudo dependia de mim e sempre será assim.

Apareciam várias garotas me contando de seus casos de depressão, de seus Armins que faleceram ou não estavam mais ao lado delas por motivos diversos, então eu sinto que apesar de tudo, esse é o meu maior e melhor trabalho, pois consegui ajudar e conversar com bastante gente que precisava de apoio. Eu sempre vou ajudar quem precisa nessas questões psicológicas, vivi isso tanto por minha própria óptica quanto com uma antiga melhor amiga, que é bipolar. Sinto que essa é a minha causa, ninguém merece sofrer com ansiedade, depressão e similares.

Ademais, mesmo que seja, por certo ângulo, “errado” retratar a depressão dessa forma, acredito que todos precisam daquele apoio em momentos ruins, sendo depressivos ou não, e, no final das contas, Armin é isso para Beatrice, um apoio, não uma dependência.

Sentia que precisava justificar isso, desculpem, haha.

Após essa tive uma outra que acabei por excluir posteriormente porque eu achei que seria uma história maravilhosa, fácil de ser contada, mas na prática foi complexo colocar as palavras para fora.

Queria retratar a anorexia e bulimia. Novamente casos psicológicos, sim, porque eu passei anos da minha vida ansiando por essas doenças. Tentei a anorexia uma cinco vezes, sem brincadeira, o problema foi a ansiedade, que me fazia ter compulsão. Nunca fui gorda obesa, mas sempre fui um tanto acima do peso e o julgamento sempre me afetou profundamente. Especialmente da família, por isso digo: Não cobrem magreza das crianças de sua família. Isso causa danos irreversíveis, para mim não chegou a algo mais grave, no entanto eu sou complexada quanto a peso até hoje. Também teve bullying no meu caso, mas a questão da família é a mais importante de ser ressaltada, porque o conceito da família é torcer pelo bem um do outro, e cobrar emagrecimento de alguém por questões estéticas não é desejar o bem.

Eu desisti desse projeto porque ele ativava gatilhos em mim, eu expunha desejos que, no fim das contas, ainda existiam dentro de mim, não dava certo, então pelo meu bem eu precisei largar.

Preciso parar de falar sobre isso, porque só falar já me deixa mal.

Eu ia falar da minha ultima fanfic criada, War of Hormone que eu escreveria com uma prima, mas eu não posso revelar, porque se eu falar vai entregar todo o enredo. Digamos que eu estava revoltada com um molde de livros de romance e queria mudar isso, ainda pretendo terminá-la, por isso me abstraio, sem revelar o que é pra ser, rs.

Falemos do projeto mais importante da minha vida agora: Meu Inalcançável, o primeiro livro.

Já disse no post anterior, mas acho que vale repetir, a ideia veio de um sonho, que foi muito intenso, como se eu realmente tivesse vivido tudo aquilo, depois de falar com a Laura que decidi que dali partiria um livro.

Conforme vou escrevendo, percebo que se parece um pouco com Outlander, mas eu juro por Deus e por Dumbledore (que são a mesma coisa), que não foi proposital. Veio do sonho tudo, nada eu tirei de lá, haha. Complicado ser original nos dias de hoje, já existe história para tudo (ironia, amo Outlander s2)

A ideia que eu tenho para o segundo livro veio de uma história existente dentro desse primeiro. Seria uma espécie de Spin-Off, pois não pretendo me alongar, quero que seja algo com umas 100 páginas, 150 no máximo.

Também não foi algo proposital, eu apenas vi que aquele enredo secundário que eu tinha criado renderia um livro único e eu adoraria expor essa história mais para frente.

Enfim, como ter ideias para uma história?

Acredito que qualquer coisa pode dar ideia, sabem? Uma única cena de outro material ou todo um material que você inverte papéis, molda uma nova história em cima ou usar de inspiração vários outros materiais, misturando-os de forma eficiente ou usando de traumas passados (que não te causem gatilhos, por favor) ou até mesmo de um sonho, por que não? Eu sou uma pessoa de sonhar bastante, já durmo com um caderno no lado para anotar o mais intensos que renderiam alguma história posterior, hahaha. Fica a dica para quem sonha bastante também.

Bem, resumindo, literalmente qualquer coisa pode fazer surgir uma ideia, aí depende da sua criatividade e inspiração para aprimorar o enredo e torná-lo autêntico e de qualidade.

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