Resenhas

RESENHA: Um Banquete Para Hitler

Data de lançamento: 10 de junho de 2018

Autor: V. S. Alexander, Cristina Antunes

Tempo de leitura: 6 horas e 3 minutos

“Eu, Magda Ritter, conheci Hitler. Eu era uma das quinze mulheres que provavam sua comida, pois o Furher era obcecado com a possibilidade de ser envenenado pelos Aliados ou por traidores dentro de seu círculo pessoal. Ninguém, exceto meu marido, sabe o que eu fiz. NUnca falei sobre isso. EU não podia falar… MAs os segredos que guardei por tantos anos precisam ser revelados. Às vezes, a verdade me oprime e me apavora. É Como uma queda sem fim em um poço fundo e escuro. Mas, ao escrever minha história, descobri muito sobre mim mesma e sobre a humanidade. E Também sobre a crueldade dos homens que fazem leis para se adequarem aos seus próprios interesses. Eu conheci Hitler… E Minha história precisa ser contada.” Unindo a história e a ficção, Um banquete para Hitler mostra os extremos de privilégio e opressão sob a ditadura do Furher, expondo os dilemas morais da guerra em uma história emocionante, cheia de atos de extraordinária coragem em busca de segurança, liberdade e, finalmente, vingança.

Aí está uma resenha que eu estava louca para fazer. Foi o segundo livro mais caro que comprei na Bienal do Livro, por ser praticamente um lançamento (e porque a vendedora me convenceu). Também admito que eu já considerava esse livro um dos meus preferidos por causa da capa e estava louca para ler por causa dela também.

Já deixo claro que essa resenha vai conter muitos spoilers. Não é justo falar desse livro sem abordar esses assuntos.

Mas enfim, depois de muito me enrolar, finalmente comecei a ler. O começo foi realmente muito difícil, sério mesmo. As primeiras 90 páginas são uma chatice completa. Algumas coisas interessantes acontecem mas essas 90 páginas poderiam ser cortadas para umas 30.

A questão é que depois dessas 90 páginas, alguma coisa acontece. Parece que os autores mudaram ou algo do tipo. A história muda completamente e ganha uma emoção absurda.

Duas coisas que me pegaram completamente desprevenida: o quase programa de Magda e os estupros. Eu nunca li um romance de época, mas a imagem que eu tinha na minha cabeça era totalmente diferente.

Claro que eu sabia que não seria só um romance simples entre Karl e Magda, eu sabia que trataria de mais coisas. Mas juro que eu não esperava encontrar cenas tão fortes nesse livro.

Elas não são tão detalhadas, o que eu achei muito bom, mas já são o suficiente para dar um nó no estômago. Te faz parar para pensar um pouco no que você faria no lugar da Magda. Um emprego extremamente degradante ou virar garota de programa?

Também gostei do período em que a história é retratada. Sim, é durante a Segunda Guerra Mundial, mas não durante apenas uma parte. O livro retrata a guerra inteira, o que é bom para entender como a cabeça do povo alemão funcionava.

No começo, as pessoas não sabiam do que estava acontecendo. Hitler colocou na cabeça deles que ele salvaria o país, a grande maioria não sabia da quantidade de inocentes que estava morrendo, ou se recusava a saber. Claro que a falta de conhecimento do povo não justifica nada. Por um lado, temos aqueles que realmente não tinham como saber de nada, pois todos os meios de comunicação eram alterados para que eles acreditassem que a guerra já estava praticamente ganha. Mas por outro, temos aqueles que trabalhavam ao lado de Hitler, viam aquilo que ele faziam e mesmo assim escolhiam tapar os olhos e continuar fazendo tudo que ele mandava.

Nos últimos capítulos, a única coisa que eles queriam era sobreviver e estavam dispostos a fazer qualquer coisa para isso. Nesse ponto, o ódio deles por Hitler já era mortal.

Até o final, ainda tínhamos alguns fanáticos pelo Nazismo. O que gerou uma das cenas que mais impactam os leitores: a morte das crianças. Um casal que ocupava um cargo extremamente alto no partido Nazista idolatrava Hitler, mesmo após sua morte. Isso fez com que eles matassem os próprios filhos.

Os últimos capítulos só têm mortes. Em cada página, algum personagem (muitos importantes) morrem, sendo que não temos tempo para ficar de luto porque logo, outro já morre. Isso é triste, claro, mas é uma guerra. Melhor dizendo, os personagens são moradores de um país que acabou de perder a maior guerra da história. Uma grande parte do mundo odeia esse povo e quer que eles paguem. Ninguém foi educado.

Nem mesmo os cachorros escaparam. Eram oito ao todo. Os dois de Eva, a de Hitler e os cinco filhotes dela. Todos mortos de um jeito extremamente cruel.

Sobre Karl, comecei o livro odiando e terminei amando. Achei o relacionamento meio mal construído no começo, mas foi porque demorei para entender como o tempo passava rápido. Achei curioso Hitler ser a pessoa que mais apoiou o relacionamento deles, sendo que o casamento só aconteceu naquela hora por causa do apoio dele. O noivado só aconteceu por isso!

Não foi uma surpresa para mim quando ele apareceu vivo. Quando ele supostamente morreu, eu fiquei meio desconfiada e não queria que fosse verdade. O que eu fiz foi ler o final da última página (não me julguem). Por isso, eu já sabia que ele voltaria, mas o local foi inesperado. A tia da Magda, que fez da vida da mulher um inferno, aceitou hospedar um cara que apareceu na casa dela dizendo que casou com a sobrinha dela.

Quando Hitler começou a virar um personagem recorrente, comecei a ficar com um pouco de raiva do livro porque eu achava que ele seria retratado como uma pessoa boa. Eu sei que isso não faz sentido, os personagens principais querem mata-lo, mas essa é a imagem que passam no início.

Por isso, gostei muito que retrataram a decadência dele. Seu estado físico e mental foi se deteriorando conforme os capítulos foram passando, e mostrava um pouco das neuras que ele tinha. O cara chegou ao ponto de culpar os alemães por seu fracasso. Retrataram muito bem a queda da Alemanha conforme Hitler foi caindo.

Eu tinha uma imagem totalmente diferente da profissão de provadora. Eu sabia que era um trabalho relativamente comum antigamente, mas não pensava que era algo que mexia tanto com a cabeça de alguém. Realmente faz sentido, mesmo que as provadoras tivessem aulas sobre venenos, é totalmente possível ser envenenado sem perceber. E isso acontece com a Magda. Por mais que ela tenha ficado muito doente com isso, foi bom para ela. Como ela mesma disse, já estava ficando muito confiante com um trabalho perigoso que poderia mata-la.

As outras três provadoras me irritaram completamente. Uma se achava A comandante, a outra era um bebê chorão e a outra achava que viraria amante de Hitler. Todas morreram e fiquei muito feliz por isso.

Uma coisa que não foi explicada foi o quase envenenamento de Hitler. Magda tentou envenenar Hitler, mas não conseguiu. Quem fez isso?? Também não explicaram como Hitler escapou da morte tantas vezes. Foram várias as tentativas de assassinato e ele escapou de absolutamente todas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: