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Série X Livros [02]: Shadowhunters – The Mortal Instruments.

Comparação de Série x Livros de Instrumentos Mortais/Shadowhunters

ATENÇÃO: Esta review contém spoilers não sinalizados.

Como já entrei no clima Shadowhunter aqui, falando dos livros da Cassandra Clare no post de semana passada, acho justo falarmos agora das adaptações que temos de Os Instrumentos Mortais, fazendo comparações destas com o material original.

É claro, focarei mais na série, porque é mais extensa que o filme, além de ter feito um sucesso um pouco maior e ser mais atual.

Não poderei fazer uma análise mais minuciosa como foi com Outlander, porque aqui temos uma diferença mais abismal, impossível de expor tantas divergências, sendo assim, optei por dividir em partes. Primeiro falaremos brevemente do filme, depois passaremos para série, onde falarei de personagens, shipps, partes técnicas, e, enfim, a história.

Vamos começar então?

Filme

Sou suspeita pra falar, porque nunca fui muito fã da Lily Colins e só esse fato já me fez desanimar para assistir ao filme.

Todo o elenco desvia muito das características de personagens mostradas nos livros. Clary é ruiva de olhos verdes além de ter sardinhas, Lily não condiz com nada disso, assim como o Jamie Campbell Bower, que só tem o cabelo em comum com o personagem, todo o restante é diferente e, mesmo que exista muita gente para defendê-lo como Jace, eu o renego.

Nesse ponto de semelhança, a série dá um banho no filme, salvo algumas exceções.

Esse filme foi muito difícil de assistir. Ele é mais fiel ao material original que a série, mas acho que foi fiel de uma forma ruim, porque lembro-me bem de ter que ir assistindo aos poucos, já que não aguentava assistir de uma vez.

Aliás, uma coisa que não entendo nem aqui e nem na série, por que Clary não pode se salvar sozinha quando o demônio a ataca em sua casa? No livro ela mesma o mata, enquanto em ambas adaptações, Jace tem que dar uma de herói. Essa é uma das mudanças que mais me irrita.

Bom, não vou me estender muito no filme, porque não é o foco, só digo que realmente não foi uma adaptação legal, o que justifica o fracasso de bilheteria.

Série

Personagens:

Como dito antes, aqui as idiossincrasias já batem, Katherine McNamara se parece bem mais com Clary, erraram um pouquinho no tom da tintura do cabelo, mas nunca entendi porque o fandom se incomodava tanto com isso. Antes uma Clary com o cabelo ruivo um pouco mais forte que o normal do que um castanho bugado igual a Lily. Só que preciso ser justa também, na questão atuação, Lily dá um banho em Katherine, mesmo não sendo exemplo de boa atriz, da mesma forma. A primeira temporada chegava a ser sofrível de assistir em alguns eps, de tão ruinzinha a performance, mas tudo bem, você aprende a ignorar e Katherine é um amor na vida real, então é fácil de deixar isso de lado.

Dominic Sherwood também bate um pouco mais com as características de Jace do que Jamie, mesmo que igualmente não seja tão parecido assim. Ele tem um físico um pouco mais forte, como Jace do livro, e o cabelo loiro, que infelizmente não chega até o ombro. Os olhos também são uma divergência, nos livros o personagem tem olhos âmbar, enquanto nas duas adaptações isso não é colocado. Apesar de que, eu dou um ponto a mais para Dominic nesse ponto, ele não tem olhos dourados, mas sua heterocromia certamente dá um charme a mais ao personagem. Falando de atuação agora, muita gente reclama, mas diferente da Katherine McNamara, eu não acho que seja um problema dele realmente, vejo mais como um erro da direção, porque se for notar, tem eps que ele é bem parecido com Jace, em outros não, é algo deveras variável, por isso não o culpo totalmente.

A responsável por interpretar nossa Isabelle é a Emeraude Toubia e acho que é uma das que mais se parecem com a personagem. Falta um pouco de altura, digamos, haha, mas acho que ela se encaixa bem, além de dar uma atuação condizente, assim como o Alberto Rosende, que, sem dúvidas é o próprio Simon! Desde os primeiros episódios ele já se amoldou perfeitamente como Simon e segue sendo o melhor dos principais na minha opinião.

Matthew Daddario também é bem parecido com o Alec, tirando os olhos, que eram para ser azuis e a altura também, porque originalmente ele não é tão alto, mas ok, não são coisas que incomodam de verdade, haha, principalmente porque ele entrega um bom Alec e isso que importa.

Harry Shum Jr. Foi o que eu mais estranhei quando anunciaram os atores, estava muito acostumada com o Godfrey Gao, que para mim sempre será o Magnus perfeito, então foi difícil me acostumar com o outro, mas não tiro o mérito, ele é parecido com o alto feiticeiro e se entrega bem ao papel também.

Ademais temos Luke, que diverge muito do dos livros, que não é negro nem careca, só que eu achei legal a escolha do Isaiah Mustafa, representatividade é importante sim e ele é um bom ator, não é a toa que está escalado para It – A Coisa 2. Jocelyn bate bem com as características, Valentim foi errado nas duas adaptações, hahaha, era para ele ser loiro e alto, enquanto no filme ele tem aqueles dreads e na série é careca, mas Alan Van Spreng é um ótimo ator e eu gostei de sua atuação, mesmo que em alguns momentos Valentim tenha ficado meio caricato. Hodge era para ser velho, na série ele é um baita homão, adoro, pode trazer mais homões, Shadowhunters!

Agora, para finalizar, vamos falar de Will Tudor? Nosso Sebastian? Meu mozão?

Muita gente queria que seu cabelo fosse tingido de preto, eu gostei da forma como estava mesmo, o que importa no fim das contas é que ele foi a melhor performance de toda a série e merece infinitos aplausos pelo Sebastian perfeito que nos entregou, uma grande lástima que não vá continuar na parte final da série.

Shipps:

Ok, falemos de um problema da série.

Tirando Sizzy, todos os outros relacionamentos são muito mal estruturados.

Clace ainda consegue ser um pouco melhor que Malec, não deixando de ser ruim por isso. Na primeira temporada, ok, não temos tantos problemas. A partir da segunda… Era para eles estarem sofrendo porque “são irmãos” e não podem ficar juntos, sendo que Clary parece estar 100% nem aí com esse fato e Jace também não dá tanta atenção, apesar de já ser mais que ela. Boatos que foi pela emissora, que tem a faixa etária dominada por adolescentes e incesto seria muito pesado para colocarem, mas, assim gente, Clary mata o próprio pai no final da segunda temporada. Patricídio tá liberado, mas um beijinho incestuoso não? Não tem sentido!

Especialmente se considerarmos que houve um beijo entre irmãos, já que o verdadeiro irmão era Sebastian, não Jace. Enfim, não vou procurar sentido nisso pois é mais viável minha cabeça explodir do que eu encontrar algum.

Malec foi extremamente jogado. Ressaltemos que na série literária demorou 3 livros para Alec se aceitar como homossexual e, além disso, deixar sua paixonite por Jace de lado, ao passo que na televisiva, no décimo segundo ep eles chegam a parar um casamento para explanar o amor um pelo outro. Não bate, sabe? Eles mal se conheciam e já existe um amor desse nível? Não é nada plausível.

E os atores também não tem muita química, as vezes parece que se beijam obrigados pelo diretor.

Ademais, criaram uns shipps nada a ver só para a série como Izzy e Rafael, que eu desaprovo com todo vinco, acho necessário expor. E alguns outros menos relevantes. Só digo que a grande maioria é fajuto como esses citados.

Parte técnica:

Não é segredo para ninguém que o cachê para se fazer uma série é muito menor do que o oferecido para fazer um filme, principalmente para uma que já foi filme e fracassou. Então, é justificável que os efeitos especiais sejam precários, eu desde o início tentei defender a série nesse fator, não tem como esperar efeitos ala Avatar em uma série de televisão de uma emissora paga dos EUA. É inviável.

Por isso vocês não verão críticas a essa parte da série, é uma coisa perdoável. Aqui só vou reclamar um pouquinho da direção e roteiro.

Alguns eps são bem dirigidos, mas outros…

E quanto ao roteiro, o que vou julgar não é nem a questão de ser infiel ao material original, mas sim por algumas inconsistências, como Clary nem tendo treinado direito e já derrotando caçadores bem mais experientes ou os vampiros do ep 3, que morriam com uma facilidade risível.

Em geral, essas sensações de perigo são muito mal exploradas na série. A princípio eles apresentam uma adversidade aparentemente impossível de ser resolvida, aí com simplicidade eles conseguem contornar essa situação, antes tão inexecutável. Fica inverossímil, irreal e tira credibilidade da série. Por isso acho esse ponto muito negativo.

Fidelidade quanto aos livros:

Já era de se esperar que não teríamos uma adaptação muito fiel. Séries em específico geralmente são diferentes mesmo e está tudo bem, desde que seja um trabalho bem feito.

A primeira diferença que se pode notar é a idade dos protagonistas, que no livro tem 15, 16 anos, enquanto na série já batem os 18, a rapidez com que Simon se tornou vampiro também foi uma diferença grande, afinal, nos livros, temos isso apenas em Cidade das Cinzas. Não sei se foi uma mudança realmente necessária, as vezes parece que foi só para encher mais linguiça em certos episódios. Também pode-se destacar a tecnologia sendo usada, ferramenta não utilizada nos livros, assim como os Institutos não são cheios da forma mostrada na série, na verdade costumeiramente só comportam em torno de umas 7 pessoas.

Luke sendo policial ao invés de bibliotecário é outra alteração, nesta sou indiferente. Existem certos plots que poderiam ser evitados nesse âmbito? Sim, mas fazer o que, não é mesmo?

Uma trama que esteve envolvida com essa última modificação citada e me incomodou bastante foi aquela coisa dos demônios procurando sangue para o Valentim. Não entendi bem aquilo até hoje, e olha que assisti a primeira temporada umas três vezes. Isso não tem nos livros e, considerando a mitologia do material original, não tem nada a ver. Assim como aquela bendita runa “polissuco”, na qual as pessoas assumem aparência de outras. Tipo, qualquer um pode se passar por qualquer um então? Não foi uma decisão muito favorável, eu achei.

Outra trama que não gostei foi o do casamento de Alec, desnecessário, foi só pra criar aquele climinha com Magnus.

Para não falar só de coisas negativas, o episódio 10, aquele do mundo alternativo dessa primeira temporada, foi incrível e também não tem no material original. É um dos meus favoritos de toda a série.

Enfim, vamos passar para a segunda temporada?

Eu defendia muito Shadowhunters, sabia que era ruim, mas considerava meu guilty pleasure. Adorava assistir. Com o início dessa temporada eu achei que pararia de ser aquela série que as vezes eu tinha vergonha de assumir que assistia e se tornaria algo com uma qualidade respeitável, finalmente. Até o ep 2 eu estava encantada, tive que assistir umas 3 vezes seguidas, de tão bom, mesmo tendo suas divergências com os livros.

Só que depois de alguns episódios… Ficou verdadeiramente difícil de defender. A morte de Jocelyn foi de um mau gosto abominável, caçadores de sombras recebem proteção contra a possessão desde recém-nascidos, tirando o fato de que os próprios Institutos possuem uma magia para impedir que esse tipo de coisa entre. Fere a própria mitologia desse mundo que eles estão apresentando.

Ah, e toda essa fixação que os produtores tem por crianças? Aquela feiticeira mirim despropositada que apareceu, a rainha Seelie sendo colocada como criança… Precisava? Não. Não sei pra que isso, existe alguma cota infantil em séries?

Isabelle se viciando em uma droga que na verdade foi completamente modificada da apresentada no material original apenas para fazer esse shipp idiota de Izzy e Rafael acontecer, sério, para que??????

Foram diversas escolhas que francamente, não dá pra entender nem se esforçando o máximo. O que custava seguir o mínimo que fosse os livros? Iriam passar menos vergonha, com certeza.

Não vou ficar aqui falando todas as alterações porque são muitas e eu precisaria ficar dias escrevendo isso aqui. Essas foram as principais, tirando outras questões como Sebastian ser, na verdade, todo carbonizado, e Clary matando o pai, que não há muito o que comentar. Você acaba por se acostumar com essas modificações tolas.

A terceira temporada também não vou falar muito porque para falar bem verdade, não me recordo direito das coisas que aconteceram, só lembro que foi a pior de assistir. Uma coisa que me ajudava a criar interesse por assistir era ver as reviews do canal Pandemonium, no youtube, logo depois de assistir o ep, acho que o fato deles não fazerem mais me desmotivou também, fazendo o interesse baixar. Achei esperado o cancelamento, não dava para dizer que estava bom, eles estavam indo de mal a pior, perdendo-se nas próprias invenções ilógicas.

Acho triste toda essa situação de Instrumentos Mortais, é uma série que merecia uma adaptação fiel e de qualidade, uma droga Cassandra ter entregado os direitos nas mãos das pessoas erradas.

Em geral, acho que Cidade dos Ossos até que esteve bem presente, foi bem adaptado, digamos. Cidade das Cinzas não, ficou uma mistura, tudo fora de ordem, alguns plots presentes na primeira temporada, outros na segunda… E Cidade de Vidro também foi retratado de forma bem rasa e resumida, sendo que é o melhor livro, o mais profundo, é uma lástima imensurável. Cidade dos Anjos Caídos nem tinha como ser bem adaptado considerando que Camile tinha uma presença importante neste e já acabaram com ela nas temporadas anteriores, assim como a Maureen e algumas outras tramas. Veremos como eles lidarão com os dois últimos livros: Cidade das Almas Perdidas e Cidade do Fogo Celestial, acredito que eles nem vão retratar o primeiro, apenas o último. Com 10 episódios que resta, ficaria muito corrido. Bem, torçamos para que a série tenha ao menos um bom desfecho.

Mas digam a opinião de vocês também! Preferem a série, o filme…?

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