Resenhas

RESENHA: Tempestade de Guerra

Saiba minha opinião sobre Tempestade de Guerra, o desfecho da série A Rainha Vermelha.

*Essa resenha será dividida em duas partes: Uma sem spoilers e outra com, quem não quiser, pare de ler depois de dada a nota.

Já falei dos outros livros de A Rainha Vermelha, vocês podem encontrar a resenha clicando aqui. Hoje iremos falar especificamente do desfecho da saga, o livro Tempestade de Guerra.

A Prisão do Rei havia terminado com alguns lordes mostrando apoio a Cal para retomar o trono, tirando o reino das mãos de Maven, para tanto, Cal precisaria largar mão de várias coisas, como a simpatia dos vermelhos e o amor de Mare.

Sinopse:

Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven.

Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho.

Eu, honestamente, já não esperava grandes coisas desse livro.

Depois de A Prisão do Rei, que tinha tudo para ser bombástico e decepcionou, sabia que esperar grandes coisas desse último seria ilusão da minha parte. Tanto que logo que o livro foi lançado lá fora, fui atrás de spoilers, mesmo detestando recebê-los, queria ter uma noção se realmente valia a pena ler.

Não valia, mas eu sou teimosa e li.

Começamos falando das 140 primeiras páginas, que poderiam muito bem ser resumidas em umas 10 sem problema nenhum, considerando que nestas, não acontece nada de realmente relevante. São divagações das três personagens que mais têm narrativas nesse último livro, Mare, logicamente, Evangeline e Iris (a esposa do Maven, caso alguém tenha se esquecido como eu).

O problema já começa com as três personagens escolhidas para narrar. Já falei tudo que tinha para falar da Mare na primeira resenha, aqui só digo que ela é chata e muitas vezes é insuportável acompanhar seus pensamentos, porém, preciso admitir, as partes dela eram as menos tediosas.

Evangeline só pensa em Elane e no quanto não quer virar rainha. Eu não vi necessidade em ter narrativa na parte dela, sério. Preferia vê-la da forma imponente e bruta dos primeiros livros, porque vendo as coisas pela óptica dela, você percebe que é tão tola quanto Mare. Já é diferente no caso de Iris, vejo necessidade do ponto de vista dela, afinal, precisávamos saber de Maven, ela só não tem nem um outro atrativo além disso, por isso as partes dela acabavam por ser as mais arrastadas e entediantes.

Além destas, também tem narrativa de Cal e Maven. Cal não tenho muito a dizer, sou indiferente quanto ao seu ponto de vista, mas Maven… Bem, precisamos falar especificamente sobre primeira pessoa com vilões.

Acredito que nunca tenha lido em outro livro, mas já foi o suficiente para eu desgostar. Quando você vê o vilão pelo olhar de outro personagem ou de um narrador onipresente e onisciente, geralmente acaba por ter uma percepção de força e tirania de uma forma como se o personagem fosse inabalável e sem medos ou inseguranças, a primeira pessoa quebra isso.

Você acaba por perceber que Maven tem sim inseguranças e isso abala a imagem que se é criada dele desde o fim do primeiro livro. Um ponto muito negativo para mim, o vilão precisa parecer um tirano por completo, eu lia aquilo e só conseguia pensar em Lord Voldemort tendo um conto ou qualquer coisa assim em seu ponto de vista. Não seria agradável e certamente destruiria seu aspecto, assim como qualquer outro vilão incrível que vocês possam pensar.

Ah, sem esquecer que na obra anterior é mostrado que Maven é uma pessoa completamente louca, o que não foi bem representado nessa narrativa. Pareceu uma pessoa normal com divagações normais, sendo que o cérebro de uma pessoa perturbada e psicopata obviamente funciona de modo deveras dessemelhante a de uma pessoa comum.

Foi uma das escolhas erradas da autora nesse livro.

Mas enfim, vou voltar a falar das 140 páginas iniciais… Depois de muita encheção de linguiça barata, nós passamos para um novo país, Montfort, um lugar que é quase um paraíso se comparado a Norta, achei um tanto utópico demais a forma como foi retratado, mas não me incomodou tanto, foi até interessante ver outro território. Só reclamo um pouco do primeiro ministro, Davidson, que sinceramente, não entendi direito seus propósitos até agora, ele foi muito mal desenvolvido assim como a maioria dos personagens secundários.

As situações também foram tremendamente mal retratadas, alguns desfechos como uma hora em que certa personagem se revolta contra Maven foi tão superficial e mal feito, que misericórdia. Fiquei revoltada de verdade. Eu não sei se a Victoria tem falta de criatividade ou de coragem. Talvez os dois?? Foi de um mau gosto gigante o desfecho de certos plots. Galera, estamos tratando de uma guerra!! Uma guerra civil, quase mundial. As coisas não se solucionam de forma simples e mágica. Quem dera se fosse!

Quando é proposto trabalhar com um tema desse grau, o mínimo que você deve aos seus leitores é fazer um serviço conciso e bem-feito, não uma coisa jogada, levada nas coxas.

Tiveram algumas coisas que pareceram até meio remendadas, foi toda uma composição de escrita e revisão mal feitas. Não sei se a Victoria escreveu de uma forma e a editora pediu pra mudar ou se ela fez na pressa mesmo. A segunda opção é bem possível se pensarmos que ela tinha datas para entregar o trabalho, e um livro de 700 páginas não é escrito da noite pro dia. De qualquer forma, tanto a editora quanto a autora estão erradas no fim das contas.

Voltando para o tópico de guerra e suas consequências… Nós temos apenas três mortes nesse livro. Somente uma relevante, que foi a pior que eu já li na minha vida, porque nada ficou claro nela.

Nenhuma das mortes é de um personagem que esteja estritamente do lado do “bem” de nossos heróis “queridos”, Cal e Mare. Será que a autora já estudou sobre guerras na escola ou ao menos leu em algum lugar?? Porque morrem pessoas de todos os lados. Vamos fazer uma análise mais estudada, com estatísticas?

Na Primeira Guerra Mundial nem mesmo existe um consenso entre os estudiosos sobre quantos mortes tiveram, a maioria aposta em um número próximo de quinze milhões, podendo ressaltar que morreu um arquiduque, figura importante para o início da guerra. Na Segunda, estima-se cerca de 40 milhões de mortos. 40. Milhões. E novamente, morrem pessoas de todos os lados, seja dos líderes ou dos, perdoem a redundância, “insignificantes”. Mas ok, essas guerras são grandes demais, peguemos uma mais reclusa. A Guerra Peninsular, que para quem não sabe, estou escrevendo um livro sobre, então tenho bastante baseamento para falar dela. Tiveram mais de 1 milhão de mortes, o que já é um número gigantesco e, John Moore, general britânico (que acabou por ser do lado vencedor do conflito), morreu logo nos primeiros anos de guerra. Onde quero chegar com isso é apenas no ponto que: É extremamente falso e ilusório você colocar todos os mocinhos vivendo no final. Isso definitivamente não aconteceria na vida real.

“Ah, mas é só um livro fictício, não precisa ser real” Precisa sim. Posso citar um par de livros parecidos com esse que dão uma aula de como retratar uma guerra simulada de forma qualificada. Até mesmo Divergente, que eu também não gosto, dá um banho nisso aqui! E também é ficção, e aí?

Esse ponto é tão negativo que eu poderia parar por aqui.

Mas não, vamos falar do final de fato, do desfecho dos conflitos, dos personagens e afins. Que confusão desmedida e ambígua! Não deu pra entender nada praticamente. Afinal, qual o propósito de Iris e sua mãe?? Ou do próprio Cal?? Fica tudo muito vago e sem explicação. Estamos no último livro, onde as coisas precisariam ficar claras, o que não aconteceu. Espero que isso não signifique o anúncio de um livro a mais daqui a um tempo, já sinto uma úlcera de nervoso me assolando só de pensar.

Além desses pontos terríveis que destaquei até aqui, tem uma outra questão que eu não sei se foi por falta de tempo, de espaço ou se era pra ficar daquele jeito mesmo, mas houveram certos tópicos que a Victoria parecia querer trabalhar mais pra frente, sendo que não o fez, como a religião da Iris. Tive a impressão de que ela queria tratar o fanatismo religioso com algumas coisas citadas e comentadas, mas não passou de comentários, o que é impreciso e caótico. Parece que haviam diversas pontas soltas ali no meio que ela queria desenvolver, mas não conseguiu por algum motivo. A questão de certos preconceitos também aparentavam um futuro desenvolvimento sem o ter de fato.

Esse livro foi uma bagunça descomunal, a autora parece querer atirar para todos os lados, sem acertar um ângulo sequer. Isso me chateia, de verdade. Porque vejo talento nela, só acho que falta uma ideia melhor e, não sei, talvez tempo?? Ou ela seja escritora de livros únicos, existem várias assim, penso que seria uma boa arriscar.

Só não tenho como vir aqui e rasgar seda para esse livro dizendo que ele é bom, ele não é. É terrível, difícil de ler, de compreender e de defender principalmente. Estou tentando pensar em um ponto positivo aqui e, poxa, tá muito difícil. Nem a escrita salvou, já que foi confusa.

Mare sendo a narrativa mais interessante pode ser considerado um ponto positivo?

Ai gente, não sei.

Foi desconexo, incoerente, pretensioso, sem emoção e sem ação.

Para quem tem vontade de ler a série ainda: Finja que o terceiro livro é o último, dica de amiga.

1 estrela

Parte com spoiler:

O Cal é um dos personagens mais contraditórios que eu já vi. Passa todos os livros querendo se garantir, para no final ser um baita covarde? Tirando o fato de ter sido marionete da avó e do tio durante todo o livro, parecia que não tinha personalidade própria e tudo os outros precisavam fazer e decidir pra ele. A desistência da coroa no final, pelo amor de Dumbledore. Acho que Victoria quis chocar, mas fez de modo errado, porque ficou péssimo.

A deposição forçada do Maven também foi horrível e eu não entendi grande parte do que estava acontecendo. Pareceu tão aleatório e descomplicado. Detestei simplesmente. Nem vou me alongar.

Aqui que a úlcera vai atacar mesmo. A morte do Maven, ah, puta que pariu. Não sei nem por onde começar. Que morte mais merda! Se eu enfiasse minha gata em cima do teclado, ela ia dar um final mais digno pro Maven. Ele merecia mais, muito mais. Eu, mesmo não querendo, aceitaria a morte dele, se tivesse sido feita de modo convincente! Quando li nem tinha certeza se ele tinha morrido mesmo, se só ele e a Mare, na disputa tinham se machucado tão gravemente que nenhum dos dois conseguiram continuar… Por favor né, que ao menos tivesse mostrado a morte do cara. É o mínimo que o personagem mais bem estruturado dessa saga merecia.

Kilorn e Cameron juntos só deixo minha grande interrogação aqui, pois não entendi nada. Aquele epílogo inteiro não entendi nada. Achei que não tinha como melar o que já estava feio no epílogo, mas olha… Tem sim.

Bom, vamos acabando por aqui, estou me alongando demais.

Até a próxima resenha!

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