Resenhas

Resenha: O Sorteio da Morte

“Este livro apresenta uma história em que o mistério e a ação ganham toques de humor. Tudo começa quando o publicitário Jean Trumel é avisado de que foi sorteado para morrer dentro de três dias. Nesse prazo, poderá realizar todos os seus desejos, menos adiar a hora da morte. Parece piada, mas o estranho visitante que lhe dá a notícia tem poderes sobrenaturais e prova que está dizendo a verdade. Entre outras coisas, demonstra conhecer cada detalhe do passado de sua vítima. Trumel, é claro, começa a correr contra o relógio. Ao mesmo tempo em que tenta remediar erros cometidos no passado, entra na luta para não receber o prêmio do sorteio da morte.”

Cheguei nesse livro daquele jeitinho clássico. Achei a capa bonitinha, li a sinopse e gostei, estava barato (comprei na Bienal por R$10,00), mas eu não dava nada por ele.

Estava lendo Game of Thrones, mas tive que parar e queria algo rápido para ler. O Sorteio da Morte foi o escolhido. Ele tem 130 páginas, é baixinho e as letras são grandes, então eu sabia que, em no máximo dois dias, terminaria.

Mas primeiro vamos resumir um pouco o livro. Já aviso, darei muitos spoilers, então se você tem algum problema com isso, simplesmente não leia.

O livro começa com uma discussão entre Jean Trumel e tipinho (ou diabo, você escolhe), em que tipinho dizia que ele havia sido sorteado, e que o prêmio era a morte dali três dias e absolutamente todos os desejos realizados nesse tempo.

De início, Trumel não acredita e tente fugir a todo custo, mas sempre encontra o outro nos lugares mais inusitados. Depois de perceber que seu destino estava realmente determinado, decidiu visitar seu filho.

A criança ficou super animada por ver o pai ausente e passou algumas horas com ele. Durante uma conversa sobre violinos, Tony fala sobre a alma do violino (uma peça super importante).

Trumel volta para casa e já está quase desistindo de vez quando começa a pensar e uma ideia maluca surge em sua cabeça. Ele começa a viajar constantemente para países com fusos horários diferentes, indo para lugares onde o horário estava “atrasado”.

O plano era simples: voltar no tempo até que cruzasse a linha internacional de mudança de horários. Desse jeito, o horário em que sua morte estava marcada nunca aconteceria.
Seu plano funciona, mas com um custo. Ele viveria para sempre.


Quando li a sinopse e até quando comecei a ler, achei que a discussão do livro seria outra. Achei que seria algo que fizesse o leitor refletir sobre o que faria se soubesse que morreria três dias depois. E não fui a única, quando contei a uma amiga sobre este livro, ela pensou a mesma coisa.

Fiquei realmente surpresa quando percebi que Trumel nunca pediria nada ao tipinho. Eu sabia que seria difícil para ele aceitar o que estava prestes a acontecer, mas achei que algum problema surgiria, alguém que ele amava passaria por dificuldades e que ele faria esse sacrifício para ajudar essa pessoa. Mas nada disso aconteceu.

Algumas coisas me incomodaram um pouco nesse livro. A principal delas foi a cena da perseguição de Trumel e tipinho. Essa parte do livro poderia ter sido maravilhosa, mas não foi explorada do jeito certo.

Acredito que o objetivo era começar a mostrar indícios de loucura no personagem, o que é totalmente compreensível já que ele estava sendo seguido e vendo a mesma pessoa e a contagem regressiva para sua morte em todo lugar. Entretanto, temos milhares de livros que exploram a loucura de um jeito muito melhor.

Mas talvez o objetivo não fosse esse, talvez fosse só mostrar que Trumel estava sendo seguido em todos os lugares. Isso piora um pouco porque se realmente foi isso que aconteceu, foi extremamente enrolado.

Outra coisa que me irritou profundamente foi a “chefe” de tipinho. Afinal, o que ela estava fazendo lá??  A mulher simplesmente apareceu do nada e sumiu mais rápido ainda. Tudo bem, no final descobrimos quem ela realmente era, mas novamente, é algo que poderia ser muito mais aproveitado.

O personagem principal também foi outro que me deixou um pouco confusa. É difícil formar uma opinião concreta sobre ele por ser um livro muito pequeno.

No começo, ele se mostrava um cara solitário, nervoso e talvez um pouco egoísta. O livro dá alguns indícios de que Trumel tenha uma condição financeira boa, o que talvez explique um pouco desse comportamento já que o autor pudesse ter utilizado o velho estereótipo do cara rico.

Mas conforme o livro vai passando, você começa a perceber que ele não é nada daquilo que aparentava. Jean Trumel só era solitário porque no fundo, nunca conseguiu superar seu amor por sua ex mulher. Talvez isso também afete sua relação com seu filho. Ele não é um cara rico, é no máximo classe média (por que outro motivo sua secretária reclamaria tanto sobre os preços das passagens?). Jean também era frustrado com a vida, o que explica seu comportamento um pouco grosso algumas vezes.

O que me incomoda nessa personalidade de Trumel é justamente o fato de que não dá tempo de conhece-la. Eu li 90% do livro em uma noite, não dá espaço para aprofundar mais. Eu não me importaria de ler alguns capítulos a mais se pudesse conhecer a história do personagem.

Mas chega de falar apenas dos pontos negativos. Não posso falar que a história é ruim, longe disso. Ela conseguiu me prender por algumas horas e acho que esse era o objetivo.
Ele deixa aberta aquela velha discussão: o que você faria se descobrisse que morreria daqui três dias? Eu amo livros que abrem esse tipo de discussão já que deixa mais fácil de conversar com outras pessoas sobre ele. Antes, eu disse que conversei com uma amiga sobre ele. Sem brincadeira, gerou quase 40 minutos de conversa.

No começo, é fácil dizermos que iríamos em tal show, que conheceríamos tal artista, mas é isso mesmo? Acho que no fundo, todo mundo sabe que iria procurar aqueles que ama para dizer adeus (mesmo que a outra pessoa não saiba que é uma despedida).

O livro retratou bem isso. Em determinado momento, Trumel está pensando no que poderia fazer se realmente aceitasse a oferta de tipinho. Ele chega à conclusão que amaria viajar, conhecer o mundo, viver milhares de aventuras, mas que nada disso valeria a pena se ele não tivesse com quem compartilhar essas aventuras depois.

Um personagem que me conquistou foi o tipinho (sim, amei o vilão, que clichê). Ele queria aproveitar a “vida”, ser promovido no trabalho e fazia questão de deixar isso muito claro.

Resumindo, o livro é bom. Me prendeu a atenção por algumas horas e gerou discussões muito boas. Claro que teve seus pontos negativos, mas isso não tira seu valor. Aconselho muito, principalmente para quem está procurando alguma leitura mais leve.

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