Resenhas

RESENHA: Série A Rainha Vermelha.

Saiba minha opinião sobre a série literária "A Rainha Vermelha"

ATENÇÃO:  Existirão alguns spoilers no decorrer da resenha, os principais estarão marcados em vermelho para que, quem não os queira, possa continuar a leitura sem preocupações.

A primeira resenha do blog! Que felicidade, hahaha!

Já fiz algumas resenhas, que vocês podem encontrar duas delas no meu Skoob, deixarei o link aqui para visitarem caso tenham interesse, e, além dessas, tenho uma bem recente que fiz de trabalho para a faculdade de Metamorfose, de Franz Kafka, se alguém se interessar podemos estar publicando aqui no blog também!

Mas bem, vamos parar de bobear, sim? Falemos do que realmente interessa: A Rainha vermelha!

Essa é uma série composta por quatro livros (A Rainha Vermelha, Espada de Vidro, A Prisão do Rei e Tempestade de Guerra) mais um spin-off (Coroa Cruel com dois contos), escrita pela autora americana Victoria Aveyard. O primeiro livro foi a obra de estreia dela como autora.

Sinopse do primeiro livro:

O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.

Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?

Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe – e Mare contra seu próprio coração.

 

Antes de tudo, preciso dizer que ainda não terminei o último livro (Tempestade de Guerra), estou lendo aos poucos e já vou expor parcialmente a minha opinião:

Li 101 páginas apenas e estou achando muito arrastado. Eu já sei o que vai acontecer no final e já espero a decepção, mas sei lá, acho que, por ser o último livro, já deveria começar bombástico, principalmente considerando que o final vai ser ruim (em minha opinião, claro). Teve várias situações descritas que assim… Não tinha necessidade, sabe? Parece que Victoria só colocou ali pra estender o livro.

Enfim, vou começar a falar da série como um todo agora.

Eu nem lembro muito bem como conheci A Rainha Vermelha, só sei que comprei o primeiro livro e enquanto lia o achava pouco original. É perceptível uma influência, de certo modo até descarada, de diversas fontes distópicas e até mesmo de um pouco de X-Men ali no meio (especialmente no segundo livro). Não que isso seja exatamente um problema, clichês são adorados por um motivo, mas esse fato acabou por não me fazer aproveitar da obra o suficiente, porque tudo era muito previsível, o enredo parecia remendado, como se pegasse cada cena de uma fonte específica a qual eu conhecia a maioria, e ademais, histórias originais sempre são um pouco mais bem-vindas.

(SPOILER) eu descobri que Maven era o vilão logo em suas primeiras aparições. E o amei ainda mais depois de descobri-lo como anti-herói, preciso admitir, mas não deixou de ser extremamente previsível.

Gostei do primeiro livro. Não era uma coisa espetacular, mas enquanto eu lia me prendeu atenção e me divertiu, tanto que é o meu favorito dos quatro. Para mim só faltou o fator de originalidade, realmente, pois diversos autores trabalharam o mesmo tema de forma mais eficiente. Porém, não tiremos o mérito de Victoria, ela fez um bom trabalho sim.

O segundo livro sinceramente eu nem me recordo direito. Só lembro que tinha muita encheção de linguiça e foi difícil de ler, bem mais que o primeiro. Era uma história muito parada e, novamente, sem novidades. Ah, sem esquecer que nesse livro a Mare está insuportável de uma forma que dava vontade de jogar o livro na parede.

Nisso eu acho que a autora pecou, em certos pontos algumas atitudes da protagonista pareciam extremamente forçadas, só pra evidenciar o porquê das pessoas não gostarem dela. Era artificial, cansativo e arrastado. Para mim o ponto que torna esse livro o que ele é, mediano.

O final salva um pouco toda a lassidão do livro, tem muita ação, intrigas e surpresas, mas desfecho não segura sozinho um livro de 490 páginas, então sinto muito Victoria, nessa você ficou devendo.

Eu estava muito animada para A Prisão do Rei. Quando conheci a série, este era o livro que estava para lançar na época. Então acompanhei toda a fase de pré-venda e tudo mais, considerando o final de Espada de Vidro e o fato de que Maven claramente teria mais destaque neste, eu estava muito ansiosa para lê-lo. E preciso dizer, o início é bom!

Lembram-se do “inicio bombástico” que falei um pouco acima? Esse livro define bem o termo!

Mare presa no castelo com Maven foi algo tenso e claustrofóbico, eu gostei muito da maioria das cenas, fiquei eletrizada, querendo saber mais.

Os grandes problemas desse livro no meu ponto de vista foram:

  1. Eu acho que fugiu um pouco do que a sinopse e o próprio título prometiam. Esperava que fosse a história quase inteiramente na “prisão do rei” e que só lá pelas 100 últimas páginas que teríamos Mare fugindo e todos aquelas outras confusões. Foi uma quebra de expectativa, por isso coloco como ponto negativo.
  2. Eu peço perdão as admiradoras de Cal, mas eu o acho um saco! Não entendo o porquê a autora gosta tanto de forçar ele, eu prefiro mil vezes Maven, inclusive acho que ele merecia mais destaque, considerando que só o teve no primeiro livro.
  3. Mare segue sendo uma estúpida impulsiva que mais irrita do que qualquer outra coisa. Eu reclamo, mas no fim das contas ela e Cal combinam, são dois pés no saco.
  4. A narrativa sendo dividida entre várias pessoas. Eu não gosto disso, ou você faz primeira pessoa com um personagem, ou faz terceira. Esse passa-pra-lá passa-pra-cá é deveras desfavorável para a própria história que se está contando.
  5. Existiram certas situações que eu achei tão non-sense, por exemplo (SPOILER), a primeira vez do Cal e da Mare. Gente??? Se era para ter, que fosse de uma forma mais realista.

Enfim, início ótimo, meio bom e final morno. Esse é o resumo do que foi A Prisão do Rei para mim.

Vamos falar de personagens agora, outro pecado desses livros.

Acredito que já tenham percebido com os meus posicionamentos que eu amo o Maven.

Para mim ele é o melhor personagem simplesmente porque ele é bem construído, na verdade penso que é o único com uma boa construção dentre todos. Suas motivações, toda a questão da mãe dele ter mexido com a cabeça dele… Foi muito bom, só reclamo do pouco destaque e da conclusão porca que a Victoria deu para ele. Para mim, considerando toda a sua complexidade, dava para fazer coisas MUITO mais criativas com o personagem, ela optou por seguir o caminho mais fácil e seguro. Uma pena.

Mare é uma rebelde sem causa, a maioria das decisões que ela toma são repentinas e tolas, parece que ela só quer ser contra tudo e todos para fazer birra, detesto isso e não tenho mais nada a comentar, apenas acho que uma protagonista um pouco mais sensata seria uma boa, só para variar.

Como começo a falar do Cal? Eu o acho péssimo desde o início. Não me cativou no primeiro livro, quem dirá nos seguintes. Em A Rainha Vermelha, ele até estava bem colocado, tinha uma razão para estar ali, mas a partir de Espada de Vidro eu o sinto totalmente deslocado e despropositado para só no fim de A Prisão do Rei voltar a fazer alguma coisa de útil que nem é tão útil assim. Só serve para ser o capacho de Mare, mas nem nesse posto ele faz um trabalho carismático e relevante. É terrível.

Por fim, os personagens secundários são um show de horrores, sem desenvolvimento, sem personalidade, sem carisma. Tudo bem, estou sendo um tanto injusta, Shade é um ótimo personagem, Farley também tem seus momentos de encanto, e eu gostava muito do Julian no primeiro livro, mas essas são as exceções. Todos os outros personagens são mal desenvolvidos. Vale citar o Kilorn, que começou sendo um potencial pretendente para Mare e acabou por ali, tão deslocado quanto Cal nos outros livros.

Alguns podem vir me falar “Ah, mas personagem secundário não precisa de tanto desenvolvimento” de fato, não precisa. Porém, quando estamos tratando de questões políticas, o mínimo que seja, é necessário ter certo desenvolvimento sim, para mostrar porque a pessoa tá do lado x ou y, e digo isso especialmente por causa das divisões dentro da Guarda Escarlate, não por questão dos sangues, que aí fica claro o lado que cada um vai tomar.

Agora eu quero tocar em outro ponto: Os dois contos presentes no livro “Coroa Cruel”.

O primeiro, Canção da Rainha, acompanha a história da rainha Coriane, mãe do Cal e, diferentemente do todos os outros trabalhos da Victoria, esse foi escrito em terceira pessoa e para mim a narrativa ficou tão superior desse modo!

Vou expor minha opinião como autora aqui também: Eu prefiro mil vezes, tanto ler quanto escrever, histórias em terceira pessoa. Dá pra explorar mais coisas, lugares e até mesmo sentimentos. Com a primeira pessoa você tende a ficar mais recluso, mais preso ao ponto de vista de determinado, ou determinados, personagens como é com Victoria e eu não acho que fique bom. Não gosto dessa coisa de narrativa compartilhada, a única vez que vi funcionar foi na trilogia Legend, que é sensacional. Mas em geral, a primeira pessoa funciona apenas em casos bastante específicos, que não é o dessa série.

Canção da Rainha foi muito interessante para mim, primeiramente porque eu me interesso por saber essa história na íntegra desde que ela foi citada, no primeiro livro, e foi muito legal ter esse contato com personagens já citados mais jovens, tirando o trabalho competente que a autora fez ao retratar a depressão em certa personagem.

Para mim esse é o seu melhor trabalho, gostaria de ver mais da escrita dela em terceira pessoa.

Cicatrizes de Aço, conto que acompanha a Farley, já não teve a minha aprovação dessa forma.

Voltamos para a primeira pessoa aqui e, bem, acabei de expor minha opinião sobre isso. E além desse fato, mesmo com suas um pouco mais de 100 páginas, foi muito arrastado! Eu ficava vendo quantas páginas faltavam para terminar a cada minuto. Era cheio de relatórios no meio do livro e umas coisas meio desnecessárias, não sei, acho que esse conto em especifico não foi tão necessário, serviu apenas para preencher o livro e, provavelmente, subir o preço da venda.

Em suma, minha posição quanto a essa série é:

Ela é boa, vale a pena ler para matar tempo e se divertir, mas não chega nem perto de ser excelente, o que é triste, pois com a melhoria de alguns pontos em particular, o enredo já ficaria melhor e mais interessante. É necessário relevar muitos defeitinhos para conseguir aproveitar bem da leitura, então não comecem a ler esperando um Jogos Vorazes ou Legend, porque apesar de ter tópicos políticos, estes não são tão bem trabalhados assim e acredito que não seja o principal dessa série, que é uma saga juvenil e com isso, realmente é esperado que esses temas não sejam tão aprofundados e tenha mais romances, intrigas bestas pessoais e coisas assim. Não entendo porque esse fascínio com romances deslocados em histórias juvenis, mas tudo bem, já me acostumei.

Deixo aqui minhas três estrelas para com essa saga.

3 estrelas

Mais para frente teremos uma resenha só de Tempestade de Guerra, fiquem ligados no nosso Instagram e Facebook.

Mas quero saber a opinião de vocês também! O que acham de A Rainha Vermelha? Concordam com a minha opinião, discordam? Sou aberta a discussões produtivas, vamos lá!

2 comentários

  1. Gostei de sua resenha crítica, ela é direta e bem fundamentada, não conhecia esses livros e agora tão cedo não vou ler. Também sou um escritor, acabei de terminar duas trilogias (romance histórico ambientado em 401 a.C. em meio à guerra entre gregos e persas)

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  2. Obrigada!! Haha, certamente que vale mais a pena usar do seu tempo pra ler algo melhor
    Ah, que interessante saber! Estou escrevendo um romance ambientado no século XIX, durante a guerra peninsular.

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