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Nossa experiência na Bienal do Livro de SP (2018)

Expondo como foi nossa ida para a Bienal do livro de São Paulo.

Thai:

Eu, como amante de livros que sempre fui, tive essa vontade de participar de um evento nível bienal desde que passei a me conhecer por gente.

Digo que se não fosse pelos meus pais, teria ido ainda antes, mas creio que aconteceu no tempo certo. Foi uma das melhores experiências da minha vida, sem dúvidas o melhor final de semana de todos.

Já estava refletindo sobre essa viagem há mais de um ano, a princípio, querendo ir com minha amiga Laura, que acabou por se mudar para o exterior antes do evento. Com isso, chamei a Amanda, que não era tão leitora quanto eu ou a Laura, mas também gostava de livros, e isso que valia.

Não sabia muito bem o que esperar antes de ir. Apenas vi que a Tessa Dare estava para vir no dia 4 de agosto e decidi: seria aquele final de semana. Estou desde janeiro do ano passado numa fase de ler muitos romances de época, tanto que estou escrevendo um, então conhecê-la parecia uma grande coisa para mim. Depois de decidida a data, falei com o meu pai. Ele relutou um pouco, mas afinal, já tinha completado 18, é minha obrigação saber me virar, então ele passou a me ajudar com passagens, bagagens e todas essas coisas.

Por fim, alguns dias antes da bienal começar, a distribuição de senhas para a sessão de autógrafos com a Tessa foi liberada e vocês não tem noção da sorte que levei! Com apenas 6 minutos garanti a minha senha, e sei que acabou bem rápido, eu não tinha ideia de que seria tão rápido, se soubesse teria ficado desde manhã atualizando a página da bienal, mas o que vale é que deu tudo certo. Queria conhecer a Carina Rissi também no domingo, porém bobeei, entrei 15 minutos depois e já não tinha mais senhas.

Chegou o dia da viagem, fiquei nervosa e mal consegui dormir, 4 da manhã tinha que estar no aeroporto, uma verdadeira tortura! E em grande parte da viagem ainda, tive de ficar aguentando a Amanda passando mal ao meu lado, foi um desastre! Hahaha.

Chegamos em São Paulo com um tempo terrível de chuva e frio, não fomos no dia 3, estávamos tão cansadas que seria impossível fazê-lo, nós praticamente só comemos e dormimos nesse dia. Mas no dia seguinte, 8 da manhã já estávamos de pé.

Demos uma enrolada pensando que, como o parque do Anhembi era grande, não teria tanta fila. Quão ingênua fomos!

Chegamos lá tinha uma fila quilométrica, que virava a quadra praticamente. Ficamos confusas e precisamos perguntar para algumas pessoas da fila, que confirmaram que aquilo era para entrar mesmo. Fomos para o final dela, lembro-me até mesmo de ter visto o horário de quando chegamos, era 9h58min. Pensávamos que passaríamos o dia ali, mas por sorte, não demorou. Em questão de 20 minutos estávamos dentro da bienal.

Entrada

A partir daí foi uma verdadeira realização de sonho para mim. Primeiro fomos procurar certinho onde seria a sessão de autógrafos para depois darmos uma olhada nos estandes.

Preciso dar uma dica aqui para qualquer pessoa que pretende ir na bienal algum dia com intenção de comprar poucos livros: Isso não vai acontecer.

Minha mãe tinha falado para não comprar tantos livros, considerando que eu não tinha mais espaço para guardá-los, então combinei com ela que compraria uns dois no máximo. Pois bem, nossa primeira parada foi na Companhia de Letras, onde eu comprei dois livros logo de cara! Eu não me aguentei, eram tantos títulos, tantas coisas que não tem aqui em Foz e quem me conhece sabe que tenho coração fraco pra livro, se eu tiver dinheiro, torro tudo com eles.

Depois disso fomos dar uma volta para conhecer o local como um todo, vimos vários lugares maravilhosos para tirar foto, decidindo visitá-los depois da sessão de autógrafos (ingenuidade marcando presença mais uma vez, rs), quando passamos perto da arena de novo, vi que já tinha uma fila considerável, então eu e a Amanda fomos encará-la de uma vez, não queria ser uma das últimas a conhecer a Tessa, sendo eu a impaciência em pessoa, haha.

Ficamos um bom tempo por lá, eu até fiz amizade com duas moças na fila, muito doidas, mas eu adoro <3. Logo começou a palestra e liberaram a entrada para a sessão. A Amanda não podia entrar a partir dali, então segui caminho sozinha. Ficamos todos parados em fila esperando por muito tempo até a Tessa terminar a palestra e aparecer, conversei bastante com as moças que tinha conhecido enquanto isso, até mesmo essa parte, que em geral eu não teria gostado, foi muito legal.

Enfim a Tessa subiu no palco e aí meu coração já começou a acelerar, minha mente a treinar o inglês e minhas pernas a bambear. Eu não sabia se conseguiria me comunicar direito com ela, a ansiedade dominou. Fiquei mais uma meia hora esperando na fila quando chegou a minha vez.

Por incrível que pareça, a ansiedade morreu por ali. Acho que ela é um ser tão iluminado que me relaxou só de olhar pra mim. Já cheguei nos “Oh My God, you’re amazing” e ela foi muito, mas muito simpática comigo! Eu comentei que era escritora e ela me perguntou sobre o que eu escrevia, aí eu dei uma escorregada no inglês, não lembrava como se falava “romance de época”, mas ela, um anjo, logo entendeu e me ajudou. Tiramos a foto (abaixo) e na hora que eu estava saindo ela me disse “Muito obrigada, estou muito feliz por conhecer outra autora como eu”, meu coração derreteu nesse instante, que mulher! Passei a amá-la ainda mais depois dessa experiência.

Autógrafo
Autógrafo da Tessa.

Saí de lá e fui caçar a Amanda, que já estava desesperada na solidão. Mais uma dica para quem planeja ir para a bienal: Se quiser uma mesa para almoçar, chegue antes das 11! Gente, que praça de alimentação lotada! Amanda tinha conseguido uma mesa por muita sorte e nós almoçamos um lanche meio bleh, mas ao menos encheu o estomago.

Alimentadas, voltamos a explorar. A partir daí o parque já estava lotado, era difícil de andar, tinha que ficar trombando nas pessoas, terrível, mas na emoção você acaba ignorando. Ah, e a fila para as fotos tinha quadriplicado de tamanho, era quase impossível chegar nos cenários!

Gastamos muito dinheiro nesse tempo, muito mesmo, tanto livro barato, tantos descontos que olha… Tem que ter um coração muito forte. No primeiro dia fomos apenas com uma mochila, a minha, e colocávamos a maioria dos livros lá, minhas costas doíam demais, eram muitos! Andamos bastante e o cansaço dominou, tinham várias pessoas sentadas pelo chão, nos cantos, seguimos a ideia deles, haha. Ficamos descansando por um bom tempo, até que chamamos nossa motorista (beijo Talita, hahahaha) para nos buscar e fomos jantar.

Compras do primeiro dia
Minhas compras do primeiro dia (enviei para a minha mãe não infartar quando eu voltasse para casa, hahahaha)

Dormir foi a coisa mais fácil naquele dia.

No outro, dia 5, decidimos acordar mais cedo para evitar tanta fila. 7h estávamos de pé, dessa vez ficamos para dentro, graças a Deus. Demorou mais que o primeiro dia, porque a bienal em si ainda não tinha começado, mas logo entramos e já fomos direto para os lugares onde queríamos tirar foto para evitar o mesmo do dia anterior. Esse foi o dia das fotos praticamente, compramos múltiplos livros também, mas acredito que maior parte do tempo tenha sido para tirar fotos.

Foi incrível, de verdade. Você conhece tantas coisas diferentes, tantas pessoas, é uma experiência maravilhosa até para quem não é tão fã de livro, acredito eu. E para mim como escritora então, foi um evento que renovou minha alma, verdadeiramente. Nunca tive uma fase tão inspirada na escrita como agora. Eu gastei muito dinheiro, cansei bastante, perdi dois dias da faculdade por causa disso, mas do fundo do meu coração digo: Valeu a pena e eu super faria de novo.

Amanda:

O relato da Thais já foi bem completo, então não vejo motivo para nos estendermos muito no meu. Mas já de cara prefiro deixar avisado: vale muito a pena.

Nossa viagem só foi possível por causa de três pessoas: Tálita, Fátima e Alzira, que nos deixaram ficar na casa delas, nos alimentaram e nos levaram para onde queríamos à hora que queríamos. Então acho que vale deixar nosso agradecimento por escrito para as três <3.

Como a Thais disse acima, eu não era tão leitora quanto ela e nossa querida amiga Laura. Tanto que, por esse motivo, havia combinado com minha mãe de comprar apenas um livro e aproveitar o resto do tempo apenas para conhecer o lugar e aproveitar a bienal como um todo.

Acho que enquanto eu passava mal no avião, algo afetou minha memória… Eu não me lembrei disso enquanto estava naquele pavilhão.

Em determinado momento, meu pai (super coruja), me ligou para perguntar se tudo tinha dado certo e eu lá, correndo dentro da Companhia das Letras escolhendo livros, conversando com as vendedoras, deixando os livros ainda mais baratos do que já estavam.

Tanto eu quanto a Thais tivemos a mesma reação de surpresa quando entramos no primeiro dia. Claro que sabíamos que seria um evento grande, mas definitivamente não sabíamos que seria tanto. Soubemos depois que, esse ano, o evento não teve a proporção de sempre já que algumas livrarias não participaram.

Como foi nossa primeira bienal (primeira de muitas, espero), cometemos alguns erros. O primeiro, e acredito que o maior deles, foi subestimar o tamanho do evento. Deveríamos estar mais preparadas para as filas que enfrentaríamos, principalmente no sábado.

O segundo foi achar que nosso amor por livros seria menor que o medo que temos de nossas mães. O terceiro vem de mãos dadas com o anterior: não estávamos nem um pouco preparadas para trazer 14 livros de volta para casa.

Acho interessante comentar um pouco sobre isso porque foi uma grande dor de cabeça. Ficaríamos pouco tempo e a taxa para despachar bagagens estava absurda. Por isso, optamos por trazer apenas uma mala de mão e uma mochila cada. Um livro não é pesado, mas quando você tem 14, a situação fica um pouco mais complicada.

Nossa solução foi dividir tudo entre as malas, mochilas e sacolas. Voltamos extremamente carregadas. Não cometa o mesmo erro que nós cometemos, vá preparado.

Passamos o final de semana inteiro na bienal e aproveitamos absolutamente tudo que queríamos. Dois dias foram o tempo necessário, acredito que um período maior se tornaria um exagero.

Mas afinal, vale a pena até para quem não gosta tanto de ler? Sem dúvida alguma. Antes de ir, eu lia um livro por mês quando muito. Semana passada, terminei três. A experiência da bienal me estimulou a ler de um jeito absurdo, então eu indico essa maravilha principalmente para aqueles que querem criar esse hábito mas que não sabem nem por onde começar. É impossível sair de lá sem achar pelo menos um livro que seja do seu interesse, então procure, não desanime e, mais importante, vá de mente aberta.

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